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CIRCULA NO CONGRESSO BRASILEIRO “DOCUMENTO” QUE, SUPOSTAMENTE, REVELA INTENÇÕES DOS EUA, NO ACORDO COM A COLÔMBIA

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Está circulando na Câmara dos Deputados do Brasil um documento adquirido pelo deputado José Genoíno (PT-SP), sobre o qual é dito que foi descoberto em processo de tramitação comum nos órgãos americanos, quando estava sendo enviado ao Congresso dos EUA, com o objetivo de conseguir a liberação de verbas para o investimento nas bases militares colombianas, que serão usados pelos norte-americanos.

 

Segundo está divulgado nos jornais, neste documento há afirmações como:

  1. uma oportunidade única para uma gama completa de operações numa sub-região crítica de nosso hemisfério, onde a segurança e a estabilidade estão permanentemente ameaçadas pelo narcotráfico, patrocinado por insurgências terroristas, governos anti-Estados Unidos, pobreza endêmica e desastres naturais recorrentes“.
  2. relacionamento de forte esquema de segurança também oferece oportunidade para conduzir operações de amplo espectro sobre a America do Sul para incluir a capacidade de mitigar as operações contra o narcotráfico”.

O temor que está sendo anunciado por parte dos governos da América do Sul é de que afirmações como essas revelam um interesse maior dos norte-americanos na região, reforçando a tese de Hugo Chávez, presidente da Venezuela, de que as bases são uma plataforma para uma ocupação do subcontinente sul-americano.

Observando-se os dados apresentados, algumas questões vêm à tona:

  1. Admitindo-se que o documento é verdadeiro, deve-se pensar se ele é confidencial, ou não. Caso seja, revelou-se um componente de “operação de inteligência”, usado por um deputado brasileiro para adquirir informações sigilosas de um governo estrangeiro, ou, no mínimo a traição por parte de algum membro do governo dos EUA. Algo que causa tanto espanto, quanto o conteúdo que está sendo declarado. 
  2. Caso esse documento não seja sigiloso, mas de domínio público, revela-se um conjunto de afirmações expostas para a defesa da liberação das verbas necessárias para a manutenção e operação das bases colombianas, que serão usadas conjuntamente, segundo se alega, para operações contra o narcotráfico. Algo corriqueiro em processos parlamentares nos Congressos de quaisquer países do mundo.
  3. Nesta defesa, para quem trabalha com operações militares, é normal e necessário que se exponham as hipóteses possíveis de conflito e se desvele as vantagens estratégicas e táticas para realizar tal investimento. A afirmação da existência de inimigos dos EUA na região é algo reconhecido pelo público geral, graças às manifestações feitas pelos países autodenominados bolivarianos (Venezuela, Bolívia, Equador) que cercam o território colombiano, o qual tem um terço ocupado por membros da guerrilha das FARC.
  4. A necessidade das bases colombianas veio à tona, embora já estivessem no planejamento dos EUA, após a perda da “Base de Manta”, no Equador, que era usada pelos norte-americanosem um Acordoque não foi renovado pelo presidente equatoriano, Rafael Correa, e deixou os EUA sem sua principal base aérea para monitoramento da região, devido ao posicionamento estratégico que ela tem.
  5. A possibilidade de uso para além do combate ao narcotráfico é real, pois está dentro do planejamento estratégico, para cada hipótese de conflito, um procedimento adotado na configuração de uma estratégica militar.

Contudo, devido a esse último fato, os países da região estão apreensivos pelo aumento da presença norte-americana. Em função disso, os governos de Brasil e Argentina, emitiram documento conjunto exigindo que “Os acordos de cooperação militar assinados pelos países da região, especialmente os que impliquem algum grau de presença militar de fora da América do Sul, devem estar acompanhados de garantias formais de que os acordos não serão utilizados contra a soberania, a integridade territorial, a segurança e a estabilidade das nações sul-americanas”. Ou seja, embora não citem diretamente a Colômbia, querem garantias de que as tropas norte-americanas agirão dentro do território colombiano, não extrapolando o combate ao narcotráfico.

Tais exigências são coerentes com a “política de defesa” de um país que observa movimentos militares próximo de suas fronteiras, entretanto, a exigência de esclarecimentos devido à “preocupação com a presença de bases militares de potências de fora da região, incompatível com os princípios de respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados” poderá ser usado contra a Bolívia, devido aos acordos que está realizando com os russos.

Ademais, caso seja refeita a exigência de esclarecimentos e detalhes sobre acordos militares realizados com potências externas à região, o argumento recairá contra o Brasil e a Venezuela, por isso a tendência é de que as manifestações fiquem na esfera dos discursos.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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