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Após o anúncio a confirmação de Mahmud Armadinejad no pleito eleitoral de 12 de junho, as opiniões sobre a situação no Irã tem sido divergentes. A maioria líderes da sociedade internacional continua afirmando que crê na fraude eleitoral que reelegeu o atual presidente. Outros, como o presidente brasileiro Luís Inácio Lula da Silva, preferem afirmar que não houve provas, por isso deve-se esperar antes de serem tomadas quaisquer medidas restritivas contra os iranianos.

Vários elementos emergem no problema. Questões acerca dos direitos humanos são realçadas, mas medidas não podem ser tomadas, graças ao poderio do Irã, sua importância geopolítica, sua relevância geoeconômica e ao posicionamento geoestratégico.

As declarações mais destacadas dos últimos dias foram sobre uma possível ação israelense contra os Iranianos, caso eles dêem continuidade ao seu projeto nuclear, pois as interpretações caminham no sentido de que o projeto tem cunho militar.  

Os norte-americanos se manifestaram que não terão ingerência nos atos de Israel, significando que, embora possam discordar de um ataque israelense, não agirão para interferir em sua decisão.

Diante dessas afirmações, o governo iraniano já deixou claro que responderá de forma rígida e nesse ponto está o principal risco para a sociedade internacional. O envolvimento de Israel poderá trazer para cenário do Oriente Médio o mesmo risco que havia quando das guerras contra o Iraque: uma mobilização de muçulmanos contra judeus, ao invés de uma guerra interestatal, ou de guerra contra uma potência marginalizada.

Contrário a qualquer afirmação, pode-se ter certeza de que os EUA seriam envolvidos diretamente e estão preparados para isso. Uma visada sobre o mapa da região permite perceber que o Irã está cercado por bases americanas em todos os países que os cercam. Não há área vizinha que não permita aos EUA atacar o Irã, daí a preocupação norte-americana com um envolvimento israelense, mas, também, a necessidade de que alguém o faça, para iniciar um processo que possa ser necessário.

 

Os dados que mostram a clareza estratégica dos EUA podem ser pinçados nas aproximações do presidente Barak Obama com a Rússia e em suas últimas declarações. Afirmou que o tratado com a Rússia objetiva permitir que este país seja forte, pacífico e democrático. Tal declaração demonstra que tem consciência do papel histórico e da importância geopolítica dos russos para a estabilidade da região. Deve-se ressaltar, contudo, que essa primeira afirmação veio como pano de fundo para outras de cunho militar, como a declaração de que a idéia do escudo global antimísseis nucleares que está sendo planejado com a Rússia detém importância enquanto os iranianos desejarem manter seu projeto nuclear.

 

Deve-se acrescentar ainda que, nesse acordo, está previsto que os norte-americanos possam abastecer suas tropas no Afeganistão através do território russo e não por acaso, apesar do EUA terem o projeto de retirar tropas do Iraque, o governo estadunidense tem anunciado o crescimento das suas unidades militares no Afeganistão, o que nos traz a imagem de uma alocação de recursos humanos em um projeto mais amplo. A questão iraniana tem conteúdo mais amplo do que apenas o problema eleitoral e isso está ficando mais claro a cada dia.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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