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Começam a surgir explicações ao inesperado resultado das eleições colombianas

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Os resultados eleitorais na Colômbia tomaram de surpresa parte dos analistas que estavam acompanhando os debates eleitorais e as pesquisas de intenção de votos no país. Os números indicavam que haveria segundo turno, com empate técnico entre o candidato do Governo, Juan Manuel Santos, e o surpreendente candidato da oposição, Antanas Mockus, do “Partido Verde”. Os índices mostravam que Santos detinha 36%, enquanto Mockus 34%, mas, de acordo com as pesquisas, este último venceria no segundo turno.

Os resultados deram, aproximadamente, 47% para o governista e, próximo de 21%, para o opositor. As explicações oscilam desde a fraude eleitoral, que está sendo recusada pela quase totalidade dos observadores que lá se encontram, até devido a impossibilidade de votar, comum à população rural.

Neste mesmo cenário surge uma das explicações mais convincentes para a grande diferença entre o resultado do pleito e aquele da pesquisa. Houve grande dificuldade de se realizar pesquisas de intenções de voto nas populações do campo, devido aos problemas de deslocamento e ao pouco acesso aos contingentes populacionais que vivem em área de risco.

Como qualquer pesquisa de intenções de voto torna-se mais precisa à medida que é representativa da real configuração populacional, os resultados apresentados na Colômbia refletiam o cenário da população média urbana, desconsiderando a situação das populações rurais. Acrescentou-se a isso o fato de estar sendo identificado uma perda de credibilidade de Mockus, devido ao seu jeito excêntrico de se expressar, como foi constantemente exemplificado o caso em que arriou as calças quando era Reitor de uma universidade no país e mostrou as nádegas aos estudantes em greve, para chamar-lhes a atenção.

Como tem sido apontada, a preferência por ele vem da população jovem, onde comportamentos do gênero são bem aceitos, mas não entre os mais velhos, que viveram sob os dramas dos seguidos anos de guerra civil no país e ainda desejam que se encerre o combate das “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia” (FARC) e recupere o território sob poder deste grupo.

A questão que começa a ser levantada é se Santos manterá esta pontuação também no segundo turno. O resultado com mais do dobro de votos conforta a situação, tendo garantias de que manterá a política nos parâmetros atuais, mas para não ocorrer novas surpresas, dependerá da forma como serão feitas as alianças e dos trunfos que cada candidato apresentará. Levando-se em conta ainda que o voto não é obrigatório no país, podendo o resultado atual ser o desvio e as pesquisas anteriores a representação da verdade.

Os mesmos problemas estão sendo apontados por ambos. Santos têm dito que usará da herança deixada pelo atual presidente, Álvaro Uribe, para solucionar os problemas recentes, principalmente o desemprego (quer ser lembrado “como o presidente que relsveu o problema do emprego”), o que só será possível devido ao trabalho feito até agora, mantendo a mesma política de segurança e política externa. Mockus tem dito que a questão pode ser resolvida se atacada a corrupção no governo, algo que cresceu nos últimos quatro anos do governo Uribe. Tem dito que apresentará nova forma de governar.

A probabilidade de manutenção da linha uribista é alta e, se confirmada, também será mantida a atual “configuração das relações de forças” no continente, ao menos até os resultados eleitorais do Brasil, no final de 2010. O primeiro turno no Brasil será em 3 de outubro.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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