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LULA APÓIA ARGENTINA NO DEBATE SOBRE AS FALKLANDS. OS INDÍCIOS SÃO DE QUE APENAS DESEJA MOSTRAR A NECESSIDADE DA REFORMA NO CS DA ONU

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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou apoio total às solicitações argentinas no novo debate entre a Argentina e o Reino Unido, acerca da exploração de petróleo em águas territoriais das Falklands/Malvinas, por empresa britânica.

O presidente brasileiro assinalou que não existe razão para um país reivindicar soberania sobre um território que fica a mais de 14.000 quilômetros de distância. Em suas palavras: “Qual é a explicação geográfica, política e econômica de a Inglaterra estar na Malvinas? Qual é a explicação de as Nações Unidas nunca terem tomado essa decisão? Não é possível que a Argentina não seja dona (das Malvinas), mas que seja a Inglaterra, a 14 mil quilômetros de distância?”.

 

As interrogações, em si, não têm força, pois, apenas pelo critério assinalado nelas, poderiam ser questionadas soberanias como a da França sobre a Guiana Francesa, bem como a soberania de vários outros países sobre territórios não contíguos e distantes.

Lula também atacou a União Européia ao criticar o Tratado de Lisboa, que determina favoravelmente ao Reino Unido acerca da questão das Ilhas Falklands, por incluí-las sob o título de “Associação dos Países e Territórios Ultramar”.

O Presidente brasileiro afirmou que esta determinação é incompatível com os interesses argentinos e os direitos legítimos que estes têm, além de também ser incompatível com a deliberação da ONU (Resolução 3149). Esta resolução estabelece que os dois países não façam alterações unilaterais na região, enquanto a questão da reivindicação de soberania não for encerrada.

Analistas têm apontado à precipitação de Lula na questão, ao fazer afirmações que podem prejudicar a boa relação entre brasileiros e europeus. Ademais, também têm acenado que a reivindicação da presidente Cristina Kirchner está ocorrendo para desviar a atenção de seus problemas internos e não por questões de Segurança Nacional, destacando-se que, dificilmente, sua ação afetará a população do país, da forma como ela pretende.

Percebe-se que, pela maneira como Lula se posicionou contra os ingleses, sua real intenção é reforçar as ações para a inclusão do Brasil como “Membro Permanente” do “Conselho de Segurança da ONU”. O brasileiro fez a declaração atacando frontalmente a sua configuração atual e propondo, novamente, a reforma deste Órgão das Nações Unidas. Ou seja, ele está usando a questão argentina com o intuito de ganhar apoio dos membros da ONU, diante em sua reivindicação.

Analistas também estão destacando que esta forma de agir é errada, uma vez que o seu comportamento tem sido de tomar parte nos problemas internacionais, ao invés de se apresentar como mediador. Assim, neste caso, ele está repetindo os erros do cometidos no caso hondurenho e com relação ao programa nuclear iraniano, algo que prejudicará suas reivindicações, ao invés de beneficiá-lo.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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