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Chávez anuncia que é a hora da virada definitiva para o socialismo

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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, declarou que a oposição do país está armando, sob financiamento dos EUA, a desestabilização política de seu país e adotando medidas com vistas à sua morte.

O último fato foi a prisão de um funcionário de 27 anos da “Corporação Elétrica Nacional”, o engenheiro chamado Jesús Majano, por, supostamente, enviar mensagens no twiter, incentivando o “magnicídio” (assassinato de personalidades com  intuito de mudar os rumos da história).

Segundo a acusação apresentada pelo diretor da Polícia, Wilmer Flores, “o engenheiro se valeu de ferramentas da empresa e colocou fotos de Chávez com feridas no rosto, além de sugerir como matá-lo”.

De acordo com o divulgado, o “Corpo de Investigações Científicas Penais e Criminalísticas” (CICPC) recolheu um telefone BlackBerry e um disco rígido do engenheiro, onde estão as provas, porém elas não foram mostradas e há suspeitas de que haja uma trama dos próprios governantes envolvendo o problema.

O governo está sob pressão com a crise econômica apresentando altas taxas de inflação. Foi anunciado que, neste mês, chegou a casa dos 19,9%, de janeiro a agosto de 2010, e a carestia também aumentou, tendo sido anunciado que a cesta básica cresceu 46% neste mês.

A oposição continua trazendo ao público a questão da perseguição política que está sendo realizada no país, com o caso da Juíza Maria de Lourdes Afuni, que foi presa meia hora depois ter permitido a libertação do banqueiro Eligio Cedeño, um ex-aliado de Chávez que foi acusado de fraudar o sistema de câmbio. A  juíza afirma, com documentação comprobatória, que o empresário não poderia mais permanecer encarcerado e tinha apenas cumprido a Lei.

Em suas palavras: “Havia um atraso no processo e a lei diz que, quando não há julgamento por culpa do sistema judicial, o acusado não pode ficar detido mais de 24 meses. Ele estava preso havia três anos.?Sabia que era um caso com importância política. Mas não por isso eu seria cúmplice com erros.?Dei a ordem de liberdade e meia hora depois estava presa. Ficou evidente que ele era um prisioneiro político, e agora eu sou mais uma.?Não houve suborno. A acusação já cruzou meus dados bancários e os de Cedeño. Não encontraram nada.?Muitos advogados que vêm me visitar dizem que desde que fui presa nenhum juiz quer tomar uma decisão por temor de represálias.?No dia seguinte, um funcionário me falou que Chávez havia dito que eu deveria ficar 30 anos presa. Dois dias depois, me disseram que ele tinha pedido 35 anos” (Fonte: Folha de São Paulo, de 6 de setembro de 2010).

Recentemente, Chávez recebeu 495 acusações de um membro do “Conselho Nacional Eleitoral” (CNE) por violações das normas eleitorais, entregando vídeos demosntrativos de que o Presidente apóia os candidatos do “Partido Socialista Unida de Venezuela” (PSUV) e desclassifica opositores, algo que é proibido pela lei eleitoral. O mandatário declarou que apresentará uma queixa contra Vicente Diaz, algo que pode significar seu afastamento e perseguição.

A oposição também está suspeitando de que haverá fraude nas eleições do dia 26 de setembro, pois circula na internet denúncia de um esquema de eleitores fantasmas que foi usado na última eleição que reelegeu o Presidente e, segundo suspeitas, será reutilizado.

A situação está tensa no país e o governo sabe que corre o risco de perder o controle político se não obtiver a maioria qualificada no Congresso venezuelano. Chávez anunciou que esta é a hora da virada estratégica para a implantação de um modelo em que não haverá mais chances de os capitalistas voltarem ao poder, ou ocupar cargos públicos. A afirmação não ficou  clara, mas suspeita-se que a Venezuela corre o risco de sofrer uma onda de radicalização em breve, independente de o governo perder ou não o controle do Congresso.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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