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FRANÇA PODE VENCER PROJETO FX-2 POR SABER AGIR POLITICAMENTE.

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O Projeto FX-2 de reaparelhamento da Força Aérea Brasileira (FAB), com a aquisição de 36 caças multifuncionais de 4a geração para substituir os atuais caças em uso no Brasil (Mirage 2000, os F-5 e os AM-1) parece encaminhar para uma vitória francesa.

Na licitação estão três concorrentes: a Boing, americana, com o F-18 E/F; a Dassaut Aviation, francesa, com o Dassaut Rafale-C e a SAAB, sueca, com o JAS 39-A GRIPEN. A idéia do projeto é obter a transferência de tecnologia, com o intuito de desenvolver o parque industrial e tecnológico de Defesa no Brasil.

 

De acordo com os anúncios feitos pelas autoridades civis e militares envolvidas no processo, os critérios para a seleção são comerciais, técnicos e científicos com o objetivo de colocar em destaque a FAB e o Brasil no cenário internacional, além de possibilitar  a capacitação de parques industriais civis.

O projeto estima o montante inicial de 2,2 bilhões de euros para a aquisição dessas aeronaves, mas faz um tempo que se caminha para o crescimento desse valor, em decorrência de acordos e projetos complementares que são oferecidos, ou exigidos para que um dos concorrentes seja vitorioso.

Em função do valor e das possibilidades envolvidas, as três concorrentes estão oferecendo condições até o momento não vistas no cenário brasileiro. A Boing propôs a transferência de uma unidade de montagem, podendo de gerar cerca de cinco mil empregos diretos e indiretos, uma vez que envolverá 28 projetos com 25 empresas do Brasil, além de obter autorização do governo norte-americano para a transferência de tecnologia, algo que dificultava a negociação. Além disso, para garantir a vitória na concorrência baixou o valor final de sua aeronave (o F-18 E/F – U$ 55mi, por unidade) para quase 70%  da segunda mais barata (o Gripen, da SAAB – U$76 mi, por unidade) e quase 60% do valor do concorrente mais caro (o Rafale, da Dassaut – U$ 88 mi, por unidade).

A SAAB acenou com a transferência de um centro tecnológico para o Brasil, onde as unidades seriam produzidas e não apenas montadas, gerando empregos diretos e com vistas a entrar na concorrência do mercado sul-americano por intermédio da parceria com a Embraer brasileira, a qual, segundo anúncios feitos no início do ano, teria em vista a aquisição da SAAB, por meio da troca de ações, tornando-se sua acionista majoritária e abrindo o mercado europeu e mundial do setor.

Já a Dassault, propôs a transferência de tecnologia e, segundo afirmação do presidente francês, Nicolas Sarkozy, há a possibilidade de se abrir , para os brasileiros (cientistas e engenheiros) o Centro Espacial de Guru, na Guiana Francesa.

Os fatos que podem indicar a vitória dos franceses são dois:

1)      primeiro, o Brasil já está assinando acordos militares com a França desde o início do ano. Tanto para a aquisição de helicópteros (com informações discordantes de 50, ou 51 naves de transporte) quanto para a aquisição e construção de quatro submarinos, além da produção de um submarino nuclear em parceria com os franceses. Esse acordo do submarino está sendo feito em detrimento dos trabalhos realizados até o momento com os alemães, que, além de terem construído uma história com o Brasil na aquisição e fabricação de submarinos, são reconhecidos como os mais destacados no setor. Eles são responsáveis por 81% das vendas mundiais.

2)      segundo, a questão política, como está sendo conduzida pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy. Excetuando-se no caso do Irã, Sarkozy tem se posicionado pró Brasil em todos os pronunciamentos. Principalmente no que diz respeito as pretensões do presidente Luís Inácio Lula da Silva de garantir o lugar do Brasil como membro permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Além disso, tem respaldado os discursos do brasileiro sobre a substituição da importância do G-8 pelo G-20, conforme tem sugerido o Lula.

Essas ações levaram o presidente do Brasil a anunciar que, em setembro, na visita de Nicolas Sarkozy ao Brasil serão tratadas questões de acordos militares entre os dois países. O valor estimado para a aquisição dos caças e dos helicópteros está estimado em torno de U$ 12 bi. Já os valores envolvidos nos submarinos são estimados como em torno de U$ 20 bi. São indícios de que a habilidade política do presidente francês fez a balança pender para o seu lado.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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