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“Conferência para Revisão do Tratado de Não-proliferação de Armas Nucleares” (NPT) gera mais impasse para questão nuclear iraniana

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Até o momento, a “Conferência para Revisão do Tratado de Não-proliferação de Armas Nucleares” (NPT) resultou em mais um impasse para a solução da questão nuclear iraniana.

O discurso feito por Mahmoud Ahmadinejad, Presidente do Irã, no dia 3 de maio, não contou com a presença das grandes potências EUA, Grã-Bretanha e França, pois os representantes destes países se retiraram quando o iraniano começou a se pronunciar, como forma de mostrar a contraposição à atitude do iraniano.

A estratégia adotada pelo Armadinejad foi inteligente. Adotou a postura de defenderque uma atitude realmente pacifista seria a do abandono total do uso dos armamentos nucleares, frisando elementos específicos das declarações norte-americanas acerca de sua nova doutrina nuclear.

A idéia foi aplicar contra os EUA o argumento de que o pacifismo exige o desarmamento total, ao invés do controle e proibição de desenvolvimento da tecnologia militar por parte daqueles que ainda não dispõem do recurso.

A saída retórica foi tentar mostrar que os norte-americanos “tentam igualar energia nuclear a armamento nuclear” como forma de deter o monopólio do conhecimento e, para tanto, estão fazendo o possível com o intuito de impedir aquilo que se tornou o lema do governo do Irã, “energia nuclear para todos, armamento nuclear para ninguém”, algo que está sendo esposado por alguns países considerados amigos pelos líderes iranianos, como Brasil e Venezuela.

A perspicácia está é deslocar a discurso de forma a anular o ponto principal das considerações do Ocidente, das Nações Unidas e dos EUA: “a energia nuclear é um direito de todos os povos, desde que o domínio da tecnologia não seja uma ameaça para o mundo, algo que pode ser identificado nos Estados cujos regimes políticos e sistemas políticos são construídos de forma a não permitir o controle de suas sociedades sobre as decisões de seus governantes”.

Este é o ponto que tem sido ressaltado pelas grandes potências e lhes têm causado temor, pois tem sido identificado o desrespeito constante aos direitos humanos e a destruição da democracia nos países que se têm recusado a participar de qualquer forma de controle por organismos internacionais, frisando que a participação dos organismos internacionais na política internacional é um dos principais traços da tendência atual das relações internacionais, visando produzir aquilo que é chamado de “governança global”.

O Irã está neste grupo de países, razão pela qual, mesmo potências concorrentes, como EUA e França, estão irmanadas neste caso, pois dispõem dados comprobatórios acerca da intenção bélica do Irã, obtidos por trabalhos de inteligência realizados ao longo dos últimos anos.

O governo iraniano afirmou que manterá seu programa e não teme as ameaças de sanções que estão sendo feitas pelos Estados Unidos e agora, nas palavras de Ahmadinejad, também feitas pela ONU.

Da mesma forma anunciou que não temem o plano de Israel de bombardear os reatores nucleares iranianos para abortar o seu projeto, tal qual foi feito com o programa nuclear iraquiano, no final do século XX. A tendência será de que a quarta rodada de sanções contra o país seja aplicada. Certamente isto gerará mais radicalização no processo.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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