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Intensificada a guerra entre Cristina Kirchner e a Imprensa

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Começam a ser divulgados os dados oficiais sobre as verbas de publicidade governamental argentina, destinadas aos grupos que estão alinhados com o Governo do país. A solicitação sobre os dados foi feita por uma ONG, “Poder Ciudadano”, ao chefe do “Gabinete de Ministros”, Aníbal Fernandez, pois a Presidência não está divulgando os dados oficiais desde 2009. Houve grande demora para receber a resposta.

Pelos anúncios, os jornais críticos ao governo sofreram redução significativa e constante com vistas a enfraquecê-los, uma vez que se posicionavam contra as personalidades públicas, suas ações, ou contra os projetos apresentados, divulgando erros, as ligações entre aqueles que tinha interesses nas medidas governamentais e os objetivos implícitos nas medidas do atual governo Kirchner.

Após a divulgação, ficou transparente o benefício dado ao “Grupo Szpolski”, alinhado com os Kirchners, dono do “Jornal BAE”. Surpreendeu o fato de este jornal ter recebido US$ 2,8 milhões de dólares de publicidade, para uma tiragem diária de apenas 1.800 exemplares. Os cálculos demonstram que a publicidade paga corresponde a US$ 8,54 (oito dólares e cinqüenta e quatro centavos) por exemplar, um valor desproporcional.

Comparativamente, o jornal “Clarin”, que os analistas identificam como estando sofrendo perseguição da presidente Cristina Fernandez Kirchner desde 2008, recebeu apenas US$ 1,3 milhão, de forma que, cada exemplar, recebe apenas US$ 0,02 (ou seja, dois centavos de dólar). A relação é de 427 vezes menos que o “Jornal BAE”.

Os argumentos da Presidente são de que o “Clarin” é um “jornal golpista” e exerce um “monopólio midiático”, já que estes tem o controle de vários meios de comunicação (jornais, rádios e TV).

Analistas, opositores e outros meios de comunicação, contudo, estão afirmando que há razões outras, subjacentes às medidas do governo, dentre elas beneficiarem grupos aliados, como foi o caso da internet, da telefonia e do recente caso da “Prensa Papel”.

Segundo declarações do professor de “Relações Internacionais” da “Universidade Católica da Argentina” (UCA), Jorge Liotti, feitas ao Jornal brasileiro o “O Estado de São Paulo”, a forma como Cristina tratou da publicidade, beneficiando grupos, foi uma constante em seu governo. Em suas palavras: “Desde a volta da democracia, em 1983, nunca houve nada assim. Não há respeito pelas proporções das quantidades de leitores e vendas. É um critério totalmente arbitrário”.

Outros analistas destacam que a prática também era adotada pelo Presidente da República antecessor a Cristina Fernandez, o seu marido Nestor Kirchner, e apontam que esta prática tem sido adotada por outros governo na America do Sul, sendo uma estratégia para garantir o controle da mídia. No caso argentino, contudo, o objetivo é quebrar um grupo que faz oposição ao governo e traçar uma rota de estatização.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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