LOADING

Type to search

Bolívia: oposição poderá pensar estratégia unificada para enfrentar os 52% de tendência eleitoral para Morales

Share

Com os índices da pesquisa eleitoral confirmando a maioria absoluta (52%) para o atual presidente da Bolívia, Evo Morales, emerge a questão da estratégia que pode ser adotada pela oposição, até as eleições do dia 6 de dezembro de 2009.

 

A somatória dos três candidatos concorrentes chega aos 40%*. Por isso, matematicamente, é possível ocorrer um segundo turno, já que as regras eleitorais bolivianas estabelecem para vitória no primeiro turno que um candidato consiga mais de 50% dos votos, ou que obtenha mais de 45%, desde que não fique com menos de 10% à frente do segundo colocado. Ou seja, poderá haver uma segunda rodada eleitoral, imaginando-se que todos se unam contra Morales e ele perca mais 3% dos votos, não conseguindo o índice necessário.

Ainda que isso ocorra (a união de todos), será preciso que os concorrentes intensifiquem suas campanhas com propostas seguras e concretas para não perderem votos e poderem contrapor-se substantivamente ao Presidente, o qual, apesar das críticas opositoras, tem buscado alternativas para o país e pode usar de muitos elementos em sua campanha.

Nesta semana, ele fará reunião com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, para reatar as relações diplomáticas, estremecidas quando Morales solicitou a saída dos representantes do Departamento Anti-Drogas norte-americano de seu país e recebeu como resposta o cancelamento dos benefícios dados pela ATPDEA (Andean Trade Promotion and Drug Eradication Act – Ato de Promoção Comercial Andina e Erradicação de Drogas), um sistema unilateral de preferências comerciais concedido pelos EUA, que dá o direito de livre acesso às exportações de alguns países andinos: Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. A contrapartida é o combate ao narcotráfico, desde a produção até a exportação.

Morales também esteve na Espanha, tratando de acordos, e está acertando com os russos certo número de investimentos no seu país. É a forma alcançada para enfrentar às necessidades geradas pelas perdas de investimentos estrangeiros, decorrentes das estatizações realizadas nos primeiros anos de seu governo, bem como geradas pela diminuição da demanda brasileira pelo gás boliviano.

Como a oposição detém o controle da mídia, terá canais para disseminar sua propaganda eleitoral e apresentar propostas, tornando possível, embora difícil, a existência do segundo turno. No entanto, a grande maioria da população é indígena, o que dá garantia de votos seguros para Morales.

Nesse sentido, não será surpresa se o atual presidente for eleito com margem de votos semelhante a adquirida em sua eleição em 2005, com 54% do eleitorado, mantendo, assim, a mesma divisão do país que acompanhou o seu primeiro governo.

No entanto, a novidade pode ser o MAS (Movimento al Socialismo – Movimento para o Socialismo), partido de Morales, garantir o controle tanto da Câmara dos Deputados, quanto do Senado boliviano. Neste caso, o presidente teria controle total da política no Bolívia, sem interferências para a implantação de seus projetos de governo.

É possível, assim, que a oposição se concentre em manter o controle do Senado, único reduto que lhe resta, uma vez que, na Câmara, os partidários de Morales já são maioria.

* Manfred Reyes Villa detém 24%; Samuel Doria Medina tem 13% e René Joaquino, 3% das intenções de voto.

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.