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Hoje, “Sexta-Feira da Cólera”, pode ser um dia definidor dos rumos da “Crise Síria”

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Estão acertados para hoje, sexta-feira, dia 29 de abril, dois acontecimentos que podem determinar a direção e o sentido da crise na Síria. Primeiro, será realizada uma reunião no “Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas” (ONU), solicitada pelos EUA, para definir a forma como deve agir a “Comunidade Internacional” diante da crise política que está em curso no país.

A Síria está se candidatando a um dos 47 assentos como membro deste Órgão de “Direitos Humanos” das “Nações Unidas”, mas os ocidentais, por posicionamento imediato dos norte-americanos, estão solicitando que a Síria sofra uma investigação independente sobre as mortes, torturas e prisões que estão ocorrendo neste momento na Síria.

A embaixadora para os “Direitos Humanos” dos EUA, Eileen Donahoe, afirmou: “É totalmente apropriado que o Conselho de Direitos Humanos condene a violência proposital do governo contra manifestantes políticos pacíficos”.

Tal solicitação está sendo considerada pelos analistas como uma resposta dos ocidentais aos vetos de Rússia e China no “Conselho de Segurança das Nações Unidas” para a adoção de medidas contra o Governo sírio, mais que uma resposta a este Governo propriamente.

Como afirmou à Reuters um diplomata ocidental que não foi identificado: “Temos de ser capazes de enviar uma mensagem bem forte a Damasco. Precisamos abrir os olhos de alguns países que são membros do Conselho de Direitos Humanos e do Conselho de Segurança”.

Analistas acreditam que a Rússia e a China manterão suas posições, pois ambos opõem-se a que países sejam investigados pelo “Conselho de Direitos Humanos”, da mesma forma que estão justificando seus vetos no “CS da ONU” com o alegado temor de que uma intervenção das “Nações Unidas” gere uma “Guerra Civil” no país, com riscos de sair de suas fronteiras, por isso tornando a crise interna num conflito generalizado pela região.

Os fatos correm contra a interpretação dos russos e chineses, pois, hoje, terá um segundo acontecimento importante para o futuro da situação no país. Os “Jovens da Revolução Síria” convocaram manifestações maciças contra o presidente Bachar al-Assad por meio da rede social Facebook.

A mensagem está: “Sexta-feira da cólera, 29 de abril, em solidariedade com Deraa. Aos jovens da revolução, amanhã (hoje, sexta-feira) estaremos em todos os lugares, em todas as ruas (…) o nosso compromisso é com todas as cidades cercadas, incluindo os nossos irmãos em Deraa, que estaremos presentes”. Foi postada por  “A revolução síria 2011”.

As expressões que estão sendo usadas pelos manifestantes são “Sexta-Feira da Cólera” e “Dia de Fúria”, mostrando a disposição de encarar a resposta governamental e ir à extremidade do conflito, podendo isto resultar num massacre com atos de violência imensuráveis, algo que certamente afetará o comportamento dos membros do “Conselho de Direitos Humanos”.

Também obrigará aos russos e chineses que revejam suas posições sob o risco de ficarem isolados, ainda mais diante das manifestações da “Irmandade Muçulmana” (banida da Síria) que está convocando o país para se contrapor diretamente ao Governo. A declaração feita pelo grupo foi: “Não deixem que o regime cerque seus compatriotas. Gritem com uma só voz por liberdade e dignidade. Não permitam que o tirano escravize vocês. Deus é grande”.

A “Comunidade Internacional” está apreensiva com a situação no país, pois a violência pode se alastrar e haver perda de controle, não podendo depois os ocidentais e países árabes aliados apresentar estratégia para restaurar a estabilidade.

Este dois acontecimentos marcados para hoje podem determinar os rumos de uma crise com componentes para abalar a estabilidade do “Sistema Internacional”.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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