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O mês de Maio está chegando ao fim com o mundo analisando e debatendo as possibilidades das Coréias retomarem o combate armado, uma vez que os dois lados da península se mantêm em cessar fogo por mais de 50 anos.

No dia 26 de março, uma fragata das forças militares sul-coreanas naufragou após uma explosão. O governo sul-coreano apresentou os resultados das investigações com a colaboração de uma equipe de investigação internacional, na qual teve a participação das nações aliadas, destacando-se os Estados Unidos.

 

No relatório oficial consta o seguinte: o “Cheonan” (a embarcação afundada), que pesa 1.200 toneladas, afundou devido a explosão causada por um “torpedo fabricado na Coréia do Norte (…) disparado por um submarino norte-coreano (…)”. “As provas mostram, de forma incontestável, que o torpedo foi disparado por um submarino norte-coreano. Não há outra explicação possível“. Destacou o relatório.

A Coréia do Norte negou as acusações, acusando Seul e Washington de estarem “armando uma agenda política” para manchar a imagem do país perante a comunidade internacional, uma vez que eles tentam criar meios de ganhar um pouco da “confiança mundial” para fortalecer sua economia.

A negação de Pyongyang em seu envolvimento no naufrágio que causou a morte dos 46 tripulantes não desenvolveu fundamentos, pois as autoridades do Norte apenas negam o envolvimento, sem apresentar evidências comprobatórias da não participação na tragédia. Isto não está sendo suficiente para impedir que Seul busque apoio das nações aliadas para punir o vizinho do norte.

O presidente sul-coreano Lee Myung Bak, recorreu ao “Conselho de Segurança” (CS) da “Organização das Nações Unidas” (ONU) e já tem o apoio dos Estados Unidos, do Japão e de nações européias para punir os responsáveis pelo incidente. Ademais, Seul cancelou a cooperação comercial com a “República Democrática Popular da Coréia” (RDPC), a ajuda internacional e uma série de acordos econômicos que visavam promover melhores laços entre os dois países, buscando promover a paz em longo prazo.

Para auxiliar o governo sul-coreano, o Japão iniciou um estudo de medidas severas, uma delas referente à transferência de dinheiro para a Coréia do Norte. Os turistas, imigrantes e parentes de norte-coreanos no país deverão declarar as quantias de dinheiro que ultrapassem o montante de 3 mil dólares, destinadas a parte norte da península coreana.  

Os Estados Unidos apóiam fortemente Seul, declarando disposição para contribuir nos exercícios militares. Além de seu apoio a adoção de punição por meio do “Conselho de Segurança da ONU”, os norte-americanos buscam debater o assunto em conjunto com a China.

Numa tentativa de conseguir apoio chinês, a “Secretária de Estado” norte-americana, Hillary Clinton, afirmou que “os EUA e a China compartilham o objetivo de paz e estabilidade na Península Coreana (…). Agora precisamos trabalhar juntos novamente para enfrentarmos o sério desafio imposto pelo naufrágio do navio sul-coreano (…). Ninguém está mais preocupado com a paz e a estabilidade nesta região do que a China“.

Após a mobilização dos governos aliados de Seul, o governo de Kim Jong Li respondeu às medidas de forma surpreendente para todas as nações: (1) cortou todas suas relações com Seul; (2) emitiu um sinal de alerta para suas unidades militares; (3) iniciou treinamentos de combate; (4) anunciou a expulsão dos sul-coreanos que exercem trabalhos remunerados em empresas do Sul em seu país e (5) também anunciou o corte de todas as comunicações existentes entre os dois lados.

Este corte é extremamente prejudicial à economia do Norte, porém, além da Coréia do Sul, a China é um importante parceiro comercial de seu vizinho, vendendo energia e outros suprimentos essenciais para a economia local. A avaliação dos observadores internacionais é de que os coreanos do norte acreditam que manterão o apoio de Beijing. Conseqüentemente, para a manutenção da paz e instabilidade na península coreana, o papel da China é de extrema importância, pois é o país que possui a “confiança” ou pré-disposição ao diálogo do líder norte-coreano.

Tendo consciência disto, Seul (Coréia do Sul) tenta obter o apoio dos chineses, levando o “Ministro das Relações Exteriores da Coréia do Sul”, Yu Myung Hwan, a uma reunião com Wu Dawei, enviado especial do governo chinês para a península e responsável por tentar trazer a RDPC de volta às negociações quanto seu programa nuclear. “A questão nuclear ainda não foi resolvida. Isso e o incidente do Cheonan servem para infligir um impacto negativo sobre o governo Lee“, declarou o analista político Lee Nam-young, da “Universidade Sejong”, em Seul.

O envolvimento da China neste impasse é o motivo de debates entre os acadêmicos asiáticos, pois ninguém sabe ao certo qual será a sua posição, mesmo com a aliança entre os dois países (China e RDPC), uma vez que se busca resolver o caso de forma negociada, sem um conflito bélico que afete suas relações com as Coréias. No final do encontro entre Hwan e Wu, a autoridade chinesa não respondeu se Beijing é pró ou contra Seul e pediu calma aos países envolvidos.

Esperamos sinceramente que todas as partes envolvidas mantenham a calma e se contenham para lidar adequadamente com as relevantes questões e evitar uma escalada da situação (…). Acreditamos que o diálogo é melhor que a confrontação”. Afirmou a porta-voz do “Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros”, Jiang Yu.

A busca por uma solução pacífica vinda dos chineses reflete a conjuntura, pois o anúncio de que as tensões entre as duas Coréias podem chegar à guerra derrubou as bolsas asiáticas, causando prejuízos às economias regionais e podendo afetar os planos tanto de Beijing, quanto de Tokyo e Seul em promover uma evolução econômica para os países do leste asiático.

Defender a paz e a estabilidade na península coreana e no nordeste da Ásia corresponde ao interesse de todas as partes e é também a nossa responsabilidade. A China opõe-se firmemente a qualquer comportamento que contrarie aquele princípio”, declarou o porta-voz chinês, Jiang Yu.

Apesar de toda tensão envolvida na península coreana, analistas chineses e japoneses entendem que Pyongyang não recorrerá à guerra, pois seria apenas ela contra Seul e seus aliados, sem chances de se manter por muito tempo em batalha e sem condições de recuperar sua economia num pós-guerra sem a cooperação internacional.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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