LOADING

Type to search

Eleição colombiana pode trazer opositor de Álvaro Uribe para a Presidência da República, modificando a política internacional na região

Share

A última pesquisa eleitoral na Colômbia apontou o candidato da oposição Antanas Mockus, do Partido Verde da Colômbia, à frente na corrida presidencial das eleições que ocorrerão no dia 30 de maio de 2010. Os dados das pesquisas apontam que Mockus tem entre 32% e 39%  de tendência eleitoral (dependendo da pesquisa), enquanto o candidato governista, Juan Manuel Santos, do Partido Nacional da Unidade Social, apresenta o percentual na casa dos 34%, segundo dados dos institutos de pesquisa colombianos.

A última consulta realizada apresentou um empate técnico com Santos à frente, porem apontou que os votos dos quatro outros candidatos (ao todo, seis apresentam-se na disputa) migrarão em sua maioria para Mockus, que venceria com 45% contra 40% de Santos.

Os índices mostram que a corrida será apertada, mas a possibilidade elevada de vitória do opositor já traz especulações sobre a forma como se reorganizará o mapa da política internacional sul-americana.

Pelas declarações coletadas na campanha eleitoral e elementos da plataforma de ambos os candidatos, os analistas têm destacado inicialmente os seguintes pontos:

(1) Com Juan Manuel Santos haverá a continuidade da política uribista (Álvaro Uribe, atual Presidente do país), com a manutenção da política externa colombiana, tal qual desenvolvida pelo Presidente, mas reforçando a aproximação com os EUA, o combate às FARC e a confrontação ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

(2) Com Mockus há incerteza acerca de qual será o seu comportamento. Mas a tendência é de que se afaste da linha adotada até o momento. O candidato tem feito declarações de desejar maior proximidade com os países latino-americanos, logo se afastando dos EUA, embora isto não signifique automaticamente uma aliança com os bolivarianos. A ambivalência com relação ao seu comportamento ficou clara com as manifestações de que, em relação ao Brasil, ele tem preferência com o candidato José Serra e maior distanciamento em relação à Dilma Roussef, candidata governista à eleição presidencial brasileira, em 3 de outubro de 2010. Cometeu deslizes, contudo, ao se referir ao presidente Hugo Chávez (Venezuela), quando afirmou “admirá-lo”, explicando-se depois, dizendo que o “respeitava”. Segundo divulgado, o ato falho revelou sentimentos, pois a explicação veio após orientação de seus assessores de Marketing, que lhe informaram ser urgente retirar o que falou, para não afastar os eleitores que não têm simpatia pelo venezuelano.

(3) A vitória do opositor exigirá um reposicionamento estratégico dos EUA, pois não se sabe qual será o comprometimento real deste candidato com relação ao “Acordo Militar” assinado entre os dois países, uma vez que Mockus tem anunciado que deseja se aproximar da UNASUL (União das Nações Sul-Americanas) e do MERCOSUL (Mercado Comum do Sul), o que terminará assumindo o confronto com os norte-americanos.

(4) Os analistas têm acentuado que haverá aproximação intensa entre a Colômbia e Brasil e poderá gerar um novo eixo de força no continente, devido ao potencial econômico dos dois países, podendo gerar também uma nova configuração geoeconômica regional. No entanto, mantendo-se a política externa brasileira como está, isto também implicará que a Colômbia tenderá a se afastará dos EUA, já que a política externa brasileira assumiu ser contraposta à norte-americana.

Caso Mockus se eleja, será uma nova realidade no continente, pois os estadunidenses se verão obrigados a buscar outro aliado preferencial na região, sob o risco de verem sua estratégia ser esvaziada numa frente que, embora conflituosa nos últimos 12 anos, neste momento encontra-se significativamente desbalanceada contra si. Chile, Peru e Paraguai podem se beneficiar da situação.

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!