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Críticas internacionais levam a divergências e rediscussão na ONU sobre a ação ocidental na Líbia

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As críticas internacionais levaram a “Comunidade Internacional” e as “Nações Unidas” a rediscutirem as operações na Líbia, da mesma forma que estão produzindo divergências internas na Coligação, agora de 28 países, que está atuando na manutenção da “zona de exclusão aérea”.

A principal crítica se destina ao fato de surgirem notícias de que os ataques dos coligados estão causando a morte de civis ou podem levar à morte deles. Da mesma forma, está sendo gerado desconforto com o fato de um exercício lógico sobre a situação, feito pelos especialistas, conduzir à conclusão de que as operações propiciarão apoio aos insurgentes, podendo isto ser usado pelos inimigos da coligação como equivalente à interferência externa na política da Líbia.

Os países que se abstiveram no “Conselho de Segurança da ONU” solicitaram que as operações sejam encerradas e retomadas as negociações, pois os riscos de os ataques afetarem a população são grandes, trazendo problemas semelhantes aos dos próprios ataques do líder líbio, Muammar Kadhaffi.

Devido a este problema, a “Liga Árabe”, que apoiou a criação da “zona de exclusão aérea”, está criticando a maneira como vem sendo conduzida a operação e, na Europa, começam a surgir divergências sobre a liderança do processo.

Os EUA anunciaram que esta liderança será entregue aos europeus dentro dos próximos dias, uma vez que não é seu interesse conduzir um empreendimento complexo e caro, já que, somente no início das operações, os custos chegaram a US$ 100 milhões, calculando-se que ultrapassarão 800 milhões e poderão ainda ir além 1 bilhão de dólares, num momento em que os norte-americanos estão tentando se livrar de duas guerras altamente desgastantes: Afeganistão e Iraque.

Segundo analistas, os europeus têm interesses concretos na região, por isso terão de arcar com os principais custos e os EUA tendem a se afastar do papel de condutor do planejamento para não trazerem para si as conseqüências negativas das operações que, certamente, serão criticadas, devido aos efeitos colaterais que ocorrem em qualquer ação militar.

O principal problema está no concreto resultado da “zona de exclusão”. Os norte-americanos, bem como os europeus, não desejam que isto possa ser identificado com o apoio direto aos insurgentes, mas apenas com a proteção dos civis.

No primeiro caso, haveria equivalência com uma “interferência nos negócios internos do país”, situação extremamente perigosa para os coligados, além de existir uma clara insegurança sobre o posicionamento dos grupos que podem assumir o poder, que, certamente, se dirão apoiados pelos membros da Coligação.

A questão se concentra na necessidade de destruir as forças de defesa do Governo para proteger os civis, pois, segundo informações divulgadas pelos rebeldes e disseminadas em jornais pelo mundo, estas estão mantendo a violência contra a população nas cidades.

De acordo com informações divulgadas, ontem, dia 21 de março, em Misrata, “franco-atiradores” leais ao Governo mataram 40 pessoas e feriram aproximadamente 300. Segundo denunciado, 500 pessoas foram levadas à força (“sob ameaças”) ao centro da cidade para se manifestar pró-Kadhaffi, o que gerou uma manifestação contrária do povo, que, ao se reunir nas ruas, recebeu os tiros disparados por estes “snipers” posicionados estrategicamente para o massacre contra a população.

Como existe a necessidade de frear estas forças de segurança do Governo, o corolário é de que, à medida que as forças de Kadhaffi são reduzidas e controladas, há o aumento das forças contrárias ao líder, bem como o avanço dos insurgentes, não havendo como escapar desta realidade.

É o paradoxo vivido pelos EUA e coligados, que acabarão vendo suas atitudes identificadas com a “interferência nos assuntos internos”, mesmo que o princípio norteador do processo seja outro.

Foi anunciado que o “Conselho de Segurança das Nações Unidas” irá se reunir para tratar da questão nesta quinta-feira, dia 24 de março. Segundo os analistas internacionais, a estratégia que começa a ser adotada será a de aumentar a “zona de exclusão aérea” para obrigar Kadhaffi a negociar e, assim, tornar desnecessárias mais investidas militares por parte da Coligação, em especial dos ocidentais.

Quanto mais rápido o líder líbio ceder, menor será a equivalência entre proteção à população civil e invasão da Líbia, acusação usada pelo governo iraniano e pelos inimigos diretos dos norte-americanos e dos europeus. Observadores afirmam ainda que também serão menores os efeitos negativos da operação.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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