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China: “não pretendemos construir bases militares no Timor Leste”

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A China está estimulando empresários chineses a investirem em diversos setores da economia do Timor Leste, como foi apresentado em nota analítica ontem, dia 17 de março, no “Site do CEIRI”, com o título: “Falta interesse aos chineses para realizar cooperação com o Timor Leste?”. Também foram apresentados alguns projetos por parte dos chineses no país, incluindo a construção de instalações militares, a construção de escolas e a construção de edifícios para o governo timorense.

O Timor Leste também vai receber investimentos de vários países asiáticos, além dos países de fora do continente. Porém, os planos da construção que será feita pelos chineses do edifício do “Ministério da Defesa” timorense e dos alojamentos militares para as Forças de Defesa do país, foi motivo de uma série de teses e teorias entre especialistas em Defesa, principalmente da Austrália.

Para por fim às especulações, o embaixador chinês deu entrevista para a imprensa local (portuguesa e chinesa) pronunciando-se em prol das ações de seu país na cooperação com os timorenses. Ele afirmou:

É um elogio inadequado à China. A história no século passado demonstra que a China só tinha a experiência envergonhada de ser invadida pelos poderes ocidentais, sem poder ser acusada de nenhum envio de forças para estacionar em outros países. Em um país tão grande como a China, após várias reduções, as forças chinesas são suficientes somente para garantir a integridade do seu próprio território, sem nenhuma força excedente para estacionar em países estrangeiros e nem temos esta ambição. Por isso, nem existe a possibilidade de negociarmos com o Governo do Timor-Leste em estabelecer qualquer base militar no seu território. (…) a China não tem e nem terá este interesse no futuro”.

No entanto, nas análises publicadas por alguns analistas australianos, os chineses têm interesse em se aproximar do Timor Leste para obter autorização do governo timorense e estacionar tropas militares no seu território.

Por parte da China, as forças de defesa timorenses apenas receberão uma oferta de apoio à construção de uma base naval, localizado na cidade de Hera, e serão entregues os navios-patrulhas que já estão em construção. Para os analistas australianos, essa é uma estratégia de Beijing para se aproximar do Sudeste Asiático, afetando o equilíbrio geo-estratégico da região.

Para deixar mais claros os passos dados na cooperação sino-timorense e reiterar que não há aproximação militar, Fu Yancong, o embaixador da China em Dili, informou que quem está negociando a construção de uma base militar em Baucau é o próprio ministro dos Negócios Estrangeiros do Timor Leste, que, em nota oficial do governo timorense declarou que “a China com certeza não será” a responsável pela construção.

O embaixador chinês corroborou a afirmação do governo timorense dizendo que “só pensam nisso os países com energia excedente. Na China, ainda temos muitas preocupações próprias e coisas a fazer, e nem conseguimos ainda o equilíbrio regional dentro do nosso país, pois temos zonas onde o desenvolvimento não é maior que o do Timor-Leste e é aí que concentramos as nossas energias”,

Declarou ainda que “o objetivo da ajuda ao Timor-leste é bem mais simples. A China simpatiza e apóia a independência e reconstrução nacional do Timor-Leste. Desde a independência timorense, tem oferecido ajuda e apoio em diversos aspectos. Tratamos o Timor-Leste como um membro da grande família dos países em desenvolvimento da Ásia e aplicamos a política de amizade, parceria e boa vizinhança, com o Timor-Leste”. Encerrando suas declarações e afirmou que o propósito único da “República Popular da China” é “poder ajudar o Timor-Leste a ultrapassar as dificuldades, no período inicial da construção nacional, de modo a que o país possa entrar no caminho do desenvolvimento autônomo, quanto mais rápido possível”.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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