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CHILE: COM PIÑERA ELEITO, POLÍTICA INTERNA CHILENA TENDE A NÃO SER ALTERADA, MAS HAVERÁ MAIOR EQUILÍBRIO NO CONTINENTE E NOVO DINAMISMO NA POLÍTICA REGIONAL

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A eleição do empresário Sebastián Piñera como presidente dos chilenos apresenta pontos relevantes para a análise política. O Chile se mostra como laboratório importante para a observação de analistas voltados ao quadro da política internacional latino-americana, bem como para construir cenários possíveis diante da expansão dos modelos políticos institucionais que tem se implantado na América Latina.
O país passou vinte anos sob o governo de uma coalizão de partidos de centro-esquerda (a Concertación), com princípios e comportamentos mais adequados à social-democracia européia, e alguns elementos próximos ao eurocomunismo, ou seja, com uma abordagem das teses marxistas, ou esquerdistas que pregam a emergência da sociedade civil e menos a imposição do Estado, pois se colocavam como antagônicos ao modelo stalinista que vigia na União Soviética, o qual, para esses teóricos e intelectuais, era tão negativo quanto o modelo capitalista liberal democrático, combatido pela teoria marxista. Daí eles terem desenvolvido uma estratégia de ação própria, com políticas reformistas e aceitando alguns pressupostos da democracia liberal e do liberalismo econômico.
O esquerdismo no Chile, durante bom tempo, refletiu, ou levou a crer ser algo próximo desse estilo. Por esta razão, foi difícil para os analistas políticos posicionarem o país ideologicamente na América do Sul.
Apesar de esquerda, em várias ocasiões o governo foi contrário, ou neutro, em relação ao bolivarianismo chavista e a forma como este está sendo disseminado pelo continente. Sobre o fato de a Bolívia adotar postura reivindicatória perante o Chile (é a questão do mar territorial boliviano, que foi perdido para os chilenos no final do século XIX e início do século XX), o posicionamento foi sem internacionalismo: a simples ameaça era respondida com demonstração de força militar, independentemente de a Bolívia estar sob a liderança de um governo de esquerda, com o bolivariano Evo Morales no poder. Para completar o cenário, não compartilharam dos discursos para a adoção de um modelo econômico com plena intervenção do Estado.
A Concertación assumiu o poder por meio de eleições que indicaram o desejo do povo chileno de ter acesso aos direitos civis que foram deixados de lado no período anterior, o qual priorizou a construção de um país economicamente forte e capaz de gerar desenvolvimento, tanto que durante anos o Chile foi o país com maiores taxas de crescimento na região, quando não um dos únicos.
O povo reivindicava democracia e foi por ela que escolheu a Concertación com os seus seguidos governos*, que realizaram trabalho seqüencial de inclusão política dos segmentos sociais, trabalharam pela restauração dos direitos humanos e buscaram uma fórmula de consenso. Talvez por isso, mesmo com a derrota neste momento, o candidato eleito se aproxime mais do centro que de um possível retrocesso aquele passado que o governo da Concertación buscou afastar.
Um dos fatos que comprovam esse sucesso, apesar da derrota momentânea, é a questão de candidatos vinculados diretamente ao passado do governo Pinochet não conseguirem sucesso eleitoral, dentre eles seu neto que foi derrotado na eleição para Deputado Federal.
Alguns fatores chamam a atenção. O Chile é considerado o país com a economia mais aberta do mundo, por essa razão sofreu o impacto da crise econômica mundial, refletindo no desempenho dos últimos dois anos do governo Bachelet, tendo uma queda significativa no crescimento do PIB do país, que deixou de crescer na taxa de 4,3% ao ano (no início desta década), para a taxa de 2,7% (em 2008), havendo índicos de que terá mais queda. Acrescentando-se que na década de 90 o crescimento estava na casa dos 8%. Além disso, ocorreu o aumento do desemprego, passando de 7% para 9%.
