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“CONSELHO DE COOPERAÇÃO DO GOLFO” (CCG) SE POSICIONA CONTRA QUALQUER ATAQUE AO IRÃ

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O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), uma organização de integração econômica composta por seis Estados do Oriente Médio (Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã e Qatar), apresentou declaração conjunta dos membros signatários, após reunião realizada na “30a Cimeria do CCG”, ocorrida na semana passada, nos dias 14 e 15 de dezembro de 2009. Nesta declaração o grupo se opôs frontalmente a qualquer ataque contra o Irã, que seja feito como represália ao programa nuclear deste país.

 

O CCG é pouco conhecido, mas trata-se de uma organização que, apesar das divisões que existem no Oriente Médio, se apresenta como tentativa de união e cooperação entre os povos árabes e muçulçumanos da região, buscando uma integração efetiva, desde sua  fundação em 25 de maio de 1981.

Foram tomadas várias decisões nesta 30a reunião de cúpula. Dentre elas, destacam-se a questão da adoção de uma moeda comum entre os países do “Bloco” (algo que tem sofrido algumas resistências, mas caminha para uma solução, graças ao poderio econômico da Arábia Saudita. Além disso, ficou decidido que o processo será feito em duas etapas: a construção de uma união aduaneira, seguida de uma união monetária, quando as economias estiverem equilibradas e resolvidas às diferenças) e a adoção de uma postura de defesa coletiva, estabelecendo uma força conjunta de intervenção rápida para fazer frente a toda ameaça à segurança de quaisquer dos Estados membros.

A parte mais sensível das declarações feitas na Cimeira foi relativa ao Irã, no aspecto de seu dossiê nuclear. Os membros do grupo acordaram que não aceitarão um ataque contra este país como forma de represália ao seu programa nuclear. Insistiram que as formas de resolução do problema devem ser feitas de forma pacífica e diplomática, buscando que se esclareçam as partes obscuras do problema e se invista no cumprimento dos termos da regulamentação e controle da “Agência Internacional de Energia Atômica” (AIEA), pois todos os países da região têm o direito do uso da energia nuclear para fins pacíficos.

A referência que fizeram é de que as regras de vistoria deveriam ser aplicadas de forma igualitária, citando Israel, pois, em suas declarações, este país detém poder nuclear para fins militares e não é signatário do “Tratado de Não Proliferação Nuclear” (TPN), ou seja, aproveitaram a oportunidade para fazer exigências de que haja controle e pressão sobre o Estado israelense.

A questão de um possível ataque ao Irã preocupa a todos os países signatários do CCG, uma vez que isso afetaria todos na região, pois além da proximidade geográfica, existe ainda o fato de esses países abrigarem bases americanas. Ao que consta, os EUA têm alguns milhares de soldados em todos esses países, além de militares estacionados no Paquistão, Afeganistão, Uzbequistão e Kirguistão. 

Destacam-se o contingente de soldados estacionados no Iraque e na Arábia Saudita, onde há três bases militares, mais de 5.000 soldados, caças F-15 e F-16, aviões invisíveis F-117 e os aviões de espionagem, U-2 e Awacs.

Seguindo o raciocínio dos líderes que participaram da Cimeira, um ataque ao Irã levará ao envolvimento direto de todos os países, sem previsões de desdobramentos, pois dependerá da forma como ele será iniciado, do envolvimento, ou não, de Israel, além dos riscos de o conflito se espalhar e trazer repercussões além dos planejamentos estratégicos, tanto de norte-americanos, quantos desses países do “Conselho de Cooperação do Golfo”.

Ademais, acrescenta-se que há os riscos de rebeliões internas, realizadas por grupos que podem aproveitar-se do momento de instabilidade gerado por essa guerra, para se voltarem contra seus governos, uma vez que não há unanimidade em relação aos regimes e governantes da região.

A declaração de que o grupo decidiu pela criação de uma força conjunta de ação rápida destacou expressamente o caso de “grupos infiltrados”, citando diretamente a Arábia Saudita. Dentro desses grupos podem estar listados os possíveis insurgentes.

Apesar de a preocupação dos declarantes ser com relação a serem afetados numa guerra contra o Irã, sabe-se da possibilidade de as populações locais se voltarem contra os seus governos e contra os EUA, levando os norte-americanos a uma guerra disseminada em várias frentes, dentro dos países com os quais eles detêm acordos militares e abrigam suas bases.  

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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