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Continua sendo prorrogada a data limite estabelecida por Manuel Zelaya, ex-presidente afastado, para que o atual governo de Honduras apresente uma proposta que contemple sua restituição ao cargo presidencial, avaliando que somente assim será possível por fim à crise política no país. Roberto Micheletti, atual presidente, apresentou ontem, dia 19 de outubro, uma alternativa para ser avaliada pelo ex-presidente.

 

De acordo com o divulgado, a proposta contempla que a decisão sobre a restituição de Zelaya ao cargo presidencial não será mais tomada pela Suprema Corte hondurenha, mas pela própria Comissão Negociadora do governo atual, baseando-se no parecer dos demais Poderes do Estado (Legislativo e Judiciário).

Informações estão sendo disseminadas de que os Órgãos representantes de ambos os Poderes convergiriam num parecer favorável ao retorno de Zelaya ao cargo. Assim, o atual governo apenas desejaria não ser o primeiro a abandonar a mesa de negociação.

São informações contraditórias, pois a postura da Corte Suprema tem sido, até o momento, de julgar Zelaya pelos crimes dos quais é acusado.

Ademais, a estratégia de Michletti tem dominado o processo:

  1. Sabe que as ações do ex-presidente não podem se concretizar.
  2. Sabe que o atual governo conta com significativo apoio popular interno.
  3. Já percebeu que, apesar da postura internacional, a unidade na recriminação ao afastamento de Zelaya tem oscilado e vem ganhando avaliações positivas.
  4. Tem demonstrado que não aceitará intervenção externa e faz tal declaração por ter consciência de que qualquer violação de suas fronteiras poderá equilibrar o quadro internacional.
  5. E, principalmente, está apresentando propostas continuadas para ganhar tempo.

Suas ações têm contemplado o que é necessário para garantir a realização do pleito eleitoral de 27 de novembro de 2009. Pode-se incluir nisso os atos de restituição das liberdades de expressão e o fim do “estado de sítio”, que estão sendo feitos para, dentro de certo prazo, garantir a legitimidade do processo eleitoral.

Micheletti tem se comportado de acordo com as necessidades de sua estratégia de gerenciamento de crises, ainda mais que o grupo de Zelaya tem cometido o erro tático de estabelecer limites que não estão sendo cumpridos, esvaziando a força das ameaças, pois não há mecanismos para forçar o seu cumprimento.

Para tornar mais complexa à situação, o líder do grupo denominado “Frente Nacional de Resistência contra o golpe de Estado”, Juan Barahona, está exigindo a convocação de uma Assembléia Constituinte, independente do que for acordado nas negociações, acrescentando que só considerará como concluída a negociação se ela se encerrar com a volta de Zelaya ao poder. Caso isso não ocorra, continuará com a resistência.

Ele tem afirmado que esta será pacífica, mas já há informações de que o grupo tem buscado treinamento militar na Nicarágua, segundo declaração do próprio presidente nicaragüense, Daniel Ortega, mas a informação foi repudiada, prontamente. Contudo, esses são dados que podem ser usados a favor de Micheletti. Os diálogos continuam no dia de hoje, 20 de outubro.  

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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