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Bolívia está deslocando para si o foco de especulações sobre os bolivarianos

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Apesar das últimas declarações feitas por Hugo Chávez, presidente da Venezuela,  conclamando seu povo e as Forças Armadas venezuelanas à guerra contra a Colômbia, a Bolívia está trazendo para si o foco de especulações ao longo da semana.

Imediatamente a após a declaração de Chávez, o presidente boliviano, Evo Morales, afirmou que apóia a Venezuela, o seu Presidente e também conclamou o povo boliviano a se preparar para uma invasão que está sendo organizada pelos EUA, a partir das bases colombianas, cedidas para uso conjunto com os norte-americanos.

Muitos fatores têm pesado positivamente para que Evo Morales se posicione dessa maneira. A tendência eleitoral é de que poderá ser eleito já no primeiro turno com uma margem próxima aos 55%. A comunidade internacional tem dado reconhecimento para as ações do presidente, com prêmios oferecidos pela ONU (Organização das Nações Unidas), como “defensor da mãe terra” e, agora, o jornal inglês “The Guardian” apontou a Bolívia e o Equador como dois dos países que conseguiram crescer, em meio à crise internacional.

Analistas observam que esse crescimento se deve ao aumento do investimento público, que passou de 6,3% do PIB, em 2005, para 10,5%, do PIB, em 2009, cujos recursos provieram das nacionalizações realizadas no início do governo de Morales, as quais receberam críticas internacionais.

Contudo, tais ações têm servido de explicações para a distribuição de renda alegada, bem como os investimentos públicos estão sendo apresentados como o modelo correto de formulação de políticas e isso tem sido adotado pelo presidente para apresentá-lo como um líder em defesa dos interesses populares, algo constantemente usado em sua campanha eleitoral.

Para manter a divulgação e a coerência do discurso de “defesa dos interesses populares”, Morales agora está promovendo a defesa da agricultura biológica contra a dos transgênicos, argumentando que a produtividade é equivalente e a diferença se dá apenas no fato de o segundo tipo de agricultura beneficiar às multinacionais, em detrimento dos produtores pobres das pequenas comunidades indígenas.

Independentemente dos questionamentos sobre essa lógica econômica, estrategicamente, ele está vencendo suas lutas políticas, pois tem recursos em caixa para bancar os investimentos necessários a projetos como esse, que são complementados por sistemas dê auxílio à população, ao estilo do “Bolsa Família”, adotado no Brasil.

Morales está ganhando terreno e consolidando o espaço adquirido, por isso, não seria surpresa se suas declarações de preparação para uma invasão americana seja uma forma de mobilizar o povo para uma eventual manifestação dos setores opositores, especialmente dos Departamentos* que desejam autonomia (Santa Cruz, Pando, Beni e Tarija), compondo a conhecida “Média Luna”, pois também será decidida essa questão nas eleições de 6 de dezembro.

* Que corresponde no Brasil aos Estados, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro etc.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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