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Kirchner e Macri trocam acusações, visando ganhos políticos no caso do confronto de sem-tetos

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A violência que envolveu a desocupação de uma área pública ao sul de Buenos Aires trouxe a morte de ao menos quatro pessoas e dezenas de feridos. O resultado é decorrente da tentativa de fazer cumprir uma ordem judicial para a liberação da área de 130 hectares que era ocupada por sem tetos, estando entre eles vários imigrantes que vivem no país. Eles alegam que são apenas trabalhadores buscando moradia e não desejam permanecer nesta condição.

Logo após o choque com a polícia, que não conseguiu a liberação da área, o Prefeito e a Presidente evitaram mandar as polícias de suas respectivas competências para a região e a conseqüência foi os moradores dos bairros circunvizinhos resolverem agir por conta própria, tentando retirar do local os ocupantes e gerando novo combate com paus, pedras, barras de ferro e armas de fogo. Foram anunciados como mortos por terem sido baleados: o paraguaio Bernardo Salgueiro, 24 anos; dois bolivianos, Rosmeri Cupeña, 28, e Juan Castañares Quispe, 38; além de um jovem de 19 anos, que morreu na sexta-feira, dia 10 de dezembro.

Os jornais argentinos noticiam que houve participação de moradores, grupos xenófobos, partidários dos dois lideres políticos e hooligans, que devido ao comportamento da Presidente e do Prefeito tenderão a agir de forma mais violenta, assim que a oportunidade se manifestar. Ambulâncias foram apedrejadas e feridos retirados com muita violência de dentro delas, sob a mira de armas de fogo, havendo o caso do sumiço de uma pessoa que não se sabe se foi assassinada.

Objetivando se eximir da culpa pelo acontecimento, começaram as trocas de acusação entre a presidente do país, Cristina Fernandez Kirchner, e o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, ambos concorrentes às eleições presidenciais a serem realizadas em 2011. Macri alegou que a “Polícia Metropolitana”, uma instituição pela qual lutou para desenvolver, não tem efetivo para agir em situações como esta e tentou mostrar que a responsabilidade recai na ausência de uma política migratória adequada do governo federal, que permitiu à “imigração descontrolada“.

O chefe de gabinete da Presidente, Aníbal Fernández, por sua vez, acusou Macri de estar fazendo afirmações xenófobas e atribuiu o problema ao erro do Governo municipal em sua “política habitacional”.

No sábado, dia 11 de dezembro, houve reunião entre os governos Federal, representado pelo ministro do Interior, Florencio Randazzo, e Municipal, que teve o comando do próprio prefeito, Mauricio Macri, junto de um delegação. Havia dois líderes sociais, apresentando-se com representantes dos sem-teto, mas estes recusaram a representatividade deles, afirmando que esta reunião não os representa de verdade, pois eles são trabalhadores dispostos a pagar por uma moradia e não um partido político e só vão sair quando houver um plano habitacional que os contemple.

Analistas afirmam que a situação tenderá a piorar em médio prazo, levando a mais atos de violência, embora os ânimos estejam neste momento sob controle. A razão para tanto é que os dois políticos estão adotando posição de autodefesa, ao invés de procurar solução concreta para o problema.

Os observadores estão apontando ainda que tanto Macri como Cristina estão perdendo com a situação. No mesmo dia em que ocorreu o maior confronto, ela se recusou a mandar as tropas federais, exatamente em uma data na qual se comemora os Direitos Humanos. Macri, da mesma forma, se manteve ausente na região dos combates. O fato está sendo usado politicamente, visando as eleições presidenciais, por essa razão o mais provável é que ambos os lideres saiam tingidos negativamente pelo acontecimento.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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