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EPISÓDIO GOOGLE-CHINA É MAIS UM INDICADOR DE QUE EM 2010 HAVERÁ MUITAS DIVERGÊNCIAS ENTRE CHINA E EUA, NA POLÍTICA, ECONOMIA E COMÉRCIO

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O ano de 2010 iniciou com algumas divergências diplomáticas entre os Estados Unidos e a China.  Elas começaram a partir do momento em que foi anunciada a venda de armas dos EUA para Taiwan, ocasionando uma grande insatisfação do governo chinês para com Washington. Além disso, na semana passada, um comentário referente à situação da Google na China, realizado pela Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, foi motivo para “por em risco as relações sino-americanas”.

 

A Google anunciou estar disposta a sair do país devido aos possíveis ataques cibernéticos, “sofisticados e coordenados”, feitos contra contas do Gmail de ativistas dos Direitos Humanos na China, nos EUA e na Europa.

No dia 21 de janeiro, Hillary defendeu a empresa norte-americana e afirmou que os chineses devem investigar com “minúcia e transparência” esses ciber-ataques. Também criticou a falta de uma posição do governo chinês, que ainda não se pronunciou oficialmente quanto à possível retirada da Google, nem sobre o casoem questão. A empresa exige que o governo da China apresente sua posição oficial quanto ao ocorrido, algo que ainda não foi feito pelas autoridades.

O vice-presidente da Google, David Drummond, anunciou que, além deles, pelo menos 20 outras firmas foram alvos dos “sofisticados ciber-ataques“, numa aparente tentativa de penetrar nas contas de e-mail de ativistas espalhados pelo mundo. E declarou que “Os países que restringem o livre acesso à informação e violam os direitos fundamentais dos utilizadores da Internet arriscam-se a ficar afastados dos progressos do século XXI”.

Desde o ano de 2006, com a criação da “Google.cn”, algumas informações e conteúdos são controlados e censurados, assim como são bloqueadas as pesquisas sobre o “Dalai Lama“, o “Massacre na Praça da Paz Celestial” e o “Falun Gong“. Da mesma forma, certas informações sobre membros do governo chinês estão em “branco”.

Nem todas as empresas estrangeiras conseguem se adaptar as regras das autoridades chinesas e a página de pesquisa Google já foi retirada do ar inúmeras vezes, devido à censura.

Após o discurso de Hillary sobre o ocorrido, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Ma Zhaoxu, se manifestou: “Opomo-nos firmemente às declarações e atos que vão contra os fatos e são prejudiciais para as relações sino-americanas“.

As palavras de Zhaoxu fizeram o episódio ganhar repercussões no plano diplomático e despertaram à preocupação do presidente norte-americano, Barack Obama. Durante o vôo do Presidente em visita a Ohio (EUA), o porta-voz da Casa Branca, Bill Burton, declarou à imprensa, enquanto estavam a bordo do “Força Aérea 1” (Air Force One), que “o presidente está preocupado com a falha de segurança informática que a Google atribui à China“. E acrescentou: “Como a secretária [de Estado Hillary] Clinton disse ontem [21 de janeiro], tudo o que pedimos à China são algumas respostas às acusações”.

Essa preocupação não é uma surpresa, na medidaem que Washingtonestá buscando meios de se aproximar mais de Beijing. Contudo, a visita de Obama ao país, no final do ano passado (2009), e os planos de cooperação bilateral não atingiram os resultados esperados, pois ocorreu uma instabilidade nas relações entre os dois países, com o problema da venda de armas norte-americanas para a ilha de Formosa, além de algumas divergências no campo comercial.

Até o momento, não há respostas do governo chinês para a Google, nem a certeza de que a empresa continuará no país. É certo, porém, que este caso está sendo outro elemento para dificultar mais as relações entre o Dragão Asiático e os Estados Unidos no campo diplomático.

As controvérsias entre a empresa e os chineses, bem como a posição do governo norte-americano são indícios de que em 2010 haverá muitas divergências entre os dois Estados, tanto na política, como na economia e no comércio.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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