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Brasil pode perder prestígio com a vinda de Ahmadinejad. Acredita-se que o governo brasileiro mire as eleições de 2010

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A sociedade internacional está começando a se posicionar em relação à visita ao Brasil de Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã. Analistas têm afirmado que o iraniano está objetivando obter externamente uma legitimidade questionada em seu país, bem como na quase totalidade do mundo.

Em seu percurso de viagem, Ahmadinejad está realizando, hoje, reuniões com o presidente da Bolívia, Evo Morales, e amanhã, dia 25 de novembro, viajará para a Venezuela, onde ficará por dois dias em reuniões com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, considerado o grande aliado do seu governo na América.

Na Bolívia está sendo afirmado que assinará acordos para investimentos em agricultura, hidrocarbonetos e petroquímica. Ele também entregará uma obra financiada pelo Irã na cidade de El Alto. No entanto, acredita-se que a principal razão da visita é adquirir o urânio boliviano, uma vez que o presidente Morales já se posicionou como aliado do Irã, por isso aceitará o fornecimento.

No Brasil, o iraniano recusou tratar de pontos polêmicos e faltou a palestra que ministraria numa universidade (IESB), para evitar que questões complicadas viessem à tona, atrapalhando a estratégia de se mostrar ameno.

Analistas internacionais têm acenado que essa ação de Ahmadinejad colocará o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, numa situação arriscada, pois, apesar de coerente, é ineficaz o discurso do brasileiro de exigir paz, equilíbrio no Oriente Médio e o direito de Israel à existência, uma vez que em nada poderá alterar o posicionamento do atual governo do Irã, no qual Ahmadinejad é apenas uma peça no tabuleiro, sem capacidade para mudar a grande estratégia do seu país.

Estudiosos do sistema político do Irã acenam que ele serve, principalmente, como elemento para desviar a atenção dos homens que conduzem concretamente os destinos políticos e estratégicos iranianos. Nesse sentido, a passagem do seu presidente pelo Brasil teve o papel usar este país para ganhar tempo nas negociações que estão sendo feitas, entre o Irã e a sociedade internacional, a respeito do programa nuclear que estão desenvolvendo e trará para o Brasil o problema de uma região sobre a qual tanto o Governo brasileiro, quanto o seu povo não tem preparação para abordar.

O discurso do presidente Lula acena para o papel do Brasil como “potência global” nas relações internacionais e como um possível mediador para o problema entre Israel e Palestina, daí ter de ouvir o iraniano, tanto quanto ouviu Shimon Peres (Israel) e Mahmoud Abbas (Autoridade Palestina), uma vez que são protagonistas na questão.

No próximo ano (2010), no primeiro semestre, será realizada uma visita do presidente brasileiro acompanhado de vários empresários para estimular os negócios bilaterais. Apesar do valor comercial das aproximações, outros analistas têm apontado que o foco principal do mandatário brasileiro é mostrar um papel relevante na condução da política internacional contemporânea.

Nesse sentido, o objetivo não está focado nas possíveis vantagens das relações comerciais entre os dois países, pois não se pode prever o andamento da situação interna no Irã. Ao que tudo indica, o Governo do Brasil centrará foco no diálogo sobre a situação no Oriente Médio, para se colocar como mediador competente e, assim, ganhar mais prestígio e somar pontos na campanha para fazer seu sucessor nas eleições presidenciais brasileiras que ocorrerão no segundo semestre de 2010.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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