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Começa, hoje, Reunião de Cúpula sobre “Segurança Nuclear”

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Inicia-se no dia de hoje, 12 de abril de 2010, em Washington, a Reunião de Cúpula entre os Chefes de Estado e de Governo de 47 países para tratar da “segurança nuclear”. O encontro se estenderá até terça-feira, dia 13 de abril, e hoje será ocupado quase que exclusivamente com reuniões bilaterais entre os mandatários e/ou seus representantes. Uma ausência significativa já foi anunciada, a do presidente de Israel, Benjamin Netanyahu. Mas foram confirmadas as presenças do presidente da China, Hu Jintao, e do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, duas potências nucleares de peso no sistema internacional.

A principal questão é a ameaça do “terrorismo nuclear”, que está sendo anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, como o problema a ser enfrentado, uma vez que já obteve informação de que a Al-Qaeda está buscando formas de adquirir material nuclear para produzir um artefato atômico, para usá-lo em território estadunidense. Certamente as informações foram obtidas com os trabalhos das Agências de Inteligência norte-americanas, mas, acredita-se que o grosso dos trabalhos deve ter sido realizado pelas Agências de seus principais aliados.

Pretende-se também convencer os participantes da reunião a adotar as sanções contra o Irã, para pressioná-lo a abandonar seu “Projeto Nuclear”, que se supões ter finalidade militar. A Rússia, uma das duas potências significativas que estava reticente a este procedimento, já afinou o discurso e as ações com os EUA. Em reunião realizada pelos presidentes dos dois países ficou acertado o que será permitido e o que não será admitido nas sanções. Ou seja, já concorda com a aplicação das sanções.

Apesar das reticências impostas pelos russos, já se sabe que ambos agirão coordenadamente, representando uma vitória dos EUA, que, para ser completa precisa apenas convencer a China a seguir o protocolo que Barack Obama está montando. É um processo de negociação que os estrategistas norte-americanos já estão construindo e não se acredita que eles fracassarão, embora, neste caso, a discussão seja muito mais complexa.

O Brasil, potência emergente que se apresenta como defensora do diálogo e se recusa a aceitar a adesão às sanções contra os iranianos, está resumindo seu papel ao discurso, como o apresentado pelo presidente do país, Luiz Inácio Lula da Silva, de que exigirá esclarecimentos de Obama sobre o Acordo que este assinou com Medvedev, Presidente da Rússsia. A exigência soou sem sentido, mas poderá ter ressonância no momento em que a Reunião de Cúpula tiver a presença de todos os estadistas do encontro.

A questão ficará mais como “discurso para consumo interno” no Brasil, uma vez que foi anunciada a adesão do Brasil à assinatura do “Protocolo Adicional” do “Tratado de Não-Proliferação Nuclear” (TNP), que permite à “Agência Internacional de Energia Atômica” (AIEA) fiscalizações mais detalhadas nas instalações nucleares de países que detém tecnologia nuclear. O problema para o Brasil reside no fato de o país ter desenvolvido um processo de enriquecimento de urânio dos mais avançados do mundo, sendo tecnologia que poderá ser tomada pelos demais países nestas investigações e é um dos grandes segredos tecnológicos do Estado brasileiro.

Analistas têm apostado que o resultado da reunião que inicia hoje será favorável à estratégia norte-americana devido ao novo comportamento de seu presidente, uma vez que ele decidiu assumir um papel mais pró-ativo nas questões internacionais, não permitindo mais que potências menores ponham empecilhos a defesa dos interesses dos EUA, apesar de ainda apostar na força da diplomacia e da negociação internacional, atuando mais próximo daquilo que Joseph Nye, um dos principais teóricos das Relações Internacionais no Mundo, denominou como “smart power”.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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