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O continente asiático começou o ano com desequilíbrio na economia, nas relações diplomáticas e crescente instabilidade na segurança. O motivo do atual incremento da  instabilidade partiu das tensões entre as duas Coréias. No mês de maio, após o incidente que resultou no naufrágio da embarcação sul-coreana, com as acusações de Seul contra Pyongyang, o continente ficou em estado de alerta com a possibilidade de outra “Guerra da Coréia” e insegurança diplomática, quanto ao apoio e posicionamento internacional acerca da questão, embora alguns países da comunidade internacional tenham se posicionado a favor de Seul.

 

Pelas provas e resultados de investigações de equipes sul-coreanas com observadores estrangeiros, a maior parte da comunidade internacional passou aceitar os resultados das investigações conduzidas pela Coréia do Sul, mas restaram dúvidas quanto ao posicionamento da Rússia e do grande aliado do Norte, a China.

Enquanto Seul busca apoio internacional para punir o governo de Kim Jong-Il, levando o caso para o “Conselho de Segurança da ONU”, a Rússia enviou uma equipe própria para investigar as provas de Seul contra Pyoungyang, antes de tomar suas decisões.

Porta-vozes do Kremlin informaram que: “Medvedev considera muito importante estabelecer a razão exata da perda da fragata, e revelar com precisão quem tem pessoalmente a responsabilidade pelo ocorrido (…). Quando houver informações fidedignas sobre a implicação de alguma parte no episódio, devem ser adotadas as medidas que a comunidade internacional considerar necessárias e adequadas“.

Moscou ainda questiona o caso e as provas apresentadas por Seul, segundo informações de fontes do governo russo para a agência russa Interfax. De acordo com declarações de representantes do governo, “após estudar os materiais apresentados [por Seul] e os danos ao casco da corveta, especialistas russos consideraram de pouco peso a série de argumentos da comissão internacional sobre a implicação da Coréia do Norte no afundamento da corveta“.

Para o General Nikolái Makárov: “é cedo para extrair conclusões definitivas. Nosso grupo de especialistas que trabalhou em Seul, atualmente prepara os materiais para seu relatório às autoridades“.

Em breve a chancelaria russa deverá tornar público os resultados das investigações dos especialistas russos. O mundo, porém, está voltando suas atenções para a China, que sofre grande pressão internacional para se posicionar quanto ao caso.

Assim como a Rússia, o governo chinês também questionava as acusações de vindas de Seul e as investigações realizadas por uma equipe internacional composta por especialistas da Austrália, Canadá, Estados Unidos, Reino Unido e Suécia.

Beijing, em reunião de cúpula com Japão, Coréia do Sul e com a presença do líder chinês, se pronunciou não se alinhar a nenhum dos lados por razões óbvias: não alterar a aliança da China com a “República Popular Democrática da Coréia” (RPDC), nem encerrar suas relações com Seul, relações que começaram a crescer na década de 1990.

Diante das pressões internacionais para uma resposta chinesa, os militares norte-coreanos podem ter dado o motivo para o posicionamento final da “República Popular da China”, levando-a a abandonar o seu apoio à Coréia do Norte. Houve um incidente de fronteira que resultou na morte de cidadãos chineses, o que levou Beijing a formalizar uma reclamação para com o país vizinho e deixá-la sob investigação.

Nesta terça-feira (8 de junho), o porta-voz do “Ministério das Relações Exteriores da China”, Qing Gang confirmou e protestou contra a ação de militares norte-coreanos na região fronteiriça, que levou à morte de três cidadãos chineses da cidade de Dadong. O protesto levou em conta a surpresa, por não se esperar tal ação vinda de um país aliado.

Na manhã de 04 de junho, alguns residentes da cidade de Dadong, na província de Liaoning (noroeste), foram atingidos a tiro por guardas fronteiriços norte-coreanos sob suspeita de estarem a passar a fronteira para levar a cabo atividades comerciais (…). Três pessoas foram mortas, e uma ficou ferida“, afirmou Qing Gang.

Uma equipe chinesa está investigando o caso, ignorando, de início, a declaração dada por Pyongyang sobre o incidente, para o qual a ação se deveu a que os chineses mortos eram contrabandistas, que entraram em seu país de forma ilegal.

Incidentes como estes são raros de ocorrer na fronteira dos dois países, pois tem constante movimentação e não é área militarizada, tal qual ocorre na fronteira da Coréia do Norte com a Coréia do Sul.

A Ásia está na expectativa de futuras ações de Beijing para com a Coréia do Norte e aguarda os resultados de suas investigações sobre o atual incidente entre os dois países, bem como os resultados das investigações da Rússia com relação ao caso do naufrágio da embarcação sul-coreana. Após os resultados irá se posicionar, com indicativos de que a tendência cresce para ser pró-Seul.  

A chancelaria chinesa não mencionou se as mortes dos chineses na fronteira podem influenciar em seu posicionamento acerca da tensão entre as Coréias, mas a ação norte-coreana foi em um momento delicado, já que se soma às pressões internacionais sobre a China para se aliar a Seul. Caso isto ocorra o resultado tende a ser desagradável para o líder da RPDC, Kim Jong-Il, que ficará isolado e os resultados serão imprevisíveis.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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