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Como previsto, Congresso hondurenho recusa retorno de Zelaya e o Brasil está em silêncio, buscando uma saída para si

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Na madrugada de quarta-feira, dia 2 de dezembro, para quinta-feira, 3 de dezembro, o Congresso hondurenho votou pelo “não”, acerca do retorno do ex-mandatário, Manuel Zelaya, ao cargo presidencial, afastado por acusação de crimes políticos e comuns.

O resultado foi de 111 votos contra a restituição e 14 votos a favor, contando ainda com 3 abstenções. Assim, do total de 128 parlamentares, quase 87% foi contrário e apenas, aproximadamente, 11% favoráveis ao retorno.

A votação foi semelhante a que resultou no afastamento de Zelaya da presidência, quando 112 dos deputados solicitaram a sua destituição. Este é um fato que foi obscurecido pela mídia internacional, ao divulgar que ele foi “deposto” por solicitação do Congresso, mas não relatou que houve uma votação para defini-la, nem que o resultado havia sido tão expressivo, tal qual ocorreu nesta madrugada de quarta para quinta-feira.

Vários congressistas hondurenhos argumentam que restituir o ex-presidente diante dos crimes que cometeu seria agir contra a legalidade. Seria também o mesmo que ignorar os pareceres das instituições hondurenhas e admitir uma ação que não houve. Ou seja, admitir que tenha ocorrido um “golpe de estado”.

Analistas acenam que Zelaya cometeu mais um grande erro, ao anunciar, alguns dias antes da votação, que jamais aceitaria retornar ao cargo, pois estaria legitimando o “golpe” e uma “eleição geral ilegal” em Honduras, uma vez que vinculava a legitimidade e a legalidade deste processo ao seu retorno ao poder, para conduzi-lo dentro das “regras democráticas”.

A afirmação irritou os deputados e desfez a aproximação que Porfírio Lobo, o candidato eleito Presidente da República, em 29 de novembro, estava realizando com ele, para garantir uma transição tranqüila, uma vez que sabia ser o favorito para o pleito eleitoral.

Comentava-se que exisita a proposta de o Partido Nacional (PN), partido de Lobo, votar em bloco a favor da sua restituição, selando um pacto de pacificação e união nacional, para produzir uma transição adequada. Ao que consta, Zelaya jogo fora a oportunidade.

Neste momento, o ex-presidente continua na embaixada brasileira, sem saber de seu futuro. Para que não seja preso, o Brasil terá de negociar um asilo político, mas, se o governo brasileiro não reconhecer o resultado das eleições, terá de fechar a sua embaixada.

Ou seja, se esta for à resposta dado pelo Brasil ao que está acontecendo, também tornará ilegal a permanência do ex-presidente no prédio diplomático, já que o lugar não terá mais tal status.

Até agora, o governo do Brasil não se pronunciou a respeito disto. Vários analistas estão afirmando que não está sabendo o que fazer, uma vez que começam a ser apontados de forma mais incisiva os erros cometidos ao longo deste processo pela diplomacia presidencial brasileira.

O governo do Brasil está buscando uma saída adequada para o problema em que se viu envolvido. O objetivo é não desgastar mais a imagem de uma política externa que estava ganhando admiração internacional e, neste momento, está sendo questionada por parte relevante da mesma comunidade internacional que antes depositava esperanças de estar surgindo um ator respeitável, que contribuiria na busca da harmonia e do equilíbrio no sistema internacional.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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