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Jornais divulgam aparente divergência no governo brasileiro, acerca do reconhecimento do resultado em Honduras

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Após resultado das eleições em Honduras e a recusa de retorno de Zelaya ao poder pelo congresso hondurenho, os jornais divulgaram que está ocorrendo divergência dentro do governo brasileiro, acerca do reconhecimento do resultado das eleições.

A discordância foi manifestada em Berlim, Alemanha, entre a ministra chefe da “Casa Civil”, Dilma Roussef, e o “Assessor Especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais”, Marco Aurélio Garcia.

Para a ministra Dilma, o novo governo hondurenho deve ser considerado na pauta de reflexões do governo brasileiro, enquanto Marco Aurélio Garcia, reafirmou juntamente com o presidente Lula, que o posicionamento brasileiro será inalterado, com relação ao não reconhecimento do que está ocorrendo em Honduras.

Como faz poucos dias o próprio “assessor especial” admitiu a possibilidade de rever posicionamentos, quando afirmou que a mudança de postura brasileira dependeria da participação popular no pleito e da forma como ocorreriam às eleições, é possível que a divergência seja parte de uma estratégia para buscar uma saída para o Brasil, uma vez que a situação hondurenha começa a se normalizar e, mesmo instituições que não estavam inclinadas positivamente em relação à eleição, começam a admitir que ela ocorreu de forma transparente, pacífica e obteve um grande apelo popular.

É possível que a parte amena de um possível novo posicionamento brasileiro esteja sendo trabalhada para compor a imagem da candidata do governo Lula à Presidência da República, para as eleições do ano que vem 2010.

A situação em que o Brasil se encontra não está tranqüila, pois se viu envolvido no problema quando adotou postura parcial, posicionando-se pró Zelaya. Neste momento, terá um debate intenso na Organização dos Estados Americanos (OEA), pois, hoje, dia 4 de dezembro de 2009, será feita discussão no Órgão sobre a questão hondurenha. Sabe-se que a OEA está rachada e dificilmente reverá sua posição sobre o caso, mas esta postura poderá indicar um caminho de enfraquecimento da instituição, diante das crises futuras no continente.

Com relação às eleições hondurenhas, o voto em Honduras não é obrigatório, com registros históricos de abstenção, mas a participação do eleitorado foi acima da média, dando mostras do desejo popular de encerrar a crise por meio desse instrumento.

O chefe da missão da Anistia Internacional (AI), Javier Zúñiga, afirmou à BBC Mundo “não ter motivos para duvidar” da qualidade técnica do processo, embora tenha dito também que há “algumas dúvidas” sobre o contexto em que as eleições foram realizadas.

Ou seja, embora não estivesse no país como observador das eleições, mas para outra função, e estivesse inclinado negativamente à realização do pleito nas condições em que foi feito, sem Zelaya no poder, terminou admitindo que ele ocorreu de forma correta, sendo mais um ponto favorável ao grupo que está no poder.

A resistência já admite que não deseja mais à restituição do ex-presidente, embora continue, reconhecendo sua autoridade, e centrará suas atenções na Constituinte, algo que estava nas intenções de Zelaya. Dessa forma, a questão que deverá restará ser trabalhada é uma  anistia para Zelaya, como forma de finalizar a crise. Acredita-se que Porfírio Lobo está inclinado a isso, mas há muitos setores contrários à permanência do ex-presidente no país. Não será surpresa se ele receber asilo político no Brasil.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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