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COMEÇA ESVAZIADA A VISITA DE DIPLOMATAS ÀS “USINAS NUCLEARES IRANIANAS”

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As visitas dos diplomatas às “Usinas Nucleares” iranianas iniciou no dia 15 de janeiro, sábado, esvaziada devido às ausências das grandes potências mundiais contatadas e de aliados que não aceitaram o convite feito pelo governo do Irã. A presença das autoridades será até hoje, segunda-feira, dia 17, e, de acordo com Teerã, o objetivo é mostrar a intenção pacífica do “Projeto”, apesar das suspeitas ocidentais.

 

Estão presentes representantes de membros do “Movimento de Países Não-Alinhados”, do “Grupo dos 77”, da “Liga Árabe” e de aliados como a Síria e a Venezuela junto à “Agência Internacional de Energia Atômica” (AIEA). No programa de visitas há a proposta de conhecer duas Usinas (“Natanz” e “Arak”) em um roteiro de inspeção que está sendo criticado pelas grandes potências.

Alega-se que ele será estéril, uma vez que não mostrará o essencial e está ocorrendo uma semana antes da reunião do Irã com o “P5+1” (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China + Alemanha), na qual se deseja buscar uma solução definitiva para o problema, já que o país não interrompeu o curso do seu Programa e, devido a isso, as alternativas poderão se reduzir a duas: ou o aumento das sanções, gerando o estrangulamento total do país; ou a definitiva e direta ameaça militar.

Os israelenses estão declarando que talvez esta seja a única alternativa. Afirmam que as “Sanções” definidas pela “Organização das Nações Unidas” (ONU) não produziram grandes efeitos devido aos desrespeitos por parte do governo Ahmadinejad e por várias empresas*. Além disso, devido à rigidez do regime político iraniano, apenas uma ameaça concreta poderá constrangê-lo a ceder.

O “Departamento do Tesouro dos EUA” anunciou que receberão sanções 24 empresas de carga marítima que continuam realizando operações com duas empresas iranianas vinculadas à “Organização de Indústrias Aeroespaciais do Ministério da Defesa do Irã” e também com a “Companhia de Transporte Marítimo da República Islâmica do Irã”, instituições que exercem atividades relacionadas à pesquisa e ao desenvolvimento ilegal de armas neste país.

Confirmando as suspeitas israelenses, o chefe do “Programa Nuclear” iraniano, Ali Akbar Salehi, declarou, no dia em que chegaram os representantes diplomáticos da AIEA: “Organizaremos outras visitas a instalações nucleares. (…). Os países ocidentais têm a obrigação de reconhecer o direito da República Islâmica do Irã em termos nucleares. As recentes sanções internacionais não criaram problema algum para nossas atividades nucleares. (…). Continuamos com nossas atividades. Em particular, continuamos com o enriquecimento de urânio. Nossa produção de urânio enriquecido aumentou (…)” (Grifos Meus), afirmando anda que o seu país “construiu uma nova fábrica em Ispahan de produção de combustível (nuclear), que é uma das mais modernas do mundo”. Ironicamente, referiu-se indiretamente às sanções aplicadas ao Irã declarando: “devemos agradecer que não nos tenham dado o combustível enriquecido a 20%. Entramos nesse campo e o Irã será agora um dos poucos países que produzem barras de combustível”.

Observadores estão fazendo questionamentos sobre a razão de a visita ter sido sugerida no momento da negociação com as grandes potências. Acreditam que a intenção é criar constrangimentos internacionais à qualquer decisão que possa ser tomada após a “Reunião de Cúpula” dos dias 21 e 22 (sexta-feira e Sábado, desta semana), uma vez que pretendem convencer os diplomatas que estão nesta visita de que o Projeto só objetiva a geração de energia.

