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CHINA: APESAR DO AVANÇO O DISCURSO AINDA CARREGA INCERTEZA SOBRE SUA PARTICIPAÇÃO NAS SANÇÕES CONTRA O IRÃ

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O encontro entre o presidente Barack Obama e o presidente chinês Hu Jintao, realizado ontem, dia 13 de abril, em Washington, durante a Cimeira da segurança nuclear, deixou dúvidas quanto à participação chinesa em impor sansões ao Irã.

O Presidente Obama afirmou sua confiança na participação chinesa em impor sanções ao Irã. Atualmente Brasil e Turquia são os que mantêm firme o discurso anti-sansões. A China e a Rússia, também mantêm essa linha, mas não descartam a possibilidade de apoiar sansões a Teerã, caso este venha a enriquecer urânio para fins não pacíficos.

 

A Casa Branca ficou animada e confiante com o apoio do país asiático a uma nova rodada de sanções. O presidente norte-americano afirmou que o presidente chinês lhe assegurou a participação de seu país no que será definido no trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o regime de sanções.

Penso que temos um número forte de países no Conselho de Segurança que acredita que esta é a coisa certa a fazer. Mas penso que estas negociações podem ser difíceis e estou a pressionar o mais que posso para ter a certeza de que teremos sanções fortes, que terão conseqüências para o Irã, e que as teremos a tempo“, declarou o chefe de Estado norte-americano.

Embora Washington tenha essa confiança, os chineses não enfatizaram com veemência que participarão do processo contra Teerã. Um porta-voz chinês alegou que a China não mencionou, por nenhum momento, o apoio de sansões em sua descrição oficial sobre o encontro entre Obama e Hu no dia 12 de abril.

Em Beijing, um porta-voz do governo declarou que a China tem interesse em apoiar e colaborar no combate à proliferação nuclear, mas não impedir o uso de tais substâncias para fins pacíficos, como a produção de energia.

A ameaça deve ser enfrentada por todos, não apenas pelos EUA ou pela China, mas por toda a comunidade internacional. Esta é a base da cooperação internacional no assunto, a partir da qual cooperações mais estreitas poderão ser realizadas”, disse Teng Jianqun, especialista em controle de exército e armas do “Instituto de Pesquisa da China sobre Questões Internacionais”.

Para a China, a aplicação de sansões não surtirá efeito se não houver um forte sistema de controle e segurança sobre materiais e tecnologias nucleares, pois com a popularização do uso dessas tecnologias crescem os riscos de proliferação de material nuclear. Segundo dados apresentados pelos representantes chineses, de 1993 a 2008, foram registrados mais de 1.500 casos de roubo e perda de material nuclear, dando a entender que a falta de segurança para tais materiais pode facilitar seu uso por grupos terroristas.

Fan Ji, da “Academia de Ciências Sociais da China” indica que “a globalização está mudando as relações entre as potências, e o núcleo dessas relações passou do confronto em tempos passados à cooperação nos dias de hoje. A questão da proliferação nuclear está cada dia mais em evidência, por causa do aumento da possibilidade de terrorismo nuclear. Por isso, é natural que todo o mundo esteja atento à questão“.

Para Kenji Kouno, chefe da rede estatal japonesa NHK, a Casa Branca teme sofrer um ataque terrorista por armas nucleares e não mencionou que estes ataques poderiam vir de um Estado, mas de grupos terroristas.  No entanto, até o momento, não existe quaisquer critério para a gestão de urânio altamente enriquecido, que possa ser usado para a fabricação de armas, mesmo que este processo esteja sendo gerido em instalações de mais de 40 países.

No continente asiático, países como o Paquistão e a Índia investem em armamentos e mísseis com capacidade nuclear, mas para alguns especialistas da Ásia, o Irã ganha mais relevância que estes países, deixando o tema cada vez mais sensível e com espaço suficiente para gerar diversas opiniões sobre o assunto.

Tais definições do uso deste material dificultam acusar um Estado de produzir armamentos nucleares e os Estados que se posicionam contra as sanções ao Irã argumentam que os mesmos motivos levaram à guerra no Iraque, mesmo sem provas de que algum dia armamentos químicos, bacteriológicos e nucleares tenham sido produzidos naquele país.

A China mantém o discurso de apoiar medidas via cooperação internacional para prevenir e combater ameaças de armas nucleares e cogita a necessidade de se impor sanções ao Teerã, apenas se seu programa nuclear tiver outros aspectos, que não o uso pacífico. A ambigüidade e falta de critérios nos discursos das autoridades chinesas, no entanto,  deixam no ar a incerteza se o gigante asiático apoiará ou não as sansões ao Irã.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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