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“BRIC”: ÁFRICA DO SUL É CHAVE PARA O SUCESSO DO QUARTETO NO CONTINENTE AFRICANO

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Desde que se iniciou a “Crise Econômica” que abalou as economias dos países de todo o mundo, o Brasil, a Rússia, a Índia e a China têm chamado a atenção dos especialistas econômicos.

Jim O`Neill, do “Goldman Sachs”, foi o responsável pelo batismo deste quarteto informal com o nome de “BRIC”, prevendo sua importância na economia, bem como no cenário internacional, e eles estão confirmando as expectativas dos observadores.

 

Atualmente, o grupo está com as perspectivas mais otimistas para 2011. De acordo com pesquisa feita pela “Gallup International/WIN”, publicada nesta terça-feira, 28 de dezembro, 49% dos entrevistados acreditam em um ano de prosperidade econômica nos países do BRIC.

Dentro do atual quadro, a China é detentora de 56% da prosperidade econômica para o próximo ano e a Rússia é quem apresenta o menor índice, com 30%, mostrando comportamento próximo do esperado para  a média global. Tais índices superam os das nações mais ricas, aquelas que compõem o “G-7” (EUA, Canadá, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Japão), para as quais se afirma que terão algo próximo dos 17 pontos percentuais.

Resumidamente, a pesquisa publicada diz que os “dados econômicos e de percepção sugerem que, enquanto a riqueza ainda está concentrada na Europa e na América do Norte, há uma mudança de poder e prosperidade do Ocidente do século 20 para o Oriente”. Além disso, os dados “mostram que a esperança global está altamente concentrada entre as potências econômicas emergentes, os BRICs”.

Embora as autoridades desses países analisem a economia de forma a prever um crescimento menor que os ocorridos em 2009 e 2010, suas estratégias de “cooperação internacional”  são vistas como o principal meio para manter o grupo consolidado e forte, visando fazer frente às dificuldades político-econômicas globais.

Estes países, considerados emergentes, apresentaram durante a Crise crescimentos com médias entre 6,5% e 10% em seus “Produtos Internos Brutos” (PIBs). Porém, além de números positivos e elevados, demonstraram também um tipo de relacionamento que despertou muito questionamento e reflexão, pois são concorrentes em mercados semelhantes, interesses e relações sócio-econômicas equivalentes em determinadas regiões do globo.

Neste período, quando se tratou de relações comerciais entre os membros do BRIC com outros países emergentes e com Estados do continente africano, a África do Sul participou como uma “observadora” do quarteto, estando presente em alguns encontros como convidada.

Ela consta nos planos dos Estados membros do grupo para que ganhem força na África, tal qual foi apresentado em “Análise de  Conjuntura”, intitulada “BRIC EM DISPUTA PELA ÁFRICA”,  publicada no “Site do CEIRI” no início deste ano (2010), onde se apresentou algumas das estratégias adotadas individualmente pelos “briquianos” para aumentar suas relações com o continente africano, sobretudo, suas relações com a África do Sul.

Dentro das estratégias político-econômicas desses Estados, foi a China quem fez o convite para que o os sul-africanos entrassem para o Grupo. A Chanceler da África do Sul, Maite Nkoana-Mashabane declarou: “A China, na sua condição de presidente do Bric, convidou a África do Sul a integrar-se como membro pleno no que, doravante, se chamará Brics”. A Agência oficial de notícias chinesa, “Xinhua” já anunciava: “Os Bric aceitaram a África do Sul como membro pleno do grupo”. Posteriormente, as informações foram confirmadas por Yang Jiechi, Chanceler chinês.

O convite foi bem-vindo para os sul-africanos, que se esforçaram para participar das reuniões integrando a “confraria”. A África do Sul é o país com o menor PIB dos atuais cinco componentes. Tem um quarto do PIB russo, que era o menor, até sua entrada.

Para consolidar a situação, segundo Nkoana-Mashabane, “O presidente (chinês) Hu Jintao enviou uma carta ao presidente (sul-africano) Jacob Zuma para convidá-lo a participar na cimeira dos Bric que será realizada na China, no primeiro trimestre de 2011. (…). Foi o melhor presente de Natal jamais recebido”.

O entusiasmo sul-africano é bem visto por muitos economistas da África e analistas econômicos  internacionais. Porém, o ingresso é vista de outra forma por cientistas políticos e analistas de mercados. Alguns acreditam que a China antecipou o convite aos sul-africanos devido ao crescimento das relações entre a Índia, o Brasil e a África do Sul, no outro grupo informal denominado “IBAS”.

China, Índia e o Brasil tem vantagens e desvantagens distintas nas negociações que realizam no continente africano. O Brasil usa de seu relacionamento histórico e a facilidade de comunicação com alguns países para fortalecer seus laços comerciais, sociais, culturais e fazer intercâmbios. A Índia tem um relacionamento profundo com a África do Sul, graças ao número de cidadãos seus que vivem neste país, o qual abriga a maior concentração de indianos fora da Índia. Utilizam do crescente número de projetos de cooperação para a realização de “Investimentos Estrangeiros Diretos” (IEDs), tornando a África do Sul uma plataforma para as demais nações africanas.

