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Evo Morales responde ao relatório norte-americano sobre o crescimento do cultivo de coca na Bolívia

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O presidente da Bolívia, Evo Morales, respondeu ao relatório do governo dos EUA acerca do aumento do cultivo da coca e, por reflexo, do aumento do tráfico de drogas, como uma “campanha do império” contra a América Latina.

O argumento do presidente boliviano parte do fato de que o seu governo tem feito o que lhe cabe no combate ao narcotráfico, mas os norte-americanos não, pois o problema está dentro dos Estados Unidos, cujos governos não têm trabalhado para reduzir o consumo.

A lógica é de que não há problema na produção da planta, pois ela não é tóxica e é um traço cultural dos povos andinos, sendo consumida, principalmente, mascando-a, ou na forma de chá, algo que não tem problema. A forma inadequada se dá após a produção da pasta de cocaína, mas esta não existiria se não houvesse demanda, sendo isto o gerador da produção ilícita.

Para entender a questão deve-se levar em conta o fato de haver tolerância ao cultivo de certa quantidade da planta, pois mesmo a cocaína é usada para fins medicinais, sendo comprada por laboratórios e hospitais do mundo inteiro, em especial dos Estados Unidos.

O cálculo para definir o que é lícito do que é ilícito é feito em termos da determinação aproximada do montante necessário para fins medicinais, acrescido do montante que é usado de forma tradicional, sem o processamento da cocaína, já que este consumo é inofensivo e faz parte da cultura dos povos indígenas da região. Deve-se acrescentar que a folha em estado natural tem efeitos anestésicos, por isso também é usada para fins medicinais. A produção acima disto indica que se destina ao tráfico de drogas, sendo este excesso considerado produção ilícita.

Baseando-se nestes pontos o governo boliviano afirma que não há como frear a produção, pois ela faz parte da cultura de seu povo e a folha não é usada da forma como usam os norte-americanos, os europeus e todos os “não-indígenas”. Se assim é, então a culpa da produção ilícita está no consumidor e não no produtor.

Afirmou, ainda, que o os Bolivianos estão agindo no combate à droga. Em suas palavras, “cumprimos com o comércio internacional e convênios nacionais de redução. Estamos fazendo esforços, é nosso trabalho”. Reconheceu, no entanto, que houve o crescimento no cultivo da planta.

Segundo os estadunidenses, 50% a mais desde 2005, quando Evo Morales assumiu a Presidência da República da Bolívia. Os bolivianos, por sua vez afirmam que os números apresentados estão sendo superestimados, para efeito de propaganda contra os latino-americanos.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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