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EUA ADOTAM A POSTURA DE MEDIADORES DA CRISE HONDURENHA

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Após as primeiras manifestações internacionais condenando a ação política que afastou do governo do presidente hondurenho, Manuel Zelaya, os EUA assumiram o papel de reguladores do sistema internacional, principalmente na região que lhe atinge diretamente, a América Central. Os norte-americanos articularam uma reunião tripartite na Costa Rica, mediada pelo presidente costarriquenho, Oscar Arias, ganhador do Prêmio Nobel da Paz. Nesta reunião estiveram presentes o presidente deposto (Zelaya) e o presidente de fato (Micheletti) para negociarem os passos que devem ser dados na solução do problema.

 

O resultado da reunião foi a criação de uma Comissão de Negociação formada pelo ex-chanceler da República, Carlos López; pelo assessor e empresário Arturo Corrales; pelo ex-candidato presidencial Mauricio Villeda e pela ex-presidente da  Corte Suprema de Justiça, Vilma Morales.

O resultado palpável está no fato de o atual chefe de governo hondurenho estar abrindo um canal de comunicação com a sociedade internacional, uma vez que, no primeiro momento, o isolamento submetido aos atuais governantes não lhes permitiram apresentar a sua versão dos fatos.

Hoje, os jornais estão anunciando declarações da Secretária de Estado dos EUA, Hilary Clinton, afirmando que devem ser observadas as ações do governo venezuelano em Honduras. Com essa declaração, a Secretária de Estado responde aos críticos republicanos do governo de Barak Obama que têm apresentado dados para disponibilização na imprensa sobre o envolvimento direto do governo venezuelano no processo que levou ao afastamento de Zelaya.

Dentre eles está o fato de as urnas que seriam usadas no “referendum” virem da Venezuela, transportadas por aviões venezuelanos e ficaram estacionadas em lugar que quase foi invadido pelos partidários de Zelaya, com o objetivo de ter acesso ao material, ou produzir conflitos.

Isso é importante, pois a comprovação do envolvimento de Hugo Chávez no processo que ocorreu no país dará elementos às justificativas que o atual presidente, Roberto Micheletti, tem buscado apresentar ao mundo. Ou seja, darão a Roberto Micheletti a munição necessária para responder adequadamente ao atual posicionamento internacional em relação ao seu governo, mudando o jogo a seu favor.

Algo semelhante fez o atual presidente do Peru, Alan Garcia, na época de sua eleição. Ele conseguiu mudar o cenário eleitoral quando apresentou para sua sociedade que o candidato opositor, Olanta Humala, recebia apoio direto Hugo Chávez. Assim, parte significativa do eleitorado, posicionou-se ao seu favor por não admitir interferência do bolivariano.

De imediato, Micheletti precisa de algumas semanas (duas ou três) para não perder o apoio dos norte-americanos, isso é essencial. Esse seria um tempo para Barak Obama encontrar uma forma de recuar na condenação de Honduras sem que seja identificado com seu antecessor, George W. Bush. Poderiam dizer que ele mantém a mesma conduta. No limite, seria um tempo para obter informes de inteligência e, mais importante que isso (pois ele já os tem), seria um tempo para descobrir formas adequadas de disseminação desse material para que a sociedade internacional recue nas suas afirmações categóricas sobre o caso e não julgue também as ações dos norte-americanos.

Após esse curto prazo, o atual governo hondurenho, necessita suportar seis meses, até as eleições presidenciais do final do ano. Uma vez instauradas as eleições e escolhido o novo governo, dificilmente a sociedade internacional se posicionará da mesma forma. Tenderá a buscar outro caminho, um caminho de mediação e acomodação do processo. Ademais, será tempo suficiente para o país retomar suas relações bilaterais para não ficar enclausurado.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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