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Convidado por Chávez, Zelaya assume cargo de assessoria na Petrocaribe

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Após os elogios feitos por Manuel Zelaya* a Hugo Chávez, quando o colocou na condição de “exemplo de renovação, inspiração e defesa da democracia na América Latina”, o presidente da Venezuela indicou Zelaya para ser assessor político na Petrocaribe.

A empresa foi criada em 2005, dentro do planejamento chavista de fazer sua projeção de poder unindo os povos latino-americanos em torno de seu nome e defendendo uma proposta socialista, confeccionada articulada e liderada pela Venezuela.

O plano, dentro desta estratégia, era ter a Petrocaribe para fornecer petróleo aos países vizinhos e aliados de Hugo Chávez, adotando preços baixos, com juros também baixos e podendo realizar o pagamento com a troca de mercadorias e produtos, algo próximo a um mercado de escambo.  Ou seja, era usar a empresa para colar os Estados da América Latina à sua proposta.

O projeto está em situação declinante desde a crise econômica internacional, que provocou a queda dos preços do petróleo e, por isso, a queda das divisas venezuelanas, as quais permitiam financiar este tipo de ação.

Ao aceitar o cargo, Zelaya assumiu uma relação mais próxima com Chávez, algo que dificultará qualquer tentativa de retorno à Honduras em curto prazo, uma vez que um dos grandes motivadores da rígida oposição feita a ele em seu país foi sua suposta proximidade com o venezuelano.

Para o Brasil, este terá de buscar outra saída honrosa para abandonar o posicionamento de não reconhecimento da eleição de Porfírio Lobo, postura que ainda é mantida. As declarações das autoridades brasileiras são de que só aceitarão o novo presidente se o atual governo permitir o retorno de Zelaya ao seu país.

No entanto, diante do novo cenário, caberá ao Itamaraty confeccionar outra proposta, pois, até o momento só lhe restam duas alternativas: (1) reconhecer as eleição de Lobo e assumir publicamente o erro, ou o fracasso nesta ação de Política Externa; (2) ignorar o assunto e deixar para o próximo presidente brasileiro o reconhecimento do atual novo presidente hondurenho.

Em ambos os casos o governo Lula sairá tingido e, com elevado grau de probabilidade, a candidata presidencial da situação desviará o assunto nos debates eleitorais, ao longo de 2010.

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* O ex-presidente de Honduras foi afastado do cargo em 28 junho de 2009, sob acusação de crimes políticos e comuns. Agora está vivendo, temporariamente. na República Dominicana. Após a eleição de Porfírio “Pepe” Lobo, Zelaya foi anistiado dos crimes políticos, mas não das acusações dos crimes de corrupção, razão pela qual não pode voltar ao país. 

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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