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Brasil pretende propor a criação de uma OEA alternativa, apelidada pelos analistas de “OEA do B”

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Está sendo anunciado que o governo brasileiro pretende a criação de outra organização de integração da América Latina, para reunir os integrantes da atual OEA (Organização dos Estados Americanos), excluindo-se os EUA (Estados Unidos da América) e o Canadá.

A idéia já havia sido lançada em 2008, na cidade de Sauipe (Estado da Bahia, no Brasil), na primeira “Cúpula da América Latina e Caribe” (Calc). Objetiva-se tratar do tema durante a “Cúpula da Unidade da América Latina e Caribe”, nas reuniões que estarão ocorrendo em Cancun, até terça-feira, dia 23 de fevereiro de 2010.

Pelo anunciado, os principais defensores da idéia são: o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; o mexicano Felipe Calderón; o venezuelano Hugo Chávez e o equatoriano Rafael Correa.

O objetivo é fazer uma contraposição direta e explícita aos EUA, daí a exclusão também do Canadá, considerando-se que, normalmente, este compõe parceria estratégica com os norte-americanos.

Não foi definido o formato nem o nome da nova entidade. De acordo com o divulgado pela mídia, alguns dos nomes cogitados são: “União da América Latina e Caribe” e “Organização dos Estados da América Latina e Caribe”.

Segundo Peter Hakim, presidente do Diálogo Interamericano, “Os latino-americanos não têm um histórico muito bom em termos de organizações regionais que funcionem, seja Mercosul, ou Unasul”.

Analistas têm apontado que será mais um Órgão com possibilidades de se tornar ineficaz. Caso não seja, acabará polarizando o continente, ou tornará inútil a OEA, sem criar uma alternativa real.

Ironicamente, a instituição, ainda no papel, está sendo apelidada de “OEA do B”, numa alusão ao “PC do B” (Partido Comunista do Brasil)*.

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*A alusão ao PC do B segue as discussões acerca da fundação deste partido político no Brasil. De acordo com a historiografia, a questão diz respeito às duas reorganizações que ocorreram em 1961 e 1962 no “Partido Comunista – Seção Brasileira da Internacional Comunista” (PC-SBIC), fundado em 25 de março de 1922, popularmente conhecido como Partido Comunista Brasileiro, embora não adotasse oficialmente esta sigla.

Em 1961, ocorreu adoção do nome “Partido Comunista Brasileiro”, com a sigla PCB, aprovando um novo Programa na “Conferência Nacional Extraordinária”, encabeçada por Luís Carlos Prestes.

A proposta seguia a onda revisionista apresentada e aprovada no “XX Congresso do PCUS” (Partido Comunista da União Soviética), em 1960, que previa reformas no programa partidário e na metodologia a ser adotada no mundo, após as denúncias realizadas por Nikita Krushev (então líder da URSS), acerca dos alegados crimes de Joseph Stalin (morto em 5 de março de 1953).

Em 1962, marxilistas-leninistas que não aceitaram à revisão proposta por Prestes e pelo XX Congresso, adotam a sigla “Partido Comunista do Brasil” (PC do B), afirmando-se os verdadeiros sucessores do “Partido Comunista – Seção Brasileira da Internacional Comunista” (PC-SBIC).

Acusaram os denominados “revisionistas” do PCB de serem Social-Democratas e, como o PCB seguia a linha de Moscou, agora sob a liderança de Krushev, adotaram a linha do líder comunista chinês Mao Tsé-Tung, mantendo parâmetros revolucionários, a metodologia da tomada do poder pelas armas, seguindo o princípio da Guerra Popular Prolongada, com a guerrilha rural.

Devido radicalização da proposta e à dissidência metodológica em relação ao grupo que seguia a orientação da “organização-fonte” soviética, tornou-se hábito para analistas políticos e jornalista acrescentar “do B” para nomear novas instituições surgidas de instituições antigas (especialmente quando são organismos à esquerda), sempre que este novo grupo aparecer propondo ações, ou estratégias mais radicais.

O hábito adotado não leva em conta as questões historiográficas, as discussões acerca do problema histórico envolvido, nem os problemas acerca da verdadeira herança que envolve o “PCB” e o “PC do B”, em relação ao “PC-SBIC”. O procedimento dos analistas tem sido acrescentar “do B” no nome antigo, sempre que um grupo anunciar dissidência da “organização-mãe” e propor a radicalização do antigo método.

Por isso, ao ser anunciada a proposta da criação de uma nova Organização de dentro da OEA, os analistas estão observando a proposta e, ironicamente, anunciando que se pretende criar a “OEA do B”.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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