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Comunicado final da “Reunião de Cúpula do Grupo do Rio” ressalta principalmente a proposta da criação do novo organismo continental

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No comunicado final da “Reunião de Cúpula do Grupo do Rio”, realizada em Cancun, México, nos dias 22 e 23 passados, ressaltaram-se dois pontos, como havia sido previsto: a criação do novo Organismo continental, apelidado de “OEA do B*”, pelos analistas brasileiros, e a Moção de apoio à Argentina acerca da exploração de petróleo que está sendo feita pela Inglaterra nas ilhas Falklands/Malvinas.

Sobre o novo Organismo, apesar das palavras de entusiasmo, nada foi dito e nada se sabe acerca do que ela será. Acertou-se como nome provisório “Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos” (Celac), embora Hugo Chávez, presidente da Venezuela, insistisse na adoção do nome “Organização dos Estados Latino-Americanos”, para deixar claro que a idéia é confrontar diretamente os EUA, no continente.

Sobre o estatuto, sede, configuração, filosofia, princípios etc., nada foi acertado, ficando a decisão sobre essas questões para a próxima reunião de cúpula, a se realizar em julho de 2011, em Caracas, na Venezuela.

As frases dos líderes bolivarianos foram entusiásticas, anunciando a criação de uma instituição libertadora, tanto que expressões como “transcendência dos latino-americanos”, “libertação” e “realização dos sonhos de Bolívar”, foram ditas e repetidas.

Analistas antecipam que não se acredita que tal Organismo venha a corporificar a realização do sonho que tem sido anunciado. O mais provável é que repita a mesma experiência dos demais Órgãos que existem na região, os quais, ao invés de serem reforçados, ampliados e reconfigurados, dando-lhes função prática e poder diplomático entre os signatários, são abandonados, isolados e substituídos por outros.

Apontam que, em suas fundações, os novos Organismos trazem o mesmo discurso usado na criação dos anteriores e não apresentam a correção das falhas que neles continham, repetindo, por isso, os mesmos erros e tendo os mesmo destinos.

Acredita-se que, como resposta, os EUA irão reforçar a diplomacia bilateral na região, que já está na estratégia de sua política externa. Apenas terão de acelerar as suas ações, sem alterar os rumos do planejamento.

Observadores também apontam que, exatamente por isso, o novo Órgão poderá tornar-se mais uma arena para discussões, espelhando apenas as cisões no continente, e não o fórum para se chegar a acordos e definir procedimentos válidos para todos os signatários.

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* Para maiores esclarecimentos sobre a sigla “OEA do B”, consultar as demais notas acerca da “Reunião de Cúpula do Grupo de Rio”, postadas no Site do CEIRI.  

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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