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Discurso de Hugo Chávez visa intimidar adversários com corrida armamentista

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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez anunciou que vai acelerar a corrida armamentista e usou como justificativa as ameaças que seu país tem recebido, dentre elas, incursões de soldados colombianos no território venezuelano. A Colômbia negou o fato, mas a resposta foi ignorada pelo presidente Chávez.

 

O venezuelano afirmou que não lhe resta alternativa. Por isso, quando for a Moscou para sua próxima reunião, tratará da compra de três batalhões de tanques T-72M, dando continuidade à aquisição de armamentos russos, que já inclui aviões de combate (Su-30), fuzis Kalashnicov (AK-103) e helicópteros, além da negociação para adquirir submarinos.

Ao todo, o governo venezuelano já gastou, aproximadamente, US$ 4,4 bilhões, tendo demonstrado que pretende dotar seu país de capacidade de pronta resposta, mas principalmente de projeção de poder, podendo fazer incursões e vencer seus prováveis inimigos imediatos: Colômbia e Peru.

Em seu discurso, tem usado como retórica a intenção norte-americana de possuir o petróleo da Faixa do Orinoco, onde se supõe que estejam às maiores reservas de petróleo do mundo. Deve-se ressaltar que os custos para exploração desses lençóis, de acordo com laudos técnicos, tornam as reserva economicamente inadequadas no momento, razão pela qual o discurso precisa ser observado mais como peça de retórica. Além desse argumento, o presidente venezuelano tem acenado com supostos planos para assassinar seus aliados imediatos. No momento, a vítima em potencial é o presidente da Bolívia, Evo Morales.

Independente do conteúdo discursivo, o pronunciamento chavista vem como resposta à vitória parcial do presidente colombiano, Álvaro Uribe, após a reunião de cúpula da UNASUL (União das Nações Sul-Americanas), que deixou de fora a questão do acordo militar entre Colômbia e EUA no relatório final.

Chávez sabe que a presença de forma mais estruturada de tropas norte-americanas em território colombiano coloca em cheque sua estratégia e propicia um equilíbrio de poder na região, o qual estava desbalanceado em favor dos bolivarianos (Venezuela, Equador e Bolívia), dando fôlego à Colômbia e ao Peru para responder às suas provocações.

O venezuelano sabe que os bolivarianos, além de serem mais pró-ativos, têm a simpatia de outros países, ou de lideranças influentes dentro deles, como é o caso da Argentina, do Paraguai e do Brasil. Acrescente-se a isso o fato de contar com uma neutralidade oscilante de Chile e Uruguai. Os norte-americanos, estando mais próximos, obrigarão à reavaliação de posicionamentos automáticos.

Esses são os elementos que a presença militar dos EUA colocaem cheque. Principalmente, pelo fato de Chávez saber do posicionamento normalmente neutro e oscilante do Brasil em relação aos projetos e intenções da Venezuela.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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