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GOVERNO IRANIANO SE MOBILIZA PARA TIRAR PROVEITO DAS MANIFESTAÇÕES NA REGIÃO E EVITAR QUE ONDA DE REBELIÕES TENHA EFEITO CONCRETO EM SEU PAÍS

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O governo iraniano tem vivido um momento nebuloso diante das manifestações que estão ocorrendo no “Norte da África” e “Oriente Médio”, mas está trabalhando para evitar que tais manifestações produzam resultados concretos em seu país e, para alcançar este intento, tem adotado pragmatismo, visando tirar proveito da situação.

 

As manifestações que começaram a ocorrer no Irã foram criticadas em suas origens e reprimidas pelo Governo, com ameaça de perseguição da oposição, bem como de resposta violenta contra os manifestantes. As informações estão sendo controladas, disseminando apenas o conveniente para tentar configurar as rebeliões pela região como revoltas islâmicas e anti-americanas. Ou seja, tentando apresentá-las unificadas com um principio revolucionário e direcionadas para um modelo específico de regime muçulmano, apesar de a própria “Irmandade Muçulmana” no Egito (principal grupo islâmico deste país) ter anunciado que as manifestações ocorridas não tiveram conteúdo desta natureza.

Os discursos do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, tem causado reações diferenciadas entre os líderes e analistas internacionais devido a contradição implícita nas declarações que ele está fazendo, ignorando o passado recente no Irã, bem como as atuais atitudes contra os manifestantes e a oposição política ao seu governo, com ameaças e ações intensas de repressão violenta e perseguição.

Ahmadinejad está afirmando sentir “horror” pela forma como tem agido os líderes árabes que são focos de revoltas populares. Em suas palavras:  “Como pode um líder sujeitar seu próprio povo a uma chuva de metralhadoras, tanques e bombas? Como pode um líder bombardear seu próprio povo, e depois dizer ‘matarei qualquer um que diga qualquer coisa?’. (…). Eu seriamente quero que todos os chefes de Estado prestem atenção a seu povo e cooperem, sentem e conversem, e ouçam a suas palavras. Por que eles agem tão mal que seu povo precisa recorrer à pressão por reformar?

A surpresa pela declaração recebeu de Barack Obama uma interrogação, pois, de sua perspectiva está transparente que ele “age em direto contraste com o do que aconteceu no Egito ao atirar e espancar pessoas que estavam tentando se expressar pacificamente” no Irã, tanto na época em que foi eleito sob acusação de fraude, como agora, que a “Revolução de Jasmim” está soprando suas brisas também em solo iraniano.

Ahmadinejad está profetizando que a as revoltas se espalharão pelo mundo, pondo fim aos governos que ele identifica como opressores e humilhantes aos seus povos. A referência direta que faz é aos EUA e países da Europa. Em suas palavras, “O mundo está a beira de grandes desenvolvimentos. As mudanças estarão próximas e irão engolfar o mundo inteiro, da Ásia à África e da Europa à América do Norte”.

A “Comunidade Internacional”, contudo, teme mais o que o governo iraniano poderá fazer para que isto ocorra. Acontecimentos recentes despertam a atenção. Um deles foi o envio de navios de guerra do Irã para o Mediterrâneo, passando pelo “Canal de Suez”, supostamente para realizar exercícios militares com a aliada Síria.

Neste caso dois fatos estão sendo destacados pelos analistas no mundo:

(1) é a primeira vez que navios iranianos desta natureza cruzam o Canal, desde a “Revolução Xiita” de 1979. Para atravessá-lo precisam de autorização do governo egípcio, sendo terminantemente proibidos aos países que tem laços diplomáticos rompidos ou tenham contenciosos com o Egito. A autorização está sendo usada por Teerã para efeitos propagandísticos, afirmando que as relações entre os dois países será revista em prol de uma aliança, algo que não é defendido pelos militares egípcios que estão no poder, mas trouxe preocupações à sociedade internacional, pois uma neutralidade, ou simpatia deste país com o Irã modificaria a “configuração das relações de força” na região, deixaria Israel quase isolado e poderia gerar desequilíbrio no “Oriente Médio” e “Norte da África”. Analista acreditam que a atitude irá levar as grandes potências a participarem mais ativamente do processo transitório egípcio.

(2) A alegação do governo iraniano de que deseja fazer exercícios militares com a Síria é legítima, pois todos os Estados têm o direito de realizar trabalhos com seus parceiros e aliados, mas o momento para tanto está sendo questionado pela comunidade internacional, que tem interpretado a iniciativa como um ameaça ao Ocidente e, mais diretamente, a Israel, já que os navios de guerra passaram próximo ao mar territorial israelense, colocando este país em estado de alerta e levando-o a solicitar uma resposta das grandes potências para o que consideraram uma afronta expressa.

Observadores não acreditam que o Irã cometa um ato direto, mas crêem que deseja fazer provocações para testar a tolerância dos israelenses, colocando-se como vítimas para legitimar uma possível reação muçulmana, diante de qualquer iniciativa de Israel.

No limite, todos acreditam que faz parte da constante guerra de propaganda usada pelo governo Ahmadnejad, como também está sendo feito neste momento com o anúncio de que técnicos iranianos desenvolveram dois supercomputadores, mesmo com os embargos resultantes das sanções do Ocidente contra o seu país.

Especialistas afirmam que é difícil ser verdadeira esta conquista tecnológica, apesar de haver um intenso comércio de componentes de alta tecnologia no mercado negro, feito entre o governo Ahmadinejad e empresas, ou países que não estão respeitando as sanções do “Conselho de Segurança da ONU”.

Independente das guerras de informação e de propaganda desenvolvidas em operações psicológicas, como é o caso deste anúncio dos supercomputadores, estão ocorrendo situações concretas de rompimento das relações diplomáticas entre alguns países e o Irã, sob a acusação indireta de estarem os iranianos interferindo nas suas políticas internas.

Recentemente, no dia 22, o Senegal rompeu com o Irã, sob a acusação do fornecimento de armas ao “Movimento das Forças Democráticas de Casamance” (MFDC). Um grupo rebelde que atua no sul deste país e já matou em combate 15 soldados das “Forças Regulares” desde o final do ano passado (dezembro).

Em comunicado, o governo afirmou: “O Senegal constatou que balas iranianas causaram a morte de soldados senegaleses e decidiu romper suas relações diplomáticas com a República Islâmica do Irã a partir de 22 de fevereiro”.

As investigações começaram após outubro de 2010, quando foi confiscada uma carga de armas na Nigéria, supostamente destinada à Gâmbia. Na época, a imprensa senegalesa informou que as armas iranianas apreendidas em Lagos (Nigéria) destinavam-se  aos rebeldes do MFDC que querem a independência do Senegal e  elas chegariam ao país pela Gâmbia.

De acordo com os analistas, este é um mais acontecimento que demonstra traços da estratégia do governo Ahamdinejad, levando-os a analisar os acontecimentos na “África do Norte” e no “Oriente Médio” com os olhos constantemente direcionados ao Irã, já que este país pode ser o concreto agente desestabilizador da região, independente das mudanças que estão ocorrendo e/ou podem ocorrer de regimes e governos entres as nações árabes e países muçulmanos, com os seus graus variados de violência, ao longo dos processos.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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