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ADIAMENTO PARA OUTUBRO DO ANÚNCIO DO VITORIOSO NO PROJETO FX-2 E AS CRÍTICAS AO RAFALE SÃO INDÍCIOS DA VITÓRIA DO GRIPEN, DA SUECA SAAB

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A declaração do comandante da Força Aérea Brasileira, Juniti Saito, sobre o adiamento para outubro do anúncio da proposta vitoriosa no projeto Fx-2 (Projeto que pretende reequipar e renovar a Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira) foi acompanhada de afirmações acerca do não enquadramento técnico do Rafale, caça francês, nas especificações necessárias para vencer a concorrência.

 

Em entrevista concedida à mídia televisiva de Brasília, o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobin, fez afirmações que demonstravam à inadequação de dois dos três concorrentes, o Rafale e o norte-americano F/A-18E  Super Hornet. Segundo suas declarações, o caso do francês é puramente técnico, reforçando os comentários do comandante da Aeronáutica, já o caso norte-americano envolve questões políticas, diplomáticas, comerciais e estratégicas.

Quando respondeu à pergunta dos repórteres sobre os anúncios de representantes dos EUA de que também estariam dispostos a realizar produção conjunta e transferir tecnologias sensíveis, o ministro disse que, em reunião com os responsáveis norte-americanos, apresentou dez casos documentados de embargos à transferência tecnológica feitos por autoridades e órgãos governamentais dos Estados Unidos, mesmo tendo sido acordado e assinado que ela ocorreria. Com isso, conclui-se de sua resposta e afirmações, que, praticamente, eliminou da disputa o candidato estadunidense.

Os analistas estavam inclinados a aceitar a vitória do concorrente da França, devido às reuniões do presidente brasileiro, Luís Inácio Lula da Silva, com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, no primeiro semestre deste ano (2009).

As aproximações entre ambos os presidentes e os acordos comerciais militares firmados entre eles anunciavam uma parceria duradoura, que poderia significar, também, a vitória da proposta francesa para a Aeronáutica brasileira.

Um fato chamou a atenção nos últimos dias: o anúncio da parceria para aquisição e produção de submarinos com a França, dentro do projeto da Marinha brasileira, foi feito com justificativas e detalhes técnicos, demonstrando adequadamente as razões da vitória da proposta francesa. Além disso, também foram comprados helicópteros de transporte franceses, aumentando o montante das transações comerciais, sem contar que o projeto do submarino é mais caro que o projeto da aeronáutica, algo que deixa a França em condição “ótima” com os brasileiros, no caso de não conseguir “maximizar” as transações comerciais militares com o Brasil.

Ao contrário do que se poderia pensar, essa negociação, pelo vulto e pela forma como foi feita, deu tranqüilidade às autoridades da Aeronáutica para continuar investindo no concorrente mais adequado ao projeto Fx-2, sem que as aproximações políticas, comerciais e diplomáticas entre países (Brasil e França) interferissem em questões técnicas, que estão sendo exigidas pelas Forças Armadas do Brasil e tem sido constantemente ressaltado pelos comandantes das três Forças, respaldados pelos seus respectivos corpos de generais.

Na entrevista do ministro, outro elemento destacou-se: as esquivas para falar diretamente da proposta sueca, o Gripen da SAAB. Quando se referiu, afirmou que era um projeto novo, de um caça novo, em evolução e com tecnologia adequada.

Deve-se ressaltar que está na proposta dos suecos a transferência do parque industrial para o Brasil, com vistas a entrar no mercado latino-americano e mundial a partir do solo brasileiro.

Assim, tem-se indícios suficientes para esperar a vitória do caça Gripen, da sueca SAAB, na concorrência do projeto Fx-2. O resultado será anunciado em outubro, provavelmente no dia 23, o “Dia do Aviador”.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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