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GUERRA CAMBIAL: PODERÁ O “G-20” SER A NOVA BRETTON WOODS ?

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O mundo “pós-crise financeira internacional” vive um momento de instabilidade cambial que afeta diretamente as economias do mundo. A crise que se alastra entre as nações deu início a uma “Guerra Cambial”, que, para alguns, é uma guerra particular entre as duas maiores economias da atualidade: os Estados Unidos e a China.

 

Recentemente, os dois países ganharam a atenção internacional, devido às medidas adotadas: os Estados Unidos, injetando dólares na sua economia e desvalorizando a moeda, fazendo pressão contra a China, que mantêm sua moeda artificialmente desvalorizada.

A China está trabalhando com o chamado “Câmbio Fixo”, cujo valor é pré-fixado frente ao dólar norte-americano, sem sofrer alterações diante das variações internacionais de oferta e procura. Este sistema adotado pelos chineses é diferente do sistema cambial das outras nações, que utilizam do “Câmbio Flutuante”, com variações diante das operações financeiras e comerciais internacionais.

Com esses dois sistemas, cada Estado estabelece seus mecanismos para elaborar políticas regulatórias em suas economias, mas as discussões entre norte-americanos e chineses, com relação ao valor das respectivas moedas no mercado internacional acaba desestabilizando as demais economias.  Para especialistas econômicos, as ações vindas do FED (“Banco Central Norte-Americano”) e de Beijing apresentam um impasse, já que nenhum dos dois lados cede às pressões e adotam medidas que favorecem suas respectivas economias, mas desregulam a economia internacional.

O presidente dos EUA, Barak Obama, disse aos líderes do “G-20” que a responsabilidade para resolver os desequilíbrios comerciais e as disputas monetárias pertence a todas as nações e não somente aos estadunidenses. O presidente da China, Hu Jintao, afirmou que seu país está disposto a colaborar na medida do possível para resolver esta crise e acredita que durante a “Cúpula do G-20”, os países acharão uma resposta para a crise.

Segundo os economistas, os norte-americanos sempre foram consumidores, por este motivo os EUA, sendo excepcionais compradores, constituíram-se como um dos principais destinos das exportações mundiais, principalmente as realizadas pelas nações asiáticas.

Por outro lado, os chineses, mesmo com sua abertura econômica em algumas regiões, sempre foram poupadores e um grande exportador, utilizando do Yuan desvalorizado para competir nos mercados internacionais.

Atualmente, a instabilidade cambial está afetando as economias do mundo de duas formas: positivamente, para as nações consumidoras, e negativamente, para as nações exportadoras.  Para os economistas, a atual desvalorização do dólar norte-americano frente às outras moedas, favorece às empresas em termos de renovação tecnológica, mas desfavorece-as pela perda de competitividade frente aos produtos importados.

Para tentar impedir uma maior instabilidade em suas economias, alguns países adotaram medidas tarifárias e fiscais, observando e regulando seus mercados. Países como Japão e Coréia do Sul, que exportam produtos semelhantes, estão monitorando e impedindo a entrada de capital especulativo. Taiwan e outras nações do sudeste asiático também atuam com mecanismos semelhantes e estão aumentando os impostos para a importação de produtos, aumentando as tarifas para operações financeiras em moedas estrangeiras, além de outras medidas para favorecerem seus mercados.

O Brasil, que hoje tem uma das moedas mais valorizadas, também está agindo internamente para impedir maiores prejuízos devido a instabilidade cambial. Medidas como o aumento da IOF (“Imposto sobre Operações Financeiras”) de 4% para 6 % e o aumento das reservas em dólares norte-americanos são ferramentas para impedir a desvalorização do dólar, que vem prejudicando as exportações brasileiras.

Para tentar achar uma solução frente a estas questões, a “Cúpula do G-20” será um palco para a discussão entre as 20 nações mais ricas do mundo, por isso, ela poderá ser uma nova “Bretton Woods”, reunião de cúpula que, na década de 1940, definiu o gerenciamento econômico internacional e o uso do “dólar norte-americano” como referência cambial para operações financeiras internacionais.

Essa comparação está sendo feita devido às propostas de algumas nações que serão apresentadas nesta atual reunião, como a da reforma no sistema internacional, substituindo a exclusiva base no dólar, e o estímulo ao consumo por parte dos chineses e à poupança por parte dos norte-americanos.

A questão da importância do dólar como referência financeira internacional já vinha sendo discutida por alguns especialistas econômicos. O “Ministro da Fazenda do Brasil”, Guido Mantega, por exemplo, tem manifestado posição a favor de uma reforma do sistema financeiro internacional. Para ele e outras autoridades, as economias devem utilizar outras moedas como referência, num sistema multicambial.

Em favor desta idéia, foram apresentados exemplos de referências internacionais baseadas no Yuan da China, no Euro europeu e na “Libra Esterlina”, da Inglaterra. Estas moedas, juntamente com o “Dólar Norte-Americano”, formariam um sistema com quatro moedas distintas, o que impediria uma nova crise, caso algum desses países venha a adotar medidas como as que foram aplicadas pelos Estados Unidos, que injetaram moeda em sua economia.

Atualmente, isto está ocorrendo devido às dificuldades de Washington realizar sua reforma. Segundo Mantega, “Há divergências e diferenças internas, como o caso dos Estados Unidos, pois o presidente Barack Obama tem dificuldades de fazer reformas econômicas internas, por exemplo”.

Outra alternativa estudada, é o estímulo do consumo na China, acreditando que isso impulsionará os chineses a aquecerem vários setores, do turismo aos bens de consumo, estimulando a competitividade das empresas exportadoras de produtos para a o país asiático e, ao impulsionarem este mercado interno, diminuirão as exportações dos chineses para outros países que têm mercados semelhantes.

De fato, a “Cúpula do G-20”, que será realizada em Seul, entre os dias 11 e 12 deste mês (novembro), será um “campo minado” de líderes com suas próprias visões sobre a atual situação financeira e sobre o comércio internacional.

Dentro das discussões sobre o futuro dos mercados e do sistema financeiro mundial, a moeda norte-americana pode perder sua importância como divisa internacional. Como “Bretton Woods”, esta Cúpula poderá marcar o futuro das relações financeiras e comerciais no mundo.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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