LOADING

Type to search

Governo brasileiro admite ter rompido regras da concorrência no Projeto FX-2 e é obrigado a anunciar que concorrência ainda prossegue

Share

O anúncio feito pelo presidente brasileiro, Luís Inácio Lula da Silva, no dia “7 de Setembro” (dia da Independência do Brasil)  de que o caça escolhido como vitorioso na disputa do Projeto FX-2 era o Rafale, da empresa francesa Dassault, trouxe surpresa coletiva e está levando o governo do Brasil a amenizar as declarações de seu presidente da República.

 

Acompanhado do Ministro da Defesa, Nelson Jobim, e do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorin, foi explicado que o concorrente francês havia sido escolhido pelo fato de contemplar todas as exigências requeridas acerca de transferência de tecnologia e poderia garantir ao Brasil um parceiro de longo prazo, com capacidade de inserção dos brasileiros no mercado internacional de aeronaves de combate.

A forma como foi apresentada, trouxe desconforto devido a alguns fatos relevantes que foram ignorados e, por isso, obrigaram o ministro da Defesa a fazer declaração no dia seguinte (8 de setembro) de que a processo licitatório ainda se mantinha e seriam verificadas as ofertas das demais concorrentes: a Boing, com o “F/A 18 super hornet”, e  a SAAB, com o “Gripen NG”. Também foi emitido enunciado formal do Congresso brasileiro de que ainda estava em andamento a concorrência, pois os procedimentos precisavam ser respeitados.

Há uma clausula nas regras da licitação que foi rompida de forma brusca, a denominada BAFO (Best And Final Offer), traduzida como “a melhor oferta final”. Ou seja, até o último momento do prazo existe a possibilidade de um concorrente oferecer as melhores condições, razão pela qual não deveria, com 46 dias de antecedência, ser interrompida uma negociação com possibilidades de trazer benefícios maiores que os anunciados, além de excluir concorrentes que estão cumprindo as exigências técnicas.

De acordo com o divulgado pelos meios de comunicação, o comando da Aeronáutica ficou surpreso, pois também ainda faltava ser encaminhado ao presidente da República o relatório técnico elaborado pelos profissionais da Força Aérea Brasileira sobre centenas de questões respondidas para ser um exemplo de escolha profissional de equipamento militar, podendo ser um dos projetos mais bem desenvolvidos pelo Brasil.

A mudança brusca ignorou e encobriu também as garantias de transferência tecnológica que estavam sendo oferecidas pelos suecos da SAAB, bem como os esforços de negociação dos norte-americanos. Isso trouxe suspeitas, desconforto e está levando à movimentação para entender o fato.

Está circulando entre os analistas a informação de que precisa ser produzida uma alternativa, pois a forma como o processo se encerrou gerará imagem negativa do Brasil na sociedade internacional, uma vez que a negociação era acompanhada com cuidado pelo mundo e era apresentada como possível modelo de concorrência pública para a aquisição de equipamentos militares, contemplando transparência e eficiência técnica.

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.