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Governo brasileiro busca uma forma honrosa para revê posição em relação à questão hondurenha

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O Porta-Voz da Presidência da República do Brasil, Marcelo Baumbach, declarou que o presidente Lula está defendendo a reintegração de Honduras à OEA (Organização dos Estados Americanos); a retomada do diálogo com o país e o reconhecimento das eleições do atual governo hondurenho. O problema está na forma como o presidente brasileiro irá apresentar tais propostas.

A questão será considerada na reunião de “Cúpula da Unidade da América Latina e Caribe”, que se realiza hoje e amanhã (22 e 23 de fevereiro de 2010 – informalmente chamada de “Cúpula do Grupo do Rio”), em Cancun, México.  

Espera-se que o tema seja levantado por outro país, algo que tende a se confirmar, já que foi anunciado que o ainda presidente da Costa Rica, Oscar Arias (entregará o poder a presidente eleita, Laura Chinchila, em 8 de maio) tocará no assunto, defendendo a reintegração de Honduras à Organização, uma vez que, em suas palavras, “é muito difícil esperar uma maior unidade entre a comunidade latino-americana ao excluir um país que recentemente elegeu, em eleições limpas e transparentes, um presidente como Porfirio Lobo“.

Lula fará a defesa de Honduras, mas busca uma forma honrosa de fazê-lo e a estratégia adotada já está sendo disseminada para a mídia nos pontos que serão apresentados no discurso do brasileiro. Eles são três: (1) Deve-se reintegrar o país para não constranger o povo a mais sofrimentos (analistas apontam que esta tese foi desconsiderada durante a defesa de recusa das eleições, o que será visto no futuro como uma contradição); (2) não se trata do reconhecimento de um governo, mas do reconhecimento de um Estado (analistas também apontam que o discurso, até o momento, se pautou pela recusa do governo e, por isso, é uma afirmação incoerente); (3) mas, apesar de retomar o diálogo, não se deve aceitar “golpes de estado”, nem permitir que o exemplo se espalhe pelo continente. Por isso, o critério para que o “governo Lobo” (que no discurso está sendo dito como o “Estado hondurenho”) seja reconhecido se baseia na criação de condições e fundamentos democráticos. Isto está sendo reduzido, no momento, à exigência da instalação da “Comissão da Verdade”* e na busca da unidade do país, com a volta de Zelaya à Honduras, para participar da vida política de Honduras.

O governo brasileiro pretende centrar foco no retorno de Zelaya, já que a “Comissão da Verdade” certamente poderá trazer efeitos contrários às pretensões dos zelaystas e se sabe que, provavelmente, serão minimizadas as verificações de questões problemáticas.

A volta de Zelaya, contudo, é o ponto que o Brasil considera chave para manter a honra de uma postura adotada pelo governo brasileiro, que uma grande maioria de analistas considerou como derrotada, quando não equivocada.

Dificilmente o governo hondurenho levará tal hipótese adiante, pois sabe que a tendência é de que se re-instaure a instabilidade política no país, caso isso aconteça. O atual presidente, Porfírio Lobo, declarou em jornais, no dia 18 de fevereiro, que está pedindo ao ex-presidente Manuel Zelaya que “pare de incomodar Honduras”.

Fez esta declaração logo após este ter anunciado que irá à reunião da “Cúpula do Grupo do Rio”, em Cancún, para pedir a criação de mecanismos que impeçam “golpes de estado” na América Latina. Além disso, na semana passada, Zelaya tinha anunciado que pretendia realizar viagens por todo o continente, visitando países para tratar da questão que afetou Honduras e da “ilegalidade” do movimento que o afastou do poder. Caso o Brasil insista nesta tese poderá ver outra derrota de sua diplomacia na questão hondurenha.

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* Para maiores esclarecimentos acerca da “Comissão da Verdade” consultar as “notas analíticas” e as “análises de conjuntura” que tratam da crise hondurenha, postadas no Site do CEIRI.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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