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Com base em pesquisa, analistas afirmam que os espanhóis têm mais medo dos políticos que dos terroristas

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Neste último mês de outubro, o “Centro de Investigaciones Sociológicas”* (CIS), localizado em Madrid, Espanha, publicou os resultados do último “barômetro de opinião” realizado.

De acordo com a pesquisa de opinião do CIS, os problemas mais importantes da Espanha, segundo os espanhóis, são:

1° o desemprego;

2° os problemas econômicos;

3° a imigração;

4° a classe política e os partidos;

5° o grupo terrorista separatista basco, denominado ETA (Euzkadi Ta Askatasuna que significa Pátria Basca e Liberdade), fundado com o objetivo de conseguir a independência para o País Basco, região situada no norte da Espanha e noroeste da França.

O Desemprego, em primeiro lugar na pesquisa de opinião, é o efeito direto dos problemas econômicos (em segundo lugar na pesquisa) que a Espanha enfrenta devido à crise econômica e financeira, a qual ainda afeta o país.

O argumento normalmente utilizado pelos espanhóis sobre o aumento do desemprego é de que os imigrantes (em terceiro lugar na pesquisa) ocupam gradualmente o espaço no mercado de trabalho, sendo considerada uma das causas do aumentando no índice de desemprego entre os espanhóis.

Analistas afirmam que a imigração produz um aumento da oferta de mão de obra geral do país, originando uma queda dos salários dos trabalhadores nacionais e, conseqüentemente, em sua qualidade de vida. Segundo um estudo realizado pela “FundaciónLa Caixa”, o impacto da imigração se reflete mais no aumento do desemprego do que em uma redução de salários.

Logo após a imigração, a classe política e os partidos ocupam o quarto lugar entre os problemas mais importantes do país, de acordo com os espanhóis.

A Espanha, que assumirá em janeiro de2010 apresidência do Conselho Europeu e está enfraquecida tanto em sua economia, quanto na política. Na pesquisa realizada pelo CIS, os cidadãos qualificam de “ruim” a sua situação política e econômica. Além disso, acreditam que esta conjuntura tende a se manter na mesma situação no próximo ano, demonstrando a perda de confiança no governo do Presidente socialista, José Luiz Rodríguez Zapatero.

Por outro lado, o atual governo, enfraquecido, acaba se beneficiando com a maior debilitação da oposição. A oposição, representada pelo Partido Popular, liderado por Mariano Rajoy, está em meio a escândalos de corrupção e vivendo lutas internas de poder.

Voltando ao “ranking” dos problemas mais importantes da Espanha, o ETA ocupa apenas o quinto lugar na pesquisa.

Considerando a posição desta Organização na lista, analistas chegaram a mencionar que “atualmente, os espanhóis têm mais medo dos políticos do que dos terroristas”, o que não é real, pois, tecnicamente, o resultado da pesquisa demonstra, em primeiro lugar, o problema que afeta diretamente a população espanhola na conjuntura atual: o desemprego.

Este problema é considerado pelos espanhóis uma causa da situação econômica de crise no país. Em segundo lugar, demonstra a queda da confiança da população em relação ao governo e aos partidos políticos em fazer frente aos desafios que a Espanha deve enfrentar.

Neste momento, pode-se pensar no problema de como um Estado frágil em sua economia e política poderá enfrentar desafios tão complexos como o terrorismo. Contudo, percebe-se que as quatro primeiras posições do ranking, segundo a perspectiva espanhola, são aspectos básicos necessários que precisam ser resolvidos para, desta forma, ter um Estado forte capaz de agir no combate ao articulado grupo terrorista ETA.

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Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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