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Indecisão sobre o projeto FX-2 adia escolha do caça e revela problemas internos no Brasil

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A escolha do caça que equipará a Força Aérea Brasileira (FAB) foi adiada para o próximo ano, 2010, devido a divergências internas no executivo brasileiro; questionamentos feitos por parte do legislativo e indecisões sobre o critério que deve nortear a escolha final do equipamento: técnico, ou político.

O anúncio do vencedor na concorrência deveria ter sido feito em 23 de outubro deste ano (2009), mas foi inicialmente adiado para novembro de 2009, devido à celeuma causada pela declaração antecipada do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 7 de setembro, de que havia decidido pelo francês Rafale, antecipando-se à entrega do laudo técnico que estava sendo feito pela Aeronáutica brasileira.

As críticas surgiram de várias partes, colocando sob foco a atitude e trazendo suspeitas, algo que levou à Presidência e o Ministério da Defesa a declarar que a escolha ainda não havia sido feito, mas apenas demonstrado uma preferência.

Diante do problema criado, começaram a surgir avaliações por parte da sociedade que conduziram o governo a anunciar que se esperava um laudo técnico, mas que qualquer decisão deveria ser política, pois não se podia realizar uma escolha com base apenas na capacidade do aparelho, sem levar em conta a política externa do país como um todo.

Diante do fato, praticamente se definiu que a escolha pelo modelo francês era o mais adequado, devido às aproximações entre os governos brasileiro e francês.

As declarações não foram suficientes, levando a “Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional” do Congresso Brasileiro a solicitar a presença do ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, para explicar o andamento do processo e as razões da antecipação da escolha sem levar em conta a entrega do laudo técnico.

O ministro apresentou os esclarecimentos e afirmou que o executivo aguardará o laudo, embora ele esteja atrasado, razão pela qual já está sendo adiado para 2010 o anúncio final. Ressaltou, contudo, que a decisão deve ser política, cabendo a Força Aérea falar sobre a operacionalidade do equipamento, mas que caberá ao ministério decidir sobre aquele que será comprado, frisando que este é um “Órgão Civil”. Essa expressão revelou que pode estar ocorrendo uma divergência entre o ministério e o as Forças Armadas, já que fez questão de frisar a diferença entre argumentos civis e militares.

Em função da declaração, deputados estão realizando um abaixo assinado, exigindo que a escolha se dê por razões prioritariamente técnicas. Desejam que ele seja apresentado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, na reunião do Conselho de Defesa Nacional que será convocada pelo presidente Lula para discutir o assunto e tomar a decisão final.

Segundo declarações dadas à imprensa, a Força Aérea brasileira está temerosa do fato de a decisão final estar sendo adiada para um ano eleitoral (2010), declarando que, normalmente, em momentos como esses, fatores externos prejudicam uma conclusão adequada.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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