Recentemente, o “IBAS” buscou facilitar a comunicação entre os membros. Segundo informações divulgadas pela “Câmara de Comércio Índia-Brasil”, os países estão investindo em canais para a divulgação de suas empresas, em campos para investimentos e em mecanismos para o crescimento das relações comerciais.

Os três Estados já planejam realizar ações conjuntas no setor da Segurança e em eventos esportivos do futuro próximo, como os “V Jogos Mundiais Militares”*, em  2011; a “Copa do Mundo de Futebol de 2014” e as “Olimpíadas do Rio de Janeiro”, em 2016, que serão realizados no Brasil.

Também são estudados Projetos envolvendo os campos de energia, petróleo e “comércio exterior”, visando tornar a África do Sul um canal de ligação entre Brasil e Ásia e facilitar a logística das exportações brasileiras para a Índia. Tais projetos chamam a atenção dos chineses e que estão pensando em formas de acompanhar tais avanços, participando de parcerias.

A China, que atualmente é a segunda maior economia do mundo, utiliza de sua capacidade financeira para investir milhões de dólares principalmente em projetos de infra-estruturas, embora também invista em muitos outros setores no continente, visando fortalecer os laços e solidificar o comércio.

As relações comerciais de Brasil, Índia e China com os países africanos, no entanto, é permeada por disputas entre o trio, principalmente em Angola, onde Brasil e China apresentam vantagens.

A China tem percebido que Brasil e Índia estão desenvolvendo canais que articulam América do Sul, África e Ásia, sem a sua  presença, por isso anteciparam-se no convite feito aos sul-africanos para entrar no BRIC, como forma de evitar ser excluída deste processo, já que, segundo interpretam, a África do Sul se tornou a ponte entre os três continentes no planejamento de Brasil e Índia.

Da perspectiva dos analistas de mercados, a chegada destes países no continente é vista pelos africanos como positiva e tomada de “bom grado”, uma vez que, no passado, apenas os Estados Unidos e a Europa eram opções de negócios e comércio, sem que houvesse investimentos de forma a gerar desenvolvimento sustentável na região. Além disto, brasileiros, chineses e indianos tem maior facilidade de entrada no continente pelo fato de não terem divergências sócio-culturais e não terem um passado de invasão, conquista e exploração direta, tal qual ocorre com os europeus.

Vários analistas econômicos, inclusive O`Neil,  concordam com a afirmação da Chanceler sul-africana sobre as razões de o seu país ter condições de propiciar maior sucesso no relacionamento com as demais potências emergentes.

Conforme ela declarou, “Há muitos países emergentes que têm mais habitantes ou economias maiores que a África do Sul. A Coréia do Sul, Turquia, México e, inclusive, a Polônia ou Argentina poderão se perguntar agora: Por que não eu? A África do Sul oferecerá aos Bric uma porta de entrada para África. E tudo que a África do Sul fizer como membro desse fórum será para fazer avançar a agenda africana”. Ou seja, seu país cumpre em relação à África um papel que os demais não cumprem em relação aos seus respectivos continentes.

O ano de 2011 poderá apresentar desaceleração no crescimento destes países do BRICI, mas as perspectivas são otimistas. Entre os anos de 2000 e 2008, de acordo com o “Fundo Monetário Internacional” (FMI), o Brasil, a Rússia, a China e a Índia foram responsáveis por cerca de 50% do crescimento econômico mundial.

Como afirmou o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a “Cimeira do BRIC”, realizada no Brasil, em abril deste ano (2010), “Juntos, Brasil, Rússia, Índia e China contribuem com 15 por cento do PIB mundial. Somos países onde tudo é em grande escala. Representamos quase a metade da população mundial, 20 por cento da superfície terrestre e temos recursos naturais abundantes”.

Analistas acreditam que se os membros do atual BRICS trabalharem mais em Cooperação, buscando convergir seus interesses, as vantagens que obterão nas negociações feitas no continente africano poderão ser quase imbatíveis, frente aos outros Estados com interesses em investir e em estabelecer relações comerciais com os países da África.

Além isso, o trabalho de Cooperação entre eles, focados em objetivos comuns no continente, será um diferencial para a manutenção de uma “boa imagem” na região, atendendo aos seus interesses individuais.

Agora, a África do Sul é membro do novo quinteto que receberá as atenções de economistas de diferentes partes do globo, estudando o sucesso desta parceria, bem como a sua contribuição para a estabilidade da economia internacional:  o “BRICS”.

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* Os “Jogos Mundiais Militares” são o terceiro maior evento esportivo do mundo, perdendo apenas para as “Olimpíadas” (“Jogos Olímpicos de Verão”, já que também há as “Olimpíadas de Inverno”), que estão em primeiro lugar, e para as “Paraolimpíadas”, posicionadas em segundo lugar. Em 2011, será a primeira vez que estes Jogos se realizarão na América. Prevê-se a presença de 90 países, aproximadamente, 6.000 participantes e declarou-se que serão usadas as instalações do “Pan-Americano de 2007”, realizado no Rio de Janeiro (Brasil).

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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