Mas, se esta queda no desempenho da economia pode ser um fator a explicar a derrota da Concertación, não explica porque há um índice tão alto de aprovação da Presidente Michele Bachelet, nem como uma líder com grau tão elevado de aceitação, não consegue a transferência de sua credibilidade para o candidato que ela apóia.
A aprovação de Bachelet se deve há vários fatores, especialmente ao seu comportamento democrático, que a levou a conquistar e manter o respeito de seu povo, o qual, é importante destacar, tem nível cultural elevado, comportamento conservador e trato respeitoso entre os cidadãos.
O fato de a líder manter uma postura respeitosa diante das situações mais conflituosas (e ocorreram várias, como a crise da Transantiago; as denúncias de corrupção na sistema de loteria do país; o debate intenso sobre a reforma do sistema educacional chileno, que a presidente não executou) mostrou para este povo que ela o representa em sua essência, mas como não é permitida reeleição, buscou-se uma alternativa. Neste ponto vem à tona a vitória de Piñera.
Uma das conquistas realizadas pelo período da Concertación foi à garantia da estabilidade institucional do país. Hoje, o povo chileno tem credibilidade nas suas instituições políticas, independentemente das lideranças que possam ocupar os cargos, desde que mantenham o mesmo equilíbrio e não toquem nas conquistas civis adquiridas. Assim, a reivindicação deste povo, no momento, é de eficácia administrativa, mas do que discursos políticos mobilizadores.
Um elemento demonstrativo está numa certa apatia política em segmento extenso da população chilena, já que a Concertación conseguiu conquistar a inclusão política e a busca pela justiça, sem que isso tenha significado revanche, mas à releitura do passado, para evitar que erros como os anteriores sejam cometidos.
Daí ela ter realizado a mediação adequada em seu processo político e produzido a principal conquista que, neste momento, lhe custou uma derrota eleitoral: estabilidade política, institucional e social. Diante desse equilíbrio social, construído ao longo de vinte anos, acrescentando-se o fato de, em termos econômicos, terem mantido os pressupostos do governo anterior.
Por isso, não foi surpreendente que os discursos se aproximaram e as diferenças foram concentradas em questões técnicas administrativas, espelhadas na demonstração de perfis mais ou menos dinâmicos, vencendo o perfil de Piñera, com suas idéias de reduzir a participação do Estado na economia, mas apenas para dinamizar a produção do país e gerar mais empregos e não para alterar uma estrutura que está construída.
O comportamento da Presidente foi outro fator a se destacar: preferiu esperar pelo resultado a participar ativamente de uma campanha, algo que a levaria a usar a máquina do Estado e a burlar as regras informais, além das formais, para garantir a vitória de seu sucessor.
Preferiu o comportamento daqueles que respeitam a Democracia e agem retamente em função de seus discursos, pois sabe que, para o equilíbrio social, o importante é o fortalecimento das instituições, só conseguido pelo respeito às regras do jogo e adoção de postura ética.
Nesse sentido, um modelo de comportamento significou uma derrota pontual. Talvez, nem tanto, desde que as instituições sejam preservadas. Ela sabe que terá condições plenas de retornar ao poder nas próximas eleições e voltará de forma diferente desta tentativa de Frei, pois ele saiu de seu governo com baixa avaliação e com imagem negativa diante do povo chileno, pelo fracasso em responder à crise econômica internacional de sua época.
A aposta de Bachelet se dá na perspectiva histórica, por isso não se pode lhe atribuir uma derrota. As instituições estão preservadas e os projetos políticos estão próximos, tanto os da Concertación, quanto os de Piñera.
Poderá contar ainda com os riscos dos discursos pró-ativos em termos de política externa que Piñera está adotando, pois à medida que anuncia posicionamentos confrontadores claros, terá de arcar com os custos, dentre eles financeiros, resultando, inclusive, numa reativação do interesse pela política dentro do povo.