Aqueles que trabalham com “cooperação e negociação internacional”, bem como os que atuam na “governança global” sabem da importância que há no apoio dos demais “agentes internacionais” para o estabelecimento de um procedimento em nível global e para a consolidação da legitimidade de uma execução em termos mundiais. Assim, confluem para a certeza de que os iranianos desejam com as visitas reduzir o apoio internacional para as próximas ações das grandes potências, tentando isolá-las, uma vez que não conseguiram fragmentar o posição do “P5+1”, da “União Européia”, além de, certamente, Japão, Taiwan e Coréia do Sul.

Representantes dos negociadores das grandes potências com o Irã afirmam que a visita não poderá estabelecer padrões confirmatórios das intenções iranianas devido ao fato de não haver técnicos entre os convidados, mas diplomatas, apenas politizando um processo que, neste momento, exigiria o trabalho de especialistas e técnicos nucleares para poderem avaliar com precisão o que está sendo apresentado.

Os iranianos, por sua vez, alegam que os representantes poderiam ser acompanhados por assessores especializados, algo que lhes daria pleno entendimento e garantiria a lisura das intenções de Teerã.

A tréplica a esta última declaração é de que as Usinas a serem visitadas mostram que o país já tem capacidade de produzir combustível nuclear, sendo uma forma de afrontar as decisões tomada até o momento pela comunidade internacional, apresentando-as como improdutivas, bem como que houve o desrespeito às solicitações feitas. Além disso, sabe-se que não haverá referências às questões bélicas, já que vários observadores têm confirmado que as atividades militares estão ocorrendo em outras Usinas, às quais não se terá acesso.

A conclusão a que chegam é de que o governo Ahmadinejad mantém a estratégia de ganhar tempo para solucionar questões específicas, já que, de acordo com as previsões de especialistas na área e de “analistas de inteligência”, os iranianos precisarão de mais cinco anos para concluir um “projeto atômico militar”.

Da perspectiva das grandes potências, o essencial foram as recusas ao convite para a visita às Usinas manifestadas pela China, pela Rússia e pela “União Européia”, algo que irritou o governo do Irã, em especial no caso europeu, pois acreditavam que conseguiriam fragmentar o grupo da Europa.

Além disso, também foram significativas duas negativas dadas aos convites feitos pelo governo Ahmadinejad: (1) pela Turquia, que será a sede da “Reunião de Cúpula ‘P5+1’ – Irã” e não quis assumir tal compromisso, mesmo que neste encontro a se realizar nos dias 21 e 22, ela seja apenas a anfitriã. Os turcos estão evoluindo um processo de negociação com estas potências em questões que são essências para seu posicionamento internacional; (2) pelo Brasil, que foi um dos patrocinadores do “Acordo Nuclear Brasil-Irã-Turquia” e, durante o último governo, pela projeção adquirida pelos brasileiros ao longo dos dois últimos anos, além da proximidade que houve entre os líderes Mahmoud ahmadnejad (Irã) e Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), fez da relação entre ambos um amparo para contraposição das potências mundiais ao Irã. O atual governo do Brasil está mostrando postura diversa do anterior, com críticas rígidas à Teerã acerca do desrespeito aos “Direitos Humanos”.

A posição da Presidente Dilma Rousseff, que está sendo elogiada no mundo, foi de que discordava do voto brasileiro na ONU sobre o Irã. Em suas palavras: “Não concordo com o modo como o Brasil votou. Não é a minha posição”, referindo-se ao que denominou como “práticas medievais aplicadas quando se trata de mulheres”.

As declarações da atual mandatária do Brasil geraram respostas tensas do governo iraniano, algo que tem sido visto pelos analistas como uma mudança de rumo nas relações entre os dois países e tem recebido apoio internacional de autoridades, líderes, além de vários analistas de conjuntura, independente de seus posicionamentos políticos.

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* Dentre estas, vazou documentos pelo Wikileeks, publicados no jornal “Folha de São Paulo”, que há uma empresa brasileira, “MELLO S. A. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS” de São Paulo, que estaria vendendo ferramentas para a indústria nuclear iraniana. (Fonte: Jornal “Folha de São Paulo”).

 

 

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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