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Governo líbio investe no discurso de união da África contra os estrangeiros

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O Governo líbio voltou a solicitar da “União Africana” (UA) que faça uma reunião extraordinária para mobilizar a região contra o que denominam ser “uma agressão exterior” em seu país.

De acordo com o ministro das “Relações Exteriores” líbio, Abdelati Obeidi, “Minha delegação propôs a celebração o quanto antes de uma sessão extraordinária da Assembléia da União Africana (…)”, para proporcionar “a nosso continente mobilizar suas capacidades para enfrentar as forças exteriores que nos agridem”.

 

A UA corporificou-se concretamente como o Foro para mediação do conflito, tanto que uma delegação de rebeldes do “Conselho Nacional de Transição” (CNT) também foi na segunda-feira, dia 25 de abril, à Adis Abeba (capital da Etiópia) para conversar com o “Conselho de Paz e Segurança” (CPS) da “União Africana” (UA) e foram ouvidos em separado pelos líderes da UA.

As tribos líbias exigem a saída de Muammar Kadhaffi e assinaram um documento com esta exigência expressando a união de 61 tribos do país. Foi uma forma de mostrar que não haverá fragmentação da Líbia, mas a unificação da sociedade com a saída do líder. No entanto, esta solicitação constitui-se apenas na expressão de um dos impasses a serem solucionados.

O mandatário líbio já recuou no esmagamento dos rebeldes, devido as ações ocidentais que impediram os avanços das tropas governistas. Por isso, agora está apostando num processo de mediação para se manter no poder, concentrando o discurso na defesa contra invasão estrangeira na África e solicitando a união continental contra os invasores.

Taticamente, tem buscado apoio de seu notório aliado Hugo Chávez, Presidente da Venezuela, que está se prontificando a ser o articulador de uma negociação internacional para encerrar a crise no país e acusar o Ocidente, em especial os EUA, como responsáveis pela situação que se instaurou.

O problema está em explicar à existência de grupo tão extenso de rebelados contra o governo antes das ações da “Comunidade Internacional” terem começado, grupo que já está apresentando organização para administrar o país, caso consigam o afastamento de Kadhaffi.

Até o momento, o “Conselho Nacional de Transição” não está sendo oficialmente reconhecido como Governo pelos países da Coligação de países contra o Governo líbio, mas vem sendo tratado como tal.

Começa também a reaparecer no horizonte a possibilidade de a Líbia ser dividida, embora esta hipótese seja criticada por todos, já que: manteria Kadhaffi numa das regiões; poderia ser apontada como a prova de uma intervenção estrangeira direta para fragmentar uma unidade política; traria à tona o problema da constituição do novo governo na região rebelde, sem saber no que resultaria concretamente para os seus atuais aliados internacionais; produziria uma nova zona de constante tensão; além de ser algo que incomodaria diretamente a Rússia e a China.

Analistas internacionais cada vez mais evitam arriscar qualquer desfecho para a crise, não afastando, inclusive, a saída negociada de Kadhaffi e a continuidade do conflito interno.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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