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Cresce a violência e instabilidade na Síria, possibilitando o desenvolvimento de uma guerra civil

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As violência no último final de semana (Sexta-Feira, Sábado e Domingo) na Síria gerou protestos intensos da “Comunidade Internacional”, levando a Europa e os EUA a exigirem que o governo sírio interrompa as ações contra a população civil que, segundo dados divulgados na mídia, oscila entre 200 e 300 mortos, podendo ultrapassar este número.  Acredita-se que apenas nos últimos três dias o número pode ter chegado a aproximadamente 150 mortos.

Segundo o divulgado, as forças policiais estão atirando contra o povo em todas as manifestações que estão sendo feitas, mesmo no caso do enterros das vítimas da repressão da última sexta-feira, dia 22 de abril, que resultou em 104 vítimas no país.

As acusações contra o presidente da Síria, Bachar al Asad, são várias. A oposição tem manifestado inconformismo especialmente com relação à proposta de reforma do governo afirmando não ser eficaz, já que apenas muda nomes, mas não modifica os pontos principais que permitiria a transformação do regime político.

Além disso, o encerramento do “estado de emergência” no país que estava em vigor a 47 anos está sendo acompanhado de repressão contra quaisquer declaração, manifestações ou reunião de opositores, ou seja, ela foi retirada como forma de aclamar o povo, mas não foi posta em prática.

União Européia, França e Alemanha, principalmente esta, estão exigindo que o governo encerre imediatamente a repressão. Os norte-americanos estão informando que o Irã, principal aliado da Síria, está enviando membros da “Guarda Revolucionária” de seu país para auxiliar o governo líbio nas ações contra os opositores.

Observadores estão criticando as grandes potências mundiais por não estarem aplicando ao país as mesmas decisões que foram adotadas contra o Egito e a Líbia e afirmam que já deviam ter solicitado reunião do “Conselho de Segurança das Nações Unidas” para impor sanções contra o governo sírio.

Analistas têm afirmado que a situação neste país é diversa e poderá gerar uma guerra sistêmica na região, caso o Ocidente atue de forma a justificar o uso da violência por parte do governo sírio e do seu aliado Irã, que está buscando justificativas para tornar a situação no Oriente Médio numa versão inadequada de “Choque de Civilizações”.

Apostam os analistas que a melhor estratégia por parte dos ocidentais será a mediação, trabalhando com a Turquia para que ela seja o agente mediador num processo de pacificação do país e na busca da transição democrática, já que esta tem os componentes essenciais para se apresentar como tal: é modernizada e tolerante com o Ocidente, suficientemente ocidentalizada nas instituições políticas,  faz parte da OTAN, tem governo islâmico moderado e tem relações pacíficas com a Síria, facilitando o diálogo.

Especificamente por parte dos EUA, afirmam que a atitude adequada será a adoção dos seguintes pontos: (1) evitar um envolvimento direto; (2) convencer os israelenses de que não podem se manifestar; (3) também convencê-los de que precisam resgatar um projeto de pacificação com os sírios, ressuscitando a política “terra por paz”; (4) trabalhar para que ocorram sanções na ONU contra o governo sírio como forma de forçar a aceitação do processo mediador com a Turquia, embora isto seja um risco, pois poderá levar o mandatário a considerar uma contradição entre mediação e sanção e acabar levando-o a ações mais violentas.

Os especialistas temem que a situação no país fique mais violenta se transforme rapidamente numa “guerra civil”, a qual, dependendo da forma como o Ocidente trabalhar, poderá gerar mais instabilidade e se espalhar pela região, afetando os dois pontos mais importantes, Arábia Saudita e Irã, o que tornará o problema incontrolável.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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