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ELEIÇÕES REGIONAIS NA ALEMANHA PODERÃO AFETAR A POLÍTICA FINANCEIRA DA “UNIÃO EUROPÉIA”

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Com pouco mais de 20% dos votos, o partido conservador da chanceler alemã Angela Merkel, “União Democrata Cristã” (CDU, em alemão), sofreu uma importante derrota nas eleições regionais de Hamburgo, realizada no dia 20 de fevereiro. Esta foi a primeira das sete eleições regionais agendadas para este ano (2011) e era considerada pelos analistas a mais importante para a sobrevivência política de Merkel.

 

O CDU caiu de 42,6% na última eleição, em 2008, para 21,2%, de acordo com uma pesquisa da “ARD TV” da Alemanha. “É um momento de impotência para nós”, declarou Christoph Ahlhaus, candidato a prefeito em Hamburgo que foi derrotado.

Com o resultado, o partido da “Chefe de Governo”, que já estava em minoria no “Bundesrat” (“Câmara Alta” do Parlamento alemão), perdeu outros três representantes na casa, configurando, desta forma, o pior resultado eleitoral para o “Partido Democrata-Cristão” nesta cidade, desde a “Segunda Guerra”.

Perdendo em Hamburgo, a CDU deixou de controlar sua última grande cidade com mais de um milhão de habitantes, destacou o jornal alemão “Die Welt”. “Isso preocupa a chanceler, pois coloca em risco suas aspirações de modernização”, destaca o jornal.

O “Partido Social-Democrata” (SPD, em alemão) obteve a inesperada maioria absoluta em Hamburgo, com 49,6% dos votos, elegendo o social-democrata Olaf Scholz como o novo “Burgomestre” (prefeito) da cidade. Este resultado permitirá ao SPD disputar com otimismo os próximos pleitos de março na Saxônia-Anhalt, Renânia-Palatinado e Baden-Württemberg.

Muitos votaram pelo Partido Social Democrata, que prometeu governar a cidade de Hamburgo como deve ser, com pragmatismo como é fundamental na política. É preciso unir a competência econômica e a agitação social e não o contrário. Este era o nosso programa antes das eleições e continua a sê-lo. Por isso, conseguimos um bom resultado nestas eleições e é com ele que vamos fazer algo construtivo. O trabalho começa agora” declarou Scholz.

Começa, assim, um novo ciclo político que é caracterizado pelo enfraquecimento da base de sustentabilidade de Angela Merckel à frente do Governo Alemão. Apesar de serem eleições regionais, elas influenciam a política federal, a política externa germânica e a política fiscal já que a mesma tem de ser aprovada pelo “Bundesrat”, onde, a partir destas eleições de Hamburgo, a CDU tornou-se minoritária. A perda dos assentos no “Bundesrat” tornará mais difícil a aprovação de leis federais para a coalizão de Merkel.

As alterações da relação de forças no “Bundesrat” podem, dentro do pragmatismo político alemão, ter uma tradução na política financeira da “União Européia”. Próximo a importante Cimeira européia de março, muitos analistas indicam que Merkel poderá condicionar a sua estratégia na resposta à crise em face dos resultados das eleições regionais.

Caso continue a sofrer perda de popularidade na Alemanha, a Primeira-Ministra poderá perder margem de manobra para apoiar uma resposta mais abrangente e eficaz, tal qual pretendem os países do sul da Europa, como Portugal, que estão entre os mais atingidos pela crise de dívida soberana.

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Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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