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A estratégia do governo iraniano de ganhar tempo em um processo de negociação turbulento e complexo está fazendo efeito, apesar das vitórias táticas conseguidas até o momento pelo presidente dos EUA, Brack Obama, nas últimas reuniões sobre o desarmamento e terrorismo nuclear, nas quais efetivou acordos visando o controle e o combate à proliferação atômica.

 

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, deu outros passos para ganhar tempo. Anunciou a possibilidade de se chegar a uma via negociada para resolver o problema de seu “Programa Nuclear”, que tem se arrastado com a comunidade internacional, o qual se suspeita estar sendo desenvolvido para a finalidade militar.

Segundo afirmou, seu governo está disposto a cumprir a determinação da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) de entregar urânio enriquecido a 3,5% para esta Agência, que irá entregar aos russos para que estes o enriqueçam a 20%. Depois deverão ser transferido aos franceses que o transformarão em pastilhas para serem usadas em equipamentos com fins medicinais ou em para fins de produção de energia elétrica.  

A proposta, segundo foi anunciada até o momento, não toca na questão das vistorias, nem da fiscalização do Programa. Será mais uma forma de adiar a aplicação de sanções, embora a Espanha e a França estejam acenando para a adoção de sanções paralelas às sanções da ONU e dos EUA e tenham afirmado que radicalizarão o procedimento adotado.

Em resposta a esta possibilidade, foi divulgado que o presidente iraniano autorizou a construção de mais usinas nucleares, em regiões de encostas montanhosas para proteger de ataques preventivos, que se supõe virem de Israel ou de uma base norte-americana posicionada em países vizinhos.

Além disso, também foi anunciado que estão sendo feitos exercícios militares de terra, mar e ar baseando-se em hipóteses de conflitos com os EUA e Israel. Apesar de não divulgado, o Irã é cercado de bases estadunidenses Por isso, acredita-se que seria uma guerra de curta duração, exceto se os iranianos conseguirem fazer aquilo que o Iraque não fez: envolver Israel e unir os Árabes (o Irã na é árabe, mas ariano) contra os judeus.

Dando continuidade aos seus movimentos, foi realizada no Irã uma reunião com alguns líderes acerca da proliferação nuclear, sendo realizadas declarações em que se exige o desarmamento total dos EUA e a criação de um Organismo internacional do qual não façam parte os EUA.

Washington tem ignorado as provocações por saber que se tratam apenas de manobras diversionárias (para desviar a atenção da comunidade internacional), criando a imagem de “vitima pobre revoltando-se contra a exploração do rico”. É uma espécie de inversão dos papéis, alegando que desejam o controle nuclear, ao contrário dos estadunidenses.

Fatos chamaram a atenção. A pouca divulgação da mídia sobre o encontro e o discurso contraditório do presidente iraniano, pois enquanto alegava os fins pacíficos anunciava que Israel é uma praga no Oriente Médio, deixando implícita a idéia tantas vezes propalada de extermínio do Estado judeu, além de apresentar desfile militar, no qual apresentou veículo portando supostos mísseis capazes de receber ogivas nucleares.

O Brasil voltou a se posicionar pró Irã. Graças às suas próprias contradições, ele está vendo se espalhar uma oposição contra si na comunidade internacional, surgindo críticas intensas agora da Inglaterra, onde analistas do “Finacial Times” estão mostrando o comportamento ambíguo do presidente brasileiro, Luiz inácio Lula da Silva, chamando o país de “um gigante político, mas um anão moral”.

Por isso as pretensões de se tornar uma potência mundial começam a ser dificultadas diante dos receios dos demais grandes atores, ante a falta de credibilidade que tem sido gerada em relação ao governo brasileiro.

Aproveitando-se do momento, a Turquia está se preparando para ocupar o vácuo que o Brasil pode deixar em relação às negociações com o Irã, se for confirmada a rejeição coletiva ao Brasil como agente mediador, graças aos alegados erros da diplomacia presidencial atribuídas ao presidente Lula e seus assessores.

Analistas de vários países e do Brasil tem apostado que uma guerra de dimensões preocupantes acontecerá. Não conseguem prever o momento, mas crêem que o será para os próximos anos e têm apostado nos mecanismos de controle da proliferação desta guerra para que não adquira uma dimensão além do limite controlável.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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