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Chávez volta a articular política externa venezuelana pró-ativa e mais confrontadora aos EUA

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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, começa a intensificar à política externa para a Venezuela contra os EUA, mas com arco de abrangência maior que a America Latina. No giro que está fazendo pelos países do Oriente Médio e ex-membros  da Ex-União Soviética, além de Portugal e Líbia, o objetivo explícito está em fazer a articulação entre Estados que possam dar suporte ao seu país no momento em que a crise econômica venezuelana avança e Chávez terá de lidar com um Congresso onde será obrigado a negociar os projetos de políticas públicas.

Analistas acentuam que o objetivo maior é fazer acordos econômicos para buscar uma saída á crise na Venezuela, mas também deseja realizar a articulação entre os países que se opõem diretamente aos norte-americanos para fazer frente nos Fóruns internacionais em torno da reivindicação do que os governos e líderes desses Estados chamam de “Nova Ordem Multipolar Mundial”.

A Aliança política, estratégica, econômica e militar com o Irã já estava sendo articulada há vários anos, pois são, aproximadamente, 80 Acordos e Tratados assinados ao longo do período em que esteve no poder, pelas nove visitas que fez aos iranianos desde que assumiu o governo, em 1999.

A parceria entre Irã e Venezuela está se expandindo para ação conjunta em outros países, usando da “cooperação triangular” para garantir uma articulação regional no Oriente Médio, além disso, a inclusão de membros do desta região em organismos internacionais sul-americanos tem o intuito de expandir a área de influência dos membros-partes desses organismos e deter mais força nos Fóruns internacionais.

No primeiro caso, juntamente com o Irã, assinou Acordo para a construção de uma Usina de refinamento de petróleo na Síria, adotando a estratégia que tentou aplicar na América do Sul, de criar uma rede articulada entre países para impossibilitar ações contra os membros que estiverem articulados na rede de produção e distribuição energética.

Dentro do mesmo princípio estratégico está fazendo parceria com a Ucrânia e a Bielo-Rússia, sendo que, com a Ucrânia, foi aberta a possibilidade para que produzam petróleo e gás na Venezuela, no marco dos Acordos energéticos assinados entre os dois países, cujos detalhes não foram divulgados e Acordos para transporte de petróleo para a Bielo-Rússia, usando do oleoduto que liga o porto de Odessa a Brody.

Com relação a inclusão de membros externos aos organismos sul-americanos, foi assinado com a Síria que esta participe como “membro aliado” (observador) da “Aliança Bolivariana para as Américas” (ALBA), integrada por Venezuela, Bolívia, Cuba, Nicarágua, Equador, Antígua e Barbuda, Domica e São Vicente e Granadinas, permitindo, assim, que à Síria aumente suas relações com a América do Sul e Caribe.

Mostrando que deseja compor um conjunto amplo de países que se contrapõem aos EUA, defendeu publicamente que a Síria retome as “Colinas de Golã”, posicionando-se mais uma vez de forma explícita contra Israel, aliado dos EUA e sendo coerente com sua aliança com os iranianos. Hoje, dia 22 de outubro, encontra-se na Líbia, onde pretende reforçar os acordos comerciais entre os dois países, da mesma forma que faz com Portugal.

O ponto mais polêmico da viagem foi o Acordo assinado com a Rússia para a construção de uma usina nuclear na Venezuela, visando produção de energia elétrica. Apesar das declarações de autoridades peruanas, colombianas e brasileiras de que a Usina não preocupa estes países, ela será observada de perto pelos EUA, pois a arco de alianças que Chávez está estabelecendo é explicitamente confrontadora aos norte-americanos e aos trabalhos realizados pelas grandes potencias para controlar a proliferação do perigo nuclear no sistema internacional.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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