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Em Israel Lula é criticado por governo e oposição, apesar dos aplausos

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O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, tomou sua importante decisão de apresentar o Brasil como candidato a mediador do processo de paz no Oriente Médio. Ao discursar no Parlamento israelense, (Knesset) evitou falar polemicamente, não citando o Irã em seu discurso e buscando palavras que não afetassem as posições de Israel, mas não foram aos pontos chaves do problema.

Assim, defendeu a desnuclearização do mundo, uma forma indireta de defender que tanto iranianos, quanto israelenses abandonem as armas nucleares e pregou a união dos palestinos, como forma de defender uma posição pacificadora, já que a os grupos radicais não acatam as decisões do governo palestino e defendem a continuidade do conflito, ao contrário do seu governo. Foi um discurso neutro, que, para a mediação, serve como convite de entrada no processo, mas poderá gerar o descontentamento de ambas as partes, em prazo muito curto, caso não seja desdobrado corretamente.

O discurso foi bem vindo, razão pela qual houve aplausos. No entanto, as críticas veladas por parte dos israelenses foram intensas, uma vez que deixaram claro que o Brasil deve se unir contra as ditaduras, ao invés de defendê-las e não ficar neutro, quando as questões dizem respeito à democracia e aos direitos humanos,

Lula evitou posicionar-se diretamente contra o Irã e os Árabes e, quando não colocou flores no túmulo de Theodor Herzl, o fundador do sionismo (resumidamente, o movimento iniciado no século XIX, para a criação do Estado de Israel) e criador do Estado de Israel, considerou-se como quebra de protocolo, recebendo como represália a ausência do Ministro de Assuntos Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman,  durante seu discurso no Parlamento israelense.

Esta ação, que irritou os judeus, permitirá que as próximas visitas aos árabes e iranianos sejam tranqüilas. No conjunto, contudo, apesar das palavras e atos, bem como da neutralidade inicial, as ações terão curto alcance e brevemente o presidente brasileiro será obrigado a tomar uma posição, pois acabará sendo identificado, não como um mediador mas como um novo Neville Chamberlain, o Primeiro-ministro britânico que  acreditava na convivência pacífica com Hitler, na época denominada de “Política de Apaziguamento”. Ele participou da conferência de Munique, quando atendeu à maioria das exigências de Hitler, dentre elas, a divisão da Tchecoslováquia e a anexação da Boêmia à Alemanha.

Por ter adotado tal postura, passou a ser identificado pela história como um dos homens que permitiu o desenvolvimento e fortalecimento do hitlerismo. Caso isso aconteça, o governo brasileiro trará para o seu país, problemas para os quais não está preparado para enfrentar.  

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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