Ele já anunciou ser opositor frontal de Hugo Chavez, presidente da Venezuela. Também estarão no mesmo espaço todos os bolivarianos. Devido ao discurso, terá de se aproximar concretamente da Colômbia, do Peru, mais dos EUA, com os quais os chilenos já têm amplas relações, e, certamente, adotará postura de apoiar aqueles Estados que se posicionarem contra os bolivarianos.
Assim, se espera que reconheça o governo eleito de Honduras e, caso ocorra o afastamento de Fernando Lugo no Paraguai, é provável que ele se posicione reconhecendo o governo que assumir, caso essa crise política paraguaia venha a ocorrer efetivamente.
Para a América do Sul, Piñera representará um fator de equilíbrio, pois, apesar de polarizador, ele obrigará aos bolivarianos a não correrem riscos, sendo estes obrigados a reduzir suas ambições, os ataques e as projeções de poder. Tanto que, neste momento, , o presidente da Bolívia, Evo Morales, durante a sua posse discursou apontando que deseja relações cordiais com seus vizinhos.
A Argentina também terá de rever posições. A matriz energética chilena depende das importações de gás vindas da Argentina, que por sua vez repassa o gás vindo da Bolívia. A situação para o governo argentino aponta que ele pode ser o próximo a perder o espaço para a oposição e, certamente, isto contará com apoio do atual presidente chileno.
Os estudiosos de relações internacionais levam em conta que qualquer sistema, ou subsistema que tem vários atores relevantes pró-ativos (na linguagem técnica: multipolar) é mais estável. Não pela ausência de conflitos, mas por existirem freios as ações imperiais e hegemônicas de alguns players.
Nesse sentido, a vitória de Piñera representa um freio nas pretensões desmedidas de várias lideranças no continente, que obrigarão a repensar posturas, já que começam a ser postas em cheque as atitudes, os comportamentos, as políticas externas e atuações internas das lideranças à esquerda na região, que tem adotado atitudes de confronto direto aos fundamentos da democracia, apesar de usarem o discurso democrático.
O Chile se mostra neste momento como um exemplo de comportamentos adequados aos leitores e defensores da democracia, por isso, em cenário amplo, não é possível afirmar que houve derrotados.
Pelos índices, pode-se concluir que o povo disse: gostamos desse modelo de economia; gostamos dessa estabilidade política institucional democrática; admiramos a nossa líder pelo seu trabalho e comportamento; queremos, agora, outro dinamismo, dentro do mesmo modelo. E isso não significa que o povo é de esquerda, ou de direita, nem que a Presidente foi derrotada. Significa, apenas, que a sociedade está equilibrada. Sendo um exemplo interessante e importante para todo o continente.
A eleição do empresário Sebastián Piñera como presidente dos chilenos apresenta pontos relevantes para a análise política. O Chile se mostra como laboratório importante para a observação de analistas voltados ao quadro da política internacional latino-americana, bem como para construir cenários possíveis diante da expansão dos modelos políticos institucionais que tem se implantado na América Latina.
O país passou vinte anos sob o governo de uma coalizão de partidos de centro-esquerda (a Concertación), com princípios e comportamentos mais adequados à social-democracia européia, e alguns elementos próximos ao eurocomunismo, ou seja, com uma abordagem das teses marxistas, ou esquerdistas que pregam a emergência da sociedade civil e menos a imposição do Estado, pois se colocavam como antagônicos ao modelo stalinista que vigia na União Soviética, o qual, para esses teóricos e intelectuais, era tão negativo quanto o modelo capitalista liberal democrático, combatido pela teoria marxista. Daí eles terem desenvolvido uma estratégia de ação própria, com políticas reformistas e aceitando alguns pressupostos da democracia liberal e do liberalismo econômico.
 
O esquerdismo no Chile, durante bom tempo, refletiu, ou levou a crer ser algo próximo desse estilo. Por esta razão, foi difícil para os analistas políticos posicionarem o país ideologicamente na América do Sul.
 
Apesar de esquerda, em várias ocasiões o governo foi contrário, ou neutro, em relação ao bolivarianismo chavista e a forma como este está sendo disseminado pelo continente. Sobre o fato de a Bolívia adotar postura reivindicatória perante o Chile (é a questão do mar territorial boliviano, que foi perdido para os chilenos no final do século XIX e início do século XX), o posicionamento foi sem internacionalismo: a simples ameaça era respondida com demonstração de força militar, independentemente de a Bolívia estar sob a liderança de um governo de esquerda, com o bolivariano Evo Morales no poder. Para completar o cenário, não compartilharam dos discursos para a adoção de um modelo econômico com plena intervenção do Estado.
 
A Concertación assumiu o poder por meio de eleições que indicaram o desejo do povo chileno de ter acesso aos direitos civis que foram deixados de lado no período anterior, o qual priorizou a construção de um país economicamente forte e capaz de gerar desenvolvimento, tanto que durante anos o Chile foi o país com maiores taxas de crescimento na região, quando não um dos únicos.
 
O povo reivindicava democracia e foi por ela que escolheu a Concertación com os seus seguidos governos*, que realizaram trabalho seqüencial de inclusão política dos segmentos sociais, trabalharam pela restauração dos direitos humanos e buscaram uma fórmula de consenso. Talvez por isso, mesmo com a derrota neste momento, o candidato eleito se aproxime mais do centro que de um possível retrocesso aquele passado que o governo da Concertación buscou afastar.
 
Um dos fatos que comprovam esse sucesso, apesar da derrota momentânea, é a questão de candidatos vinculados diretamente ao passado do governo Pinochet não conseguirem sucesso eleitoral, dentre eles seu neto que foi derrotado na eleição para Deputado Federal.
 
Alguns fatores chamam a atenção. O Chile é considerado o país com a economia mais aberta do mundo, por essa razão sofreu o impacto da crise econômica mundial, refletindo no desempenho dos últimos dois anos do governo Bachelet, tendo uma queda significativa no crescimento do PIB do país, que deixou de crescer na taxa de 4,3% ao ano (no início desta década), para a taxa de 2,7% (em 2008), havendo índicos de que terá mais queda. Acrescentando-se que na década de 90 o crescimento estava na casa dos 8%. Além disso, ocorreu o aumento do desemprego, passando de 7% para 9%.
 
Mas, se esta queda no desempenho da economia pode ser um fator a explicar a derrota da Concertación, não explica porque há um índice tão alto de aprovação da Presidente Michele Bachelet, nem como uma líder com grau tão elevado de aceitação, não consegue a transferência de sua credibilidade para o candidato que ela apóia.
 
A aprovação de Bachelet se deve há vários fatores, especialmente ao seu comportamento democrático, que a levou a conquistar e manter o respeito de seu povo, o qual, é importante destacar, tem nível cultural elevado, comportamento conservador e trato respeitoso entre os cidadãos.
 
O fato de a líder manter uma postura respeitosa diante das situações mais conflituosas (e ocorreram várias, como a crise da Transantiago; as denúncias de corrupção no sistema de loteria do país; o debate intenso sobre a reforma do sistema educacional chileno, que a presidente não executou) mostrou para este povo que ela o representa em sua essência, mas como não é permitida reeleição, buscou-se uma alternativa. Neste ponto vem à tona a vitória de Piñera.
 
Uma das conquistas realizadas pelo período da Concertación foi à garantia da estabilidade institucional do país. Hoje, o povo chileno tem credibilidade nas suas instituições políticas, independentemente das lideranças que possam ocupar os cargos, desde que mantenham o mesmo equilíbrio e não toquem nas conquistas civis adquiridas. Assim, a reivindicação deste povo, no momento, é de eficácia administrativa, mas do que discursos políticos mobilizadores.
 
Um elemento demonstrativo está numa certa apatia política em segmento extenso da população chilena, já que a Concertación conseguiu conquistar a inclusão política e a busca pela justiça, sem que isso tenha significado revanche, mas à releitura do passado, para evitar que erros como os anteriores sejam cometidos.
 
Daí ela ter realizado a mediação adequada em seu processo político e produzido a principal conquista que, neste momento, lhe custou uma derrota eleitoral: estabilidade política, institucional e social. Diante desse equilíbrio social, construído ao longo de vinte anos, acrescentando-se o fato de, em termos econômicos, terem mantido os pressupostos do governo anterior.
 
Por isso, não foi surpreendente que os discursos se aproximaram e as diferenças foram concentradas em questões técnicas administrativas, espelhadas na demonstração de perfis mais ou menos dinâmicos, vencendo o perfil de Piñera, com suas idéias de reduzir a participação do Estado na economia, mas apenas para dinamizar a produção do país e gerar mais empregos e não para alterar uma estrutura que está construída.
 
O comportamento da Presidente foi outro fator a se destacar: preferiu esperar pelo resultado a participar ativamente de uma campanha, algo que a levaria a usar a máquina do Estado e a burlar as regras informais, além das formais, para garantir a vitória de seu sucessor.
 
Preferiu o comportamento daqueles que respeitam a Democracia e agem retamente em função de seus discursos, pois sabe que, para o equilíbrio social, o importante é o fortalecimento das instituições, só conseguido pelo respeito às regras do jogo e adoção de postura ética.
 
Nesse sentido, um modelo de comportamento significou uma derrota pontual. Talvez, nem tanto, desde que as instituições sejam preservadas. Ela sabe que terá condições plenas de retornar ao poder nas próximas eleições e voltará de forma diferente desta tentativa de Frei, pois ele saiu de seu governo com baixa avaliação e com imagem negativa diante do povo chileno, pelo fracasso em responder à crise econômica internacional de sua época.
 
A aposta de Bachelet se dá na perspectiva histórica, por isso não se pode lhe atribuir uma derrota. As instituições estão preservadas e os projetos políticos estão próximos, tanto os da Concertación, quanto os de Piñera.
 
Poderá contar ainda com os riscos dos discursos pró-ativos em termos de política externa que Piñera está adotando, pois à medida que anuncia posicionamentos confrontadores claros, terá de arcar com os custos, dentre eles financeiros, resultando, inclusive, numa reativação do interesse pela política dentro do povo.
 
Ele já anunciou ser opositor frontal de Hugo Chavez, presidente da Venezuela. Também estarão no mesmo espaço todos os bolivarianos. Devido ao discurso, terá de se aproximar concretamente da Colômbia, do Peru, mais dos EUA, com os quais os chilenos já têm amplas relações, e, certamente, adotará postura de apoiar aqueles Estados que se posicionarem contra os bolivarianos.
 
Assim, se espera que reconheça o governo eleito de Honduras e, caso ocorra o afastamento de Fernando Lugo no Paraguai, é provável que ele se posicione reconhecendo o governo que assumir, caso essa crise política paraguaia venha a ocorrer efetivamente.
 
Para a América do Sul, Piñera representará um fator de equilíbrio, pois, apesar de polarizador, ele obrigará aos bolivarianos a não correrem riscos, sendo estes obrigados a reduzir suas ambições, os ataques e as projeções de poder. Tanto que, neste momento, o presidente da Bolívia, Evo Morales, durante a sua posse discursou apontando que deseja relações cordiais com seus vizinhos.
 
A Argentina também terá de rever posições. A matriz energética chilena depende das importações de gás vindas da Argentina, que por sua vez repassa o gás vindo da Bolívia. A situação para o governo argentino aponta que ele pode ser o próximo a perder o espaço para a oposição e, certamente, isto contará com apoio do atual presidente chileno.
 
Os estudiosos de relações internacionais levam em conta que qualquer sistema, ou subsistema que tem vários atores relevantes pró-ativos (na linguagem técnica: multipolar) é mais estável. Não pela ausência de conflitos, mas por existirem freios as ações imperiais e hegemônicas de alguns players.
 
Nesse sentido, a vitória de Piñera representa um freio nas pretensões desmedidas de várias lideranças no continente, que obrigarão a repensar posturas, já que começam a ser postas em cheque as atitudes, os comportamentos, as políticas externas e atuações internas das lideranças à esquerda na região, que tem adotado atitudes de confronto direto aos fundamentos da democracia, apesar de usarem o discurso democrático.
 
O Chile se mostra neste momento como um exemplo de comportamentos adequados aos leitores e defensores da democracia, por isso, em cenário amplo, não é possível afirmar que houve derrotados.
 
Pelos índices, pode-se concluir que o povo disse: gostamos desse modelo de economia; gostamos dessa estabilidade política institucional democrática; admiramos a nossa líder pelo seu trabalho e comportamento; queremos, agora, outro dinamismo, dentro do mesmo modelo. E isso não significa que o povo é de esquerda, ou de direita, nem que a Presidente foi derrotada. Significa, apenas, que a sociedade está equilibrada. Sendo um exemplo interessante e importante para todo o continente.
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* Patricio Aylwin (19901994; Eduardo Frei Ruiz-Tagle (19942000); Ricardo Lagos (20002006) e Michelle Bachelet (2006-2010)

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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