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IRÃ ESTÁ SENDO POSICIONADO COMO ELEMENTO CHAVE NA POLÍTICA DO ORIENTE MÉDIO E DA ÁSIA

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Apesar das crises política, econômica e dos riscos internos, o Irã está adquirindo papel chave na política do Oriente Médio e da Ásia. O Premiê do Iraque, Nouri al-Maliki, teve reuniões com o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e com o presidente do país, Mahmoud Ahmadnejad, e solicitou apoio do governo iraniano para a coalizão política liderada pelos xiitas iraquianos, que está no poder em Bagdá. Além disso, solicitou auxílio na reconstrução do país.

 

Nas palavras de al-Maliki, “Nós pedimos ao Irã e a nossos vizinhos que apóiem a nossa reconstrução e dêem impulso à cooperação para desenvolver a economia e o comércio, o que ajudará a melhorar a estabilidade regional”. Insistiu que a relação entre os dois países é estratégica para Bagdá, não apresentando detalhes sobre o significado da afirmação.

Analistas acreditam que a existência de dois Estados sob liderança xiita daria à esta coalizão força para confrontar os ocidentais, tidos como invasores, e buscar formas de reposicionamento regional, da mesma forma que daria força aos grupos xiitas que se apresentam na região, mas são confrontados por governos sunitas dos países árabes muçulmanos no Oriente Médio.

Khamenei, por sua vez, manteve o discurso acusador aos EUA, afirmando que a presença das tropas estadunidenses é a responsável pelos problemas do Iraque e concordou com a necessidade premente de composição de um governo iraquiano, percebendo a chance histórica de ampliar a influência na região.

Segundo afirmou, “a formação de um governo, o mais cedo possível, e o estabelecimento total da segurança, estão entre as principais necessidades do Iraque, porque o país precisa de desenvolvimento e reconstrução. O Iraque não pode ser reconstruído sem o estabelecimento da segurança e um novo governo”.

Segundo informações divulgadas pela mídia, a coalizão chefiada por al-Maliki poderá em breve assegurar um número necessário de aliados para formar maioria no Parlamento, sendo um momento chave para a expansão do xiismo na região.

Além da questão iraquiana, as potências ocidentais aceitaram a participação do Irã na solução do conflito no Afeganistão, com o posicionamento positivo dos EUA. Os iranianos participaram pela primeira vez das conversas sobre o problema afegão no “Grupo Internacional de Contato sobre o Afeganistão”, que se reuniu no dia 18 de outubro, em Roma, capital da Itália. A questão está na transferência das responsabilidades de segurança para as forças do Afeganistão.

Os Talibans, por serem sunitas, eram inimigos do governo xiita do Irã, tornando os iranianos um fator estratégico significativo. Contudo, o Irã foi constantemente acusado pelos Estados Unidos de ajudar os atuais insurgentes no Afeganistão. Já Teerã nega a acusação e afirma que a culpa da instabilidade decorre da presença das tropas ocidentais.

Observadores começam a afirmar que o Irã poderá estar ganhando um espaço significativo para retomar suas ações em relação à comunidade internacional, antes de terem sido resolvidas as questões do seu “programa nuclear” e as questões políticas internas, principalmente no que dizem respeito à democracia, violência e perseguição política contra a oposição, bem como as afrontas às liberdades fundamentais e aos direitos humanos.

Da perspectiva dos analistas internacionais, o Irã poderá estar ganhando no fator tempo, uma vez que os ocidentais estão apresentando cansaço em relação a sua política para a região e a comunidade internacional poderá estar sendo derrotada pela capacidade de resistência dos governos autoritários da região.

Da perspectiva regional, segundo os observadores, o fortalecimento do Irã representará o desequilíbrio da região, exceto se Rússia e China se posicionarem contrárias as ações do governo de Teerã, algo até o momento não definido no caso chinês, principalmente após as descobertas de que Bancos e empresas chinesas estão furando o bloqueio estabelecido pela “Resolução 1929” do “Conselho de Segurança da ONU”, a qual estabeleceu a “Quarta Rodada de Sanções” contra o Irã.

O país conta, assim, com apoio dos chineses e de Estados não alinhados neste contexto com as grandes potências, como a Coréia do Norte, a Venezuela e a Turquia, sendo algo que poderá efetivar um espaço informal para a resistência do atual regime político iraniano. O Brasil, apesar do discurso e das iniciativas realizadas, tem acatado as resoluções da comunidade internacional.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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