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Está prevista para o final deste mês a celebração do histórico acordo comercial entre a “República Popular da China” (RPC) e a “República da China” (Taiwan/Formosa). As expectativas positivas acerca da finalização deste Acordo vêm dos membros envolvidos no processo de negociação, em especial, tanto dos negociadores dos dois lados do estreito de Taiwan, como de Lai Shin-Yuan, a ministra do “Acordo de Cooperação Econômico” (ECFA, sigla em inglês).

Segundo informações do “China Daily”, as duas partes chegaram a um “consenso básico” envolvendo a redução de impostos e acesso aos respectivos mercados. Em Taiwan, as notícias se focaram nas “garantias” dadas às indústrias taiwanesas, para que estas não sofram com vulnerabilidades que poderiam ser criadas.

Em discurso, Lai Shin-Yuan, também ministra do “Conselho de Assuntos do Estreito de Taiwan” (MAC, sigla em inglês), afirmou que “as negociações do ECFA deverão avançar passo a passo”. O modelo apresentado será conduzido de forma a assegurar igualdade para ambos os lados, sem que as empresas de Formosa sejam afetadas negativamente.

Durante todo o processo, os dois lados vêm desenvolvendo boas relações e apresentando pontos comuns, visando estabelecer as melhores condições para que não haja “injustiças”, que possam favorecer apenas um ramo da economia ou apenas um dos lados.

As negociações progrediram profundamente e estão se aproximando de seu final“, disse a porta-voz do “Escritório de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado” (Executivo taiwanês), Fan Liqing.

Neste ano, o comércio entre China e Taiwan cresceu, aproximadamente, 68% em relação ao ano passado, apresentando, no primeiro semestre, um volume superior a 44 bilhões de dólares. Espera-se que, com o Acordo, o volume se desenvolva de forma benéfica e saudável, para que Beijing e Taipei mantenham “boas relações”, ao menos no aspecto comercial, algo que se refletirá em outras questões.

Para a China o Acordo com Taiwan será um salto importante para o estabelecimento e manutenção de relações “pacíficas”, podendo se configurar numa plataforma para desenvolver as relações que, da perspectiva de Beijing, são pensadas constantemente em um “futuro unificado”, dentro do projeto de “apenas uma China”.

Apesar da pretensão da parte continental, Taiwan também poderá se beneficiar, pois o país terá acesso ao livre comércio com outros Estados (desde que não sejam acordos bilaterais entre governos); terá acesso aos novos mercados na Ásia e de fora do continente, objetivando sobreviver às transformações econômicas do globo. Com isso, a ilha não ficará isolada economicamente, já que o continente asiático vem se unindo cada vez mais através de acordos de livre comércio e a China continental tem sido um catalizador de Tratados e fontes de investimentos pelo mundo.

Para os críticos em Formosa, o Acordo é uma mera pretensão de Beijing para a unificação dos dois países. Porém, para o governo taiwanês o Tratado não tem aspecto diplomático, enfatizando que não há ligação política ou tópicos que possam comprometer a democracia da “República da China” (Taiwan/Formosa).

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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