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COMO ESTRATÉGIA POLÍTICA, AHMADINEJAD PROPÕE MULHERES PARA COMPOR O EXECUTIVO DO GOVERNO IRANIANO

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O presidente reeleito do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, apresentou ao Parlamento iraniano uma lista com 21 nomes para compor o seu atual governo. A lista será examinada em três dias e a previsão de votação no Legislativo é de começar no dia 30 de agosto.

Apesar de contar com o apoio do Líder Supremo do país, Ali Khamenei, o presidente tem sido contestado tanto pelos moderados, que compõem parte significativa da oposição, quanto dos conservadores, que começaram a abandoná-lo, criticando a condução do problema relativo à denúncia de fraude eleitoral, bem como as medidas que foram adotadas.

 

O que se espera como resposta à proposta do presidente é o questionamento e recusa da indicação de três mulheres, Marzieh Vahid Dastjerdi, Fatemeh Ajorlou e Sousan Keshavarz, respectivamente para as pastas ministeriais da Saúde, Assuntos Sociais e Educação.

Dificilmente serão aceitas. Caso sejam, será a primeira vez que mulheres ocuparão cargos de governo, desde o início do regime islâmico, no final da década de 70. Essas indicações são um ponto dentre os vários recursos que Ahmadinejad tem usado para manter uma base mínima, que garanta a governabilidade.

Suas propostas precisam mostrar equilíbrio entre as exigências dos conservadores (poderio nuclear, ser potência no Oriente Médio, expulsão de Israel e dos ocidentais da região), as reivindicações dos moderados (políticas públicas voltadas para resolver os problemas de educação, moradia, dívida externa, diversificação da economia com industrialização, maiores liberdades políticas e sociais) e a preservação dos  discursos que são exigidos pela ala ultraconservadora que lhe dá apoio (expansão da revolução islâmica e combate aos ocidentais), que é espelhada, principalmente, no Líder Supremo, Ali Khamenei. É uma situação de urgência, agora que o regime está sob contextação interna e internacional.

Os apoios diretos que até agora Ahmadinejad recebeu estão dando suporte para que o presidente despreze o impacto das sanções que o país tem recebido. Sabe que o maior problema é o controle da situação interna.

O presidente tem consciência de que o foco principal não são as manifestações populares, pois percebe que o centro de gravidade da questão são as lideranças políticas e, para isso, deve fazer remendos para acalmar os seus aliados conservadores, impedindo que eles lhe abandonem, e controlar qualquer manifestação das lideranças oposicionista, pela incorporação de parte de seus projetos de políticas públicas. 

Se conseguir realizar a proeza, manterá a população controlada e poderá aguardar os retrocessos nos posicionamentos das potências ocidentais, que voltarão a negociar com o Irã, mesmo que sob o governo de Ahamadinejad